sábado, 23 de abril de 2022

Pitacos Variados Sobre os Shows Cover Que Assisti no Fim de Semana Passado (CPM 22 + Blink 182 + Bad Religion... + Ozzy Osbourne + Judas Priest + Dio)



 

Tentarei, verdadeiramente, fazer um post mais curto do que o habitual dessa vez. Mas sei lá se conseguirei. Provavelmente não.

NOITE 1: CPM + BLINK + BAD RELIGION

Já comentei com o Guitardo em off sobre essa noite: como fui a pé pro show, de noite, com as ruas desertas e tal, tive que esconder o dinheiro na meia (!) e, lá pelas tantas, uns sujeitos estranhos até atravessaram a rua e vieram pro meu lado. Jurava que seria assaltado, mas, felizmente, nada aconteceu. Chegando no show, fui tirando o dinheiro da meia e os dois seguranças me cercaram, achando que eu havia escondido droga ou algum tipo de arma ali. Mas daí viram que era o dinheiro do ingresso, e ficou tudo bem. Inclusive, um deles até me disse que já fez o mesmo :)

Como já disse antes por aí, CPM é uma banda que eu nunca consegui entender o apelo, além de achar o vocalista Badauí zero carismático por motivos diversos. E sem contar toda aquela hipocrisia que resultou na demissão do baterista Japinha, ex-Hateen.

Com isso dito, até que esse CPM Cover aí entregou um show divertido. Bem, só de ver um outro cara cantando CPM - no lugar do Badauí - já melhorou a situação toda para mim...

A seguir foi a minha primeira experiência vendo um cover de Blink.

Eis o meu TOP 10 da banda, com cinco faixas com o batera original e cinco com o batera que arruinou a banda...

ADAM'S SONG - favorita da fase Travis Barker

ANTHEM PART II

CAROUSEL

DAMMIT (GROWING UP) - favorita da fase Scott Raynor

FEELING THIS

JOSIE

M&Ms

RECKLESS ABANDON

WASTING TIME

WHAT WENT WRONG?

... e, dessas minhas 10 favoritas, só tocaram 3 delas: Anthem Part 2, Feeling This e Dammit.

Não me preocupei em anotar o setlist enquanto o show rolava, mas lembro sim de todas as músicas que rolaram. Do Enema of the State tocaram as óbvias All the Small Things e What's My Age Again?, mais Dumpweed, Aliens Exist e Don't Leave Me. Dessas eu retiraria Don't Leave Me facilmente, sem nenhum remorso.

Do Take Off Your Pants and Jacket tocaram as óbvias Anthem 2, Rock Show, First Date e a mais ou menos xaropeta Stay Together for the Kids (''SO THIS IS YOUR HOLIDAY... FUCK YOU.''). Uma pena que não teve Reckless Abandon, Shut Up ou o B-side What Went Wrong.

E, do álbum auto-intitulado, teve as óbvias Feeling This (a única música que realmente curto no álbum), as meio chatas I Miss You e Always, e também a absolutamente insuportável Down, que certamente entraria no meu TOP 10 das minhas músicas menos favoritas de todos os tempos - ao lado de ''coisas'' como Linger e Ode to My Family (ambas dos Cranborings), Pressure (do Paramore), Bad Karma (a música mais absolutamente horrorosa de toda a carreira da Miley, aqui em parceria da ultra-hiper-mega-decadente - além de feminazi mala - Joan Jett) e, é claro, a pior de todas, que é Fall In, um sub-Cranborings da pior qualidade, de cantora que prefiro nem citar o nome. Ahh, também do disco self-titled, rolou a Go, que até é OK.

No setlist teve também o single isolado Man Overboard e After Midnight, do Neighborhoods. São outras duas faixas que daria facilmente para ficar sem, principalmente After Midnight, uma canção pós-morte do Blink.

E, de todo o glorioso período Scott Raynor, a única faixa tocada foi Dammit, que fechou o show. E aí a gente vê que, por mais que todo mundo fique enchendo o Travis Barker de elogios, a era Scott é muito mais da hora e empolgante: com Dammit, o público simplesmente enlouqueceu e o lugar virou um hospício, com todo mundo surtando legal, invadindo o palco, se perdendo no bate-cabeça e os caralhos.

A grande verdade é que a fase Scott é muito superior ao Blink do terceiro disco adiante. Vou além: assim que o Travis entrou na banda, o Blink foi piorando mais e mais. Você vê: os dois primeiros discos estão pau a pau em qualidade, mas, assim que o Travis entrou, as coisas foram derrapando ladeira abaixo aos poucos: o Enema é inferior aos dois primeiros; o Take Off é inferior ao Enema; o auto-intitulado é o pior até então, com algumas coisas simplesmente pavorosas; e, do Neighborhoods para frente, é desastre total, sem nenhuma mísera faixa que se salve - nem mesmo aquela lá que, numa versão alternativa, trás um dueto com a Miley. Dá até para dizer que o Blink, após o quinto disco, virou uma ex-banda, tão defunta e sem propósito quanto o Guns N Roses após os Illusions.

A real é que o Travis não é o cara certo pro Blink. Travis no Blink é tipo se o Mike Portnoy tivesse tocado nos Ramones; ou seja, um sujeito ultra-virtuoso porém não necessariamente produtivo e que, definitivamente, não serve para um grupo minimalista e direto ao ponto.

Aliás, me surpreende pensar que, enquanto o Ronnie James Dio ainda estava vivo, ele e o Travis não tiveram a ideia genial (?) de formar uma banda com os dois mais o Yngwie Malmsteen e o Flea. Seria um supergrupo só de músicos extraordinários, sobrenaturais até, mas que desperdiçam esse talento todo fazendo música ruim. Aí poderiam até batizar o grupo com o nome WASTED TALENT. Uma pena que não tiveram essa sacada...

Anyway, uma pena que só tocaram uma faixa da era Scott. Ficaram de lado Carousel, M&Ms, Wasting Time, Josie, Zulu, Pathetic, Apple Shampoo, Dick Lips, a música chamada Emo (que é foda demais)... Mas ei: ao menos tocaram Dammit, a música mais foda do Blink e uma das minhas músicas favoritas em geral, de todos os tempos.

Show encerrado, cheguei a trocar ideia com o vocalista principal do grupo, o Tom cover. É foda: nesses shows cover, ao término das apresentações, enquanto todos enchem a bola dos músicos, eu sempre vou lá reclamar dos setlists :) É, acho que sou chato pra caralho... :)

Aí ele comentou que, por causa de problemas técnicos relacionados à afinação da guitarra e afins, não deu para tocar Adam's Song. Disse também que em alguns shows rolam outras da era Scott, como M&Ms e Josie, entre outras.

Nem lembro como a conversa chegou lá, mas, lá pelas tantas, ele citou The Used, e daí eu aproveitei a deixa para dizer que acho o primeiro álbum uma das coisas mais maravilhosas da história da humanidade. Ele disse que concorda e que até tem tatuagem da banda. Hail The Used.

E, nessa conversa toda, ele também comentou que, no show que eles fizeram com o MCR Cover no interior de São Paulo mês passado, até tinha um assento vago na van. Acontece que eu tinha comentado com os caras do MCR Cover que tinha interesse de ir nesse show, e, na época, eles veriam se teria espaço livre na van para mim... Mas, como o show em questão caiu justamente no dia da Miley no Lollapalooza, aí tive que desistir desse show Blink Cover + MCR Cover para, no lugar, ver o show da Miley pelo Multishow - ao vivo pela TV; pelo tablet, na verdade.

Enfim, bem gente fina o maluquinho do Blink Cover. E é curioso que o Mark cover deles é realmente a cara do Mark quando era jovem. Incrível mesmo. Fico então pensando se o cara já era fã de Blink ou se, então, de ser tão parecido com o Mark real, ele decidiu virar cover do cara. Bem, talvez eu pergunte isso para eles na próxima ocasião.

Foi interessante também que, durante esse show, teve um carinha que viu minha camiseta do Fake Number, ficou surpreso e até me cumprimentou por causa dela. (Na realidade, teve um outro cara que também elogiou minha camiseta. Aí eu disse que, dentro desse meio, é a minha banda favorita junto de MCR e Hey Monday.) E, falando nisso, o Tom cover até citou que mantêm contato com o André Mattera, batera que foi do FKN e do Cueio Limão, e que, atualmente, toca em outro cover de Blink, o Blinkers 182 - banda que ainda me resta conferir ao vivo.

A seguir veio o cover de Bad Religion. E vou ser completamente sincero aqui: eu não manjo de Bad Religion. As únicas músicas com as quais sou familiarizado são A Walk e American Jesus e, tirando essas duas, sei que eles tem uma chamada 21st Century Digital Boy - ou algo assim. Não sei mais nada deles. Mas, devo dizer que, de qualquer forma, o show foi muito bom sim. E, apesar de ter o menor público dos três dessa noite, teve sim o bate-cabeça mais cabuloso e from hell. Eu fiquei lá assistindo o bate-cabeça dando altas risadas: o povo mamadaço surtando legal, dando altos ''stage-diving'' e o escambau. Mó barato.

E outra coisa que vale citar é a semelhança do vocalista com o Angelo Arede, cantor da formação atual do Gangrena Gasosa.

NOITE 2: OZZY + JUDAS PRIEST + DIO

Cheguei tarde dessa vez, já na quarta música do Ozzy Cover, que era algum cover de Black Sabbath - era NIB ou War Pigs, mas não lembro mais qual. Aí trombei um maluquinho que me disse ''o show tá muito bom''. Aí ele me falou que, antes dessa, havia rolado Bark at the Moon, SATO e Suicide Solution.

Como também já comentei em off com o Guitardo, tive que desviar das tiazonas cinquentonas e sessentonas, as anti-MILF / anti-GILF, que tietavam o carismático Ozzy cover, para poder ficar na frente do palco. (Aí está um fator extremamente positivo desses shows underground: geralmente é sim possível ficar perto do palco.) E o show seguiu com bê-á-bás diversos do Ozzy no Sabbath e também solo, como, respectivamente, Paranoid e No More Tears, além de, muito infelizmente, arruinar a classicaça Mr. Crowley.

Mas foi um show divertido, de qualquer forma. E Ozzy - seja no Sabbath ou solo - é algo que nunca incomoda.

Aí veio o motivo por eu ter ido lá: Judas Priest na cabeça. Bem, Judas é, para mim, a segunda banda de metal mais sensacional de todos os tempos, depois de Manowar, a banda favorita do Regis Tadeu. (Aliás, esses dias alguém mandou um super chat pro Regis para informar que existe um funkeiro chamado MC MANO WAR, hahahahahaha.)

E eis as músicas que rolaram no cover de Judas:

ALL GUNS BLAZING

BEYOND THE REALMS OF DEATH

BREAKING THE LAW

DESERT PLAINS

DIAMONDS AND RUST

FREEWHEEL BURNING

GRINDER (cujo riff foi chupado pelo Motley Crue em Knock'em Dead, Kid - cujo nome pode ter inspirado Give'em Hell, Kid do MCR, por mais que o Gerard se proclamasse anti-Motley Crue)

HELL BENT FOR LEATHER

HELL PATROL

THE HELLION - ELECTRIC EYE

JAWBREAKER

LIVING AFTER MIDNIGHT

METAL GODS

PAINKILLER

THE RIPPER (que não, não é cover de The Used, hehehehe...)

TURBO LOVER (pô, podiam ter tocado Parental Guidance no lugar...)

YOU'VE GOT ANOTHER THING COMIN'

Foi um show muito carismático, sem nenhuma canção xarope, com participação de um carinha da plateia cantando Breaking the Law e, lá pelas tantas, três guitarristas no palco...

... mas, de boa, senti falta de The Sentinel (a minha favorita da banda), Tyrant (a minha segunda favorita), Night Crawler e Screaming for Vengeance. Mas falei rapidamente com o vocal no final da apresentação e ele me disse que essas músicas estão sim no repertório deles e que, às vezes, eles fazem shows com três horas de duração (!!!) e essas e outras entram no set - até mesmo coisas pós-Painkiller.

Bem, recomendo o Priest Live e quero sim ver outros shows deles.

Aí, para fechar a noite, veio o cover de Dio.

Bem... Não sou fã de Dio, como já disse tantas vezes por aí. Mas até admito que tem três músicas que considero guilty pleasures: We Rock (que não, não é cover de Demi Lovato...), Rainbow in the Dark (cujo clipe retardado passava no Fúria Metal até dizer chega) e, com o Rainbow, Man in the Silver Mountain.

As três rolaram nesse show, através de um repertório misturando Dio solo, no Sabbath e no Rainbow, incluindo dois bê-á-bás que acho absolutamente insuportáveis e não aguento mais ouvir nem a pau: Long Live Rock N Roll e ''Mergulhador Sagrado''.

Mas, beleza, a banda mandou bem para quem curte Dio. E, enquanto rolava Don't Talk to Strangers (que até foi regravada pelos nerdões do Blind Guardian), fiquei imaginando se, hoje em dia, a letra não seria considerada ''mizosógena'' (hehe) e acabaria sendo cancelada. Afinal, tem aquele trecho do ''don't dream of women, 'cause they'll only bring you down''. Vai saber se o careca-cabeludo não era ''mizôgíno'', né...

E, com o término da apresentação, até deu vontade de agradecer a banda por não tocarem Rock N Roll Children e nem Sacred Heart... (E uma coisa curiosa: apesar de serem cover de Dio, eles chegaram a tocar três músicas do Sabbath com o Ozzy! Foram Paranoid, NIB e Children of the Grave. VAI ENTENDER, HAHAHAHA.)

PS: Faltou citar que o guitarrista do Ozzy Cover tinha uma guitarra com um design a la Stryper, e que, na plateia, tinha um sósia-cosplayer do Rob Halford e também um carinha um tanto parecido com o Guitardo :)

Grande destaque da noite 1: DAMMIT (GROWING UP)

Grande destaque da noite 2: HELL PATROL

quarta-feira, 20 de abril de 2022

PURE MASSACRE = Sob Tensão (Nightmare Boulevard / Quiet Kill, 2004), Desastrada e Vergonhosa Tentativa de Misturar Slashin' e Stalkin' pelo Incompetente Diretor d'O Duende Leprechaun


 

 

''BAD MOVIE: NO DONUT FOR YOU.''

Recentemente tive a infelicidade de conhecer essa desgraça, ao comprar seu DVD nacional da obscura Sonar Filmes (a mesma responsável pela distribuição local da bizarrice Fuga na Escuridão / Blackwoods, do Uwe Boll, antes do mesmo se tornar o diretor mais odiado do mundo com uma série de filmes adaptados de game), cujo disquinho me custou míseros dois reais e cinquenta cents.

Com a péssima direção do sempre atrapalhado Mark Jones, o diretor do primeiro O Duende (que se tornou uma das três piores franquias do cinema de horror - as outras duas são August Underground e Podregeist; três cinesséries pavorosas em que nenhum capítulo se salva), Sob Tensão, além da mistura porcamente realizada de thriller policial e stalker-movie (fazendo uma inversão óbvia de Atração Fatal), ainda trás alguns assassinatos ''mizôgínos'' (para homenagear o delegado Olim) claramente inspirados nos gialli que o outrora genial Dario Argento realizou nas décadas de 70 e 80. Mas a péssima atuação do Joe Nobody Nicholas Celozzi (''over the top'' e canastrão até a medula) como o serial-killer da vez, as deploráveis encenações de ataques e assassinatos, os ineficientes efeitos sonoros e a incompetência geral em todos os fatores colocam tudo a perder.

O filme acompanha duas tramas que podem ou não ter ligação entre si: no lado stalkin', uma MILF (Claudia Christian, a stripper possuída pela entidade alienígena no clássico O Escondido) é perseguida por um doentão psycho após trair seu marido (Corbin ''O Dentista'' Bernsen - que ainda protagoniza uma cena muito ridícula, em que se revolta com uns ''fucking birds'' na praia) com esse xarope; e, no lado slashin', um maníaco misterioso sai despachando uma série de prostitutas. Uma dupla de detetives (entre eles, Ron ''Hellboy'' Perlman) tenta cuidar dos dois casos, mas, como são atrapalhados pra caralho, não parecem capazes de fazer muito progresso.

Há ainda uma personagem totalmente inútil creditada apenas como ''Pet Shop Girl'', talvez para fazer alusão aos Pet Shop Boys. E o curioso é que ela é interpretada pela Winnie Cooper de Anos Incríveis, a Danica McKellar. DM essa que, pouco depois dessa bomba, apareceria em OUTRO slasher vagabundo também lançado em DVD no Brasil, e que também está queimando o filme da minha videoteca: Ilha Maldita (Hack! no original). É, parece que, após aquele icônico seriado ''coming of age'', a carreira dela foi mesmo marcada por anos nada incríveis... (Outra prova disso é que ela ainda apareceu em um clipe da feminazi Avril Lavigne já na fase pós-auge.)

Voltando a Sob Tensão, é incrível como o diretor Mark Jones está perdido aqui: tenta, de forma bastante vexatória, brincar com a possibilidade de dois assassinos diferentes, revela a identidade de um deles (ou seria do único assassino?) logo aos 16 minutos (quando provavelmente seria mais interessante manter mistério nessa questão até o clímax) e, lá pro final, quando deveria rolar um plot twist minimamente interessante e coeso, consegue tacar o foda-se pro seu próprio filme, mandando um enorme ''FUCK YOU'' pro espectador, através de explicações estapafúrdias, situações retardadas, pesadelos e mais pesadelos e, pasmem, até mesmo uma referência ao seu ''grande hit'' O Duende, quando um personagem liga a TV e dá de cara com o filme do duende brincalhão interpretado por Warwick Davis!!! UnfuckingbelUweBoll.

Caray, nem sei mais o que dizer aqui... Só sei que só conferi essa porra por que sou um sujeito que possui uma curiosidade maior do que a habitual, e também pela minha espécie de missão de vida em tentar assistir todos os slashers - e afiliados - já feitos. E é justamente aí que eu queria chegar. Sob Tensão só pode ser mesmo indicado aos indivíduos completistas de slashers, gialli, thrillers de serial-killer e coisas do tipo. Já quem procura um filme minimamente digno deve manter uma boa distância.

Sob Tensão, um EPIC FAIL total sem nenhum propósito de existir. Fracassa como trama stalker, como giallo made in the USA e como qualquer outra coisa. Chega uma hora em que tudo está tão esculhambado que só faltaria surgir O Duende Leprechaun em cena, para atrapalhar as coisas ainda mais - o que, de certa forma, até acontece.

''ALL YOU BITCHES ARE ALL THE SAME.'' (Um dos diálogos ''mizosógenos'' de Sob Tensão.)

 


 

quarta-feira, 13 de abril de 2022

PARTIAL MASSACRE = Alice Querida Alice, AKA A Comunhão, AKA Comunhão (Alice Sweet Alice, AKA Communion, AKA Holy Terror, AKA The Mask Murders): Super Superestimado Slasher de 1976




 

Exibido na TV brasileira como Alice Querida Alice (cuja dublagem é inclusa no DVD da Continental) e lançado vezes diversas por aqui tanto em VHS (pela Mac e pela Opção - sendo que, no letreiro da fita da Mac, o título aparece como ''A'' Comunhão) e em DVD (pela Continental / Wonder Multimídia, ex-Opção, e também pela Versátil Hype Vídeo, na coleção Slashers - quando aquela série ainda era lançada no formato digistack e ainda não havia sido vergonhosamente despadronizada pela própria VHV, que passou a lançar esses boxes em estojo amaray), Alice Sweet Alice é um plágio descarado de Inverno de Sangue em Veneza (1973) que, nem de longe, poderia sonhar em chegar aos pés daquela obra-prima devastadora dirigida por Nicolas Roeg.

Com um ritmo demasiadamente lento, poucos bons momentos (que, juntos, renderiam um bom curta-metragem) e a absurda duração de 1H47 (sendo que Alice seria enfadonho mesmo se tivesse apenas 1H20), o filme de Alfred Sole (primo do muito mais talentoso Dante Tomaselli, diretor do maravilhoso Horror, o único outro grande momento na carreira da Felissa ''Sleepaway'' Rose) aborrece o espectador até a morte através dos seus personagens super fuckin' boring e seus melodramas nonsense e histéricos se repetindo over and over again, para o mais absoluto tédio de quem der play nisso. Entre esses personagens malas e desprovidos de carisma, temos as pirralhas irmãs vividas por Paula Sheppard (que está muito melhor no clássico lisérgico Liquid Sky) e Brooke Shields (em seu primeiro filme), além de um vizinho freak e pervertido (interpretado por um ator não-profissional que morreu pouco depois do lançamento do filme - talvez por desgosto) e um sósia do ator francês Jean Sorel (de uma série de gialli clássicos como A Breve Noite das Bonecas de Vidro e Uma Lagartixa num Corpo de Mulher - e que, mais tarde, queimaria o filme na tranqueira master Expresso Casablanca, desgraça inominável dirigida pelo canastrão Sergio ''Apenas um Grande Filme'' Martino).

Com uma personagem-título mimada e intragável, e uma boa trilha sonora que acaba sendo desperdiçada através de tantos momentos xaropetas, Alice Querida Alice (muito mais conhecido no Brasil pelo título Comunhão, mas muito mais conhecido nos países de língua inglesa como Alice Sweet Alice mesmo) poderia ser um excelente ''giallo americano'' se tivesse uma personalidade mais forte e focasse mais no suspense-horror do que nos diálogos chatos pra cachorro e em cenas diversas que mais parecem dignas de um dramalhão televisivo do que de um slasher pré-Halloween.

São problemas assim que atrapalham os poucos bons momentos da obra e algumas boas sacadas que ocorrem lá pelos seus instantes finais - para quem chegar acordado lá.

A minha nota para o filme é 2.5 de 5.

Por enquanto é isso. Em breve - talvez ainda hoje - voltarei aqui para relatar uma dupla de rolês mais ou menos furados que fiz na semana passada. See you soon, motherfuckers.

PS: Na imagem abaixo, a coleção do filme no acervo do VHS freak americano Joe Clark (mais conhecido somente como J). O fella tem, simplesmente, nada mais e nada menos do que TRINTA E CINCO edições diferentes de Alice Sweet Alice em VHS!!!!! Além das fitas, ele também possui Alice em um DVD e no luxuoso Blu-ray da Arrow. Vai ser fanático assim na casa do caralho..

PS OFF-TOPIC: Post escrito ao som do primeiro álbum da Sinead O'Connor, que tem as maravilhosas Jackie, Jerusalem e Mandinka. Sendo que essa última, de acordo com o Regis Tadeu, foi um grande hit - até mesmo no Brasil - lá no seu lançamento. O RT até disse que, por causa de Mandinka, a Skinhead O'Connor jamais poderia ser considerada one-hit wonder de maneira alguma, sob qualquer hipótese. (Na mesma ocasião, o RT também disse que, por causa de Magic Carpet Ride, Steppenwolf também não pode ser considerado 1 hit wonder. Magic Carpet Ride essa que foi regravada pelo Michael Monroe junto do Slash e, também, muito curiosamente, pela Selena Gomez - em versão até mais legal que a do MM com o Slash. Bem... Além de Born to Be Wild e Magic Carpet Ride, o Steppenwolf até teve um outro hit no passado, que foi a versão deles de The Pusher - que também seria coverizada pelo também sensacional Blind Melon, essa sim uma autêntica e incontestável banda de um sucesso só.)

 


 

terça-feira, 5 de abril de 2022

26 de Março de 2022 = Rolê-Garimpo com Guitardo Songs em Curitiba + Pitacos Sobre o Show da ''MiLolla'' (Miley no Lollapalooza Brasil, AKA Lulapalooza)




 

 

Tardei mas, finalmente, relatarei aqui a minha passagem por Curitiba entre 25 e 28 de Março de 2022. Tentarei dar uma certa resumida para não deixar o post gigantesco - mas a postagem provavelmente ficará gigantesca de qualquer forma.

SEXTA - 25 - MARÇO (certos massacres gerais)

Tomei três (!) ônibus para chegar na porra da rodoviária e pegar o ônibus que me levaria até Curitiba.

No primeiro, trombei um cidadão mal-encarado com camiseta dos fascistas do Slayer, bandeca horrorosa e repetitiva composta por Trumpistas, cristontos e doentões em geral. Como eu estava com camiseta do MCR (do Revenge ainda, o disco deles com a capa mais emo), achei que o maluco fosse querer me esganar, mesmo porque, no passado, o MCR já recebeu vaias e garrafadas de fãs de IsLamer - e de Megaidético também. Mas, para minha surpresa, o cara me deixou em paz. Bem, de qualquer forma... Fuck Slayer.

Já o segundo teve o pneu estourado...

... o que me obrigou a esperar o terceiro, que, finalmente, me levou até a rodoviária.

Ônibus de viagem tomado, dormi o máximo que pude, já que não havia dormido absolutamente nada em casa.

Lá pelas tantas o busão fez uma parada no restaurante Graal: Buenos Aires. Aí o seu humilde narrador saiu para comer no recinto. Recinto esse caro pacaray, diga-se de passagem, com um refri quente e esculhambado - uma caríssima Fanta Uva - e uma comida que tive que comer meio que na pressa, para voltar ao bus a tempo. Para piorar, os fellas estavam sem os talheres justamente naquela hora, fazendo com que eu perdesse uns minutinhos esperando que um funcionário deles fosse buscar novos talheres pros clientes. Presepada total. Foi por esses motivos que, na viagem de volta, nem fiz questão de descer do ônibus e voltar nesse Graal: Buenos Aires. Eles lucram com a fome da galera, e, daí, metem a faca sem dó - ou melhor, não metem a faca por ausência da mesma...

Mas OK: lá pelo final da tarde, eis que cheguei em Curitiba.

A minha ideia inicial seria chegar no hotel San Juan (onde o Guitardo chegou a trampar por uma semana, até ser mandado embora com umas ''justificativas'' nonsense em 2018), ajeitar tudo rapidamente e dar uma corrida pro centro atrás de sebos ou algo assim, tentando aproveitar o que fosse possível antes do comércio todo fechar.

Mas, como o hotel fez questão de atrapalhar as coisas e me fazer perder tempo, não consegui fazer qualquer tipo de garimpo central naquela Sexta 25.

Primeiro demoraram - bem - mais tempo do que deveriam ao acertar as questões burocráticas, sendo que seria muito mais simples pegarem meu RG e saírem anotando as coisas de acordo com o documento. Que nada: foram me fazendo trocentas perguntas variadas e até refazendo algumas delas.

Depois tive um novo atraso ao não conseguir acessar o wi-fi deles tão rapidamente ou facilmente quanto deveria.
E aí subo no meu quarto e descubro que a minha chave simplesmente não está funcionando. Tentei várias vezes e nada.

Volto na recepção e comunico o problema. ''Nós estamos sem sistema agora (!), então espera um pouco aí.'' Fico lá esperando por um tempo e nada. E olha que não havia ninguém sendo atendido lá naquele momento. Aí espero mais um pouco e, como não me atenderam, decido subir e ficar no corredor fuçando a internet até eles criarem vergonha na cara e resolver o problema. Aí falo ''beleza, eu volto depois então''. Aí o recepcionista diz ''não; dá pra resolver agora''. Inacreditável.

Problema resolvido (tardiamente), entro no quarto - com uma iluminação a la boate - e descubro que o Multishow - que exibe o Lollapalooza - não está disponível lá. Bem, aí a culpa já foi minha, já que não havia verificado de maneira totalmente clara sobre a disponibilidade do canal. Mas, por outro lado, PQP, já estive em hotéis mais simples do que esse que tinham sim o Multishow.

Mas, nessa questão, consegui remediar a situação comunicando um parente e, assim, recebendo instruções e instalando um aplicativo no tablet para acessar o Multishow. Afinal, era absolutamente essencial assistir lá o show da Miley no dia seguinte - por mais que eu já soubesse de antemão que o setlist e a performance dela deixariam bastante a desejar.

Enfim, com todos esses contratempos, já era noitinha quando consegui sair do hotel. Aí só deu mesmo para ir no shopping center mais próximo dar uma olhada geral - e verificar também o lugar exato onde eu encontraria o Guitardo no dia seguinte - e comer alguma coisa.

De volta ao hotel, teria mais uma frustração - naquele dia - antes de dormir algumas míseras horinhas. Fui tomar banho e, caralho, meus chinelos grudavam no chão enquanto a água caía, dificultando bastante o movimento das pernas! É algum problema da água do chuveiro deles e/ou do piso deles no box. Sei lá, mas foi bizarro e algo que eu JAMAIS experimentei em qualquer outro lugar. (E sim, o problema se repetiu nos banhos seguintes...)

SÁBADO - 26 - MARÇO (rolê-garimpo com o Guitardo e show da Miley)

Marquei com o Guitardo dentro duma área específica do shopping center mais próximo ao hotel. E lá nos encontramos, para sairmos no rolê a seguir - passeio esse que durou algo mais de 7 horas de duração no total. É: agora posso dizer que conheço TODOS os meus amigos pessoalmente, já que só restava encontrar o Guitardo - com quem mantenho contato constante faz três anos.

E, logo de cara, ele me presenteou com o Blu-ray duplo d'Os Caça-Fantasmas 1 + 2, com o DVD da continuação de Círculo de Fogo (com duas minas que curto bastante, a ''Jap'' Rinko ''Norwegian Wood'' Kikuchi e a tomboy americana Cailee ''Mare of Easttown'' Spaeny - que, para variar, também é cantora; ou tenta ser...) e um DVD-R full-rip do clássico Um Corpo Que Cai, do mestre Hitch.

Aí, após sairmos de vez do shopping, o Guitardo acabou sendo o meu guia de sebos daquela tarde de Sábado.

Aí, logo no primeiro sebo, após passarmos um bom tempo não encontrando nada de interessante entre as seções de CDs, eis que achei uma pérola lacrada na área de artistas nacionais de pop-rock: o segundo álbum do Lipstick, o Roquenroll. Lá na metade de 2021 eu havia conseguido o primeiro delas num sebo de SP, mas o segundo continuava ''missing in action'' por tudo que era canto de SP. Eis que finalmente o adquiri agora. Bem, por mais que seja uma gigantesca decepção se comparado ao primeiro (que é um clássico), esse segundo ao menos se mantêm digno. Mas é triste vê-las se perder ao abandonar o peso do debut e tentar fazer uma resposta feminina a onda colorida então liderada por Cine e Restart (e por bandas como All Time Low e Forever the Sickest Kids lá fora). E, mais triste ainda, foi ver a participação da deprimente Tatá Werneck (uma das mulheres mais repulsivas do Brasil, ao lado de outras desgraças do tipo Sonia Abrão e Lucianta) no clipe da faixa Eu Vou pro Roquenroll... Mas, beleza, de qualquer forma era um CD que eu caçava bastante e, com ele, fecho a discografia básica do Lipstick, que só tem esses dois álbuns de estúdio. Resta agora adquirir os singles da banda - que nunca trombei em lugar algum.

Aí, na mesma loja, eis que peguei também o BD do primeiro Cemitério Maldito, da época em que a Mary Lambert ainda não chupava bolas de macaco - já que ela só tinha dirigido a bizarrice nível extra hard Marcas de uma Paixão e esse primeiro Cemitério, além de clipes de gente como Madonna e Motley Crue.

O CD do Lipstick saiu por 10 mangos e o BD custou 20. (E é interessante pensar que dois dos filmes adquiridos em BD naquele dia eu já tinha em VHS ''alternativa'': Cemitério Maldito eu comprei por R$ 2 ou R$ 3 em 2014 na finada Discomania da São João; já o primeiro Os Caça-Fantasmas eu peguei por R$ 5, sem capa, em Dezembro passado. Cemitério Maldito aparece como Cemitério da Morte na etiqueta da fita em si e, no play, está como Cemitério de Animais. Já Os Caça-Fantasmas, na fita pirata, está como... Hum... AS CAÇADAS DE GASPARZINHO!!!!! Há, mais engraçado do que isso é só mesmo o amiguinho do Olavo ali na capa do BD fazendo o 1 com uma mão e o 2 com a outra.)

Após isso, acabamos em um outro sebo, onde, lá pelas tantas, encontrei um CD compilação de JPop que, ao olhar na contracapa, descobri que tinha uma canção do Princess Princess, The Summer Vacation, já da fase decadente-moribunda da banda, pós-1991. Aliás, até tenho esse single The Summer Vacation, que foi o último single que consegui comprar da banda na vida, lá no longínquo ano de 2009, no finado segundo Sebo da Liberdade - onde retornei dias depois e consegui um single da Kaori solo, da canção Sparkle, lançado pouquíssimo tempo depois do fim do grupo.

Enfim, por mais que The Summer Vacation seja bem mais ou menos, fazia uma década que eu não trombava nada de P2 e, como sempre tive o hábito de pegar tudo que encontro da banda (desde que a conheci em Dezembro de 2005), não pude deixar esse CD passar batido. (E tem outra: por mais que seja uma gigantesca decepção se comparada com as melhores coisas da banda, e por mais que não chegue aos pés da maravilinda Sekai de Ichiban Atsui Natsu, AKA The Hottest Summer in the World, e nem mesmo de Natsu no Owari, AKA The End of Summer, The Summer Vacation NÃO é a pior canção do P2 com ''Summer'' no nome: esse título é reservado a simplesmente pavorosa Summer Madness, a pior coisa já gravada pelo grupo durante todo o tempo que esteve na ativa. E o mais inacreditável é pensar que gravaram um VIDEOCLIPE OFICIAL para aquela atrocidade, quando deveriam ter feito um clipe para a fodástica Joker - com a Kanako no vocal - no lugar ''daquilo''. Aliás, vou aproveitar a deixa para dizer que, naquele período do comecinho dos anos 90 até o fim da banda em 1996, a Kanako tava sim cantando muito melhor do que a Kaori - além de ter uma carreira solo muito superior também.)

Anyway, P2 é daquelas bandas tipo Megadeth, em que o primeiro disco não é um clássico. O primeiro delas - da época em que ainda se chamavam Akasaka Komachi - é apenas interessante. Porém, o grande período da banda foi de 1986 a 1991 (sendo que lançaram dois discos de estúdio em 1988!), com obra-prima após obra-prima dentro do JPop-JRock-JWhatever feminino clássico. Mas chega: é melhor deixar a empolgação de lado e parar de falar sobre essa banda, porque, daí, eu não iria mais conseguir falar de nenhum outro assunto e ficaria só nisso...

Ainda dentro do JPop feminino 80, também consegui no mesmo sebo um CD da Yoko Oginome, CD-Rider, de quem eu já possuía um single desde mil novecentos e bolinha (na verdade, desde meados da segunda metade dos anos 2000).

E, na seção de DVDs, acabei conseguindo o Viagem do Medo, já resenhado aqui dois posts atrás. Os CDs saíram por R$ 9.90 cada e o DVD por R$ 5.10. E é interessante ver que o nome do sebo aparece como ''Capricho'' na capa de um CD e como ''Kapricho'' na capa de outro. Afinal de contas, será que o nome correto é ''Capricho'' ou ''Kapricho''... Make up your fucking minds, motherfuckers :)

Como era Sábado e os sebos, assim, já estavam todos fechando lá por meados da tarde, o Guitardo me levou, então, para duas lojas de camisetas de rock e afins.

Na primeira foi muito curioso porque tinha uma seção toda dedicada a camisetas emo-screamo que haviam encalhado, e provavelmente estão ali sem vender desde a época em que o estilo estava no mainstream. Foi surpreendente ver camisetas de bandas que parecem ter desaparecido faz tempo aqui em SP: The Used (que tinha uns dois ou três modelos diferentes, e que me arrependi de não comprar nenhuma), Boys Like Girls (blergh), Cash Cash (blergh parte II), Atreyu, AFI, Attack Attack, Funeral for a Friend, We Came as Romans, All-American Rejects, Finch... Foi surreal ver essa seção aí (com esses encalhes de 15-20 anos atrás), e nem parecia realidade, já que muito dificilmente alguém encontrará camiseta de algum desses nomes em SP em pleno 2022. Uma pena que não tinha nem Fake Number e nem Hey Monday. Curiosamente não tinha MCR também, infinitamente mais famoso do que essas bandas dessas camisetas aí.

Aí fomos em outra loja de camisetas, onde acabei adquirindo a já citada - no post anterior - camiseta do MCR do disco Revenge por R$ 60, mais detalhada e grandiosa do que a minha Revenge anterior.

Mas a grande surpresa dessa loja, para o meu mais absoluto espanto e deleite, é que eles tinham DUAS camisetas do Fake Number encalhadas lá!!! Foi a primeira vez na vida que vi uma camiseta da banda na minha frente. Nem pude acreditar. E o mais legal de tudo é que é a exata camiseta que eu queria fazer de forma custom, que é o fundo preto e o logo - branco numa camiseta e cinza na outra - idêntico ao mostrado nos créditos finais do clipe Último Trem. Ou seja, é bem possível que essas duas camisetas estivessem lá sem vender desde 2013.

Essas duas me custaram 40 reais cada e foram excelentes, excelentes aquisições - já que, aqui em SP, não se encontra camiseta do FKN em lugar nenhum.

Na saideira, fomos no McCuntDunno's comer um rango, beber refri e ficar conversando sobre assuntos diversos, tipo o próximo evento emo que eu estou num gigantesco dilema sobre ir ou não, entre outras paradas.

Após o Guitardo voltar pra casa dele, voltei pro hotel e aguardei até a hora do show da Miley. Antes do show começar, tive que aturar os depoimentos dos fãs completamente bitolados dela, sem nenhum bom senso, senso crítico ou contato com a realidade. Um deles declarou que todos os discos da Miley são grandes álbuns (até parece), outro disse que ela acerta sempre (yeah, right), um declarou que queria ouvir no show o hino feminazi Mother's Daughter e outro que queria escutar a mais ou menos xaropeta High, do pavoroso último álbum, o Plastic Hearts. Bem... Por mais que eu ame a Miley até certo ponto, tenho trocentas críticas a ela (prova disso é que ela possui mais ou menos umas 90 canções que eu não curto - sem exagero) e jamais gostaria de ficar igual esses fanáticos sem noção que estavam lá na frente do palco para assistir o show dela.

Aí, com algum atraso, teve início o show da muié, já, de cara, parcialmente estragando We Can't Stop - justo a música que me trouxe a ''Mileylândia'' no dia 5 de Maio de 2015, quando a escutei de verdade pela primeira vez e surtei legal.

Enquanto o show ia acontecendo, fui anotando aqui o setlist e, ao olhar a relação agora, PQP...

Bem, para encurtar tudo, posso adiantar que, das 20 músicas ali apresentadas, só teve DUAS que realmente foram absolutamente devastadoras e me fizeram desejar estar lá: a maravilhosa The Climb e a ainda mais maravilhosa See You Again, primeiro single e primeira faixa do primeiro disco da ''Mi'':

''THE LAST TIME I FREAKED OUT.

I JUST KEPT LOOKIN' DOWN.

I STU-STU-STUTTERED WHEN YOU ASKED ME WHAT I'M THINKIN' ABOUT.

FELT LIKE I COULDN'T BREATHE.

YOU ASKED WHAT'S WRONG WITH ME.

MY BEST FRIEND LESLIE SAID:

''OW, SHE'S JUST BEIN' MILEY.''

THE NEXT TIME WE HANG OUT, I WILL REDEEM MYSELF.

MY HEART CAN'T REST 'TIL THEN.

I CAN'T WAIT...

TO SEE YOU AGAIN.''

Essa música é uma das coisas mais sensacionais da história da humanidade - não só da história da música. E é nessas horas que até esqueço de todos os problemas que tenho com a Miley estragando sua carreira e seus setlists mais e mais, desde que cometeu o bizarríssimo suicídio comercial Dead Petz em 2015.

Mas, tirando essas duas maravilhas dos seus tempo áureos, o show foi bastante problemático, além de não ter NENHUMA faixa do Can't Be Tamed, o meu disco favorito dela e o único dela sem nenhuma faixa ruim.

OK, estou com o setlist anotado aqui na minha cara... Do Plastic Hearts teve a faixa-título, mais três outras. Até admito que, ao vivo, elas não soaram tão ruins quanto no disco, mas continuam não sendo agradáveis de se ouvir.

O show também contou com o dueto com o nosso '''''orgulho nacional''''' Anitta na Boys Don't Cry, a única música legalzinha da Anitta, além dos covers nonsense Heart of Glass (Blondie), Bang Bang (chatice da Cher - pleonasmo) e um trecho de Where Is My Mind, dos Pixies, surgindo dentro (!) da We Can't Stop e estragando tudo. Teve também singles isolados como a algo clássica 23 e as não muito agradáveis Mother's Daughter e Nothing Breaks Like a Heart - que valem mais pelos clipes, já que, para variar, ela está gostosa demais neles.

De resto, performances não muito caprichadas das clássicas (clássicas sim, porém muito longe de serem as melhores dos seus discos de origem) 7 Things, Fly on the Wall e Party in the USA. Nessas músicas a Miley provou que, apesar de não fazer playback, volta e meia é salva pelas cantoras dos backing vocals, já que ela - preguiçosa pacaray - deixava de cantar trechos diversos de músicas variadas durante o show inteiro!

E já estava esquecendo de citar: rolaram também a divertida Bangerz (SMS), a insuportável Wrecking Ball (que eu adoraria nunca mais ter que escutar na vida) e, do mesmo disco, para a minha surpresa e desgosto, a pavorosa 4X4, simplesmente a SEGUNDA PIOR faixa de toda a era Bangerz - só não é pior do que a deplorável Love Money Party. E 4X4 é tão deixada para escanteio (com razão) que, de todas as músicas do show, foi a ÚNICA que o nome não apareceu na tela da Multishow! Quando ela começou a rolar eu simplesmente não podia acreditar que uma canção tão horrível havia sido escolhida para tocar no show. É por essas e outras que eu só iria em show da Miley se pudesse escolher o setlist.

No mais, foi estranho ver as câmeras mostrarem tanto o batera Stacy Jones (vocalista e guitarrista daquela banda ''emonóide'' American Hi-Fi), enquanto os guitarristas Jamie Arentzen (também do American Hi-Fi) e Jaco Caraco (esse nome é foda...) apareciam tão pouco - quase nunca.

Enfim...

Esse Lollapalooza foi marcado por coisas diversas: a morte do Taylor Hawkins (mais um caso clássico do ''EVERYBODY LOVES YOU WHEN YOU'RE DEAD'', já que, em vida, só os fãs mais hardcore dos Fool Fighters se importavam com o maluco), as chuvas cabulosas que prejudicaram o primeiro dos três dias do festival, os belos e necessários protestos contra o desgoverno do Mijair Boçalnazi (sujeito que consegue ser mais desgraçado do que um crossover Marvel-DC) e o fato de que foi o primeiro show da Miley após ela escapar da morte com o sinistro lance lá do raio atingindo o avião dela. (Miley essa que, aliás, foi infectada com COVID pela passagem no Brasil. Sei lá... Vai saber se ela e a Anitta não deram uma ''chapuletada'' antes e/ou depois do show do Lulapalooza...)

É isso. Ainda bem que não fui no Lolla. Afinal, só tinha Miley e A Day to Remember de interesse para mim nesse dia, e teria me custado algo bem próximo de 1000 reais, somando ingresso, taxa de (in)conveniência, condução e demais despesas. Por mais que fossem R$ 1000 muito mais bem gastos do que pagar o mesmo valor numa VHS de slasher fuleiro do Jim ''Quantidade Acima da Qualidade'' Wynorski, continuaria não valendo a pena. Continuo preferindo comprar mil picolés no lugar - isso sim.

DOMINGO - 27 - MARÇO

Com as ruas praticamente desertas, não consegui fazer nenhuma caminhada muito extensa. Desviei de possíveis trombadas, comi no shopping pela última vez e voltei pro hotel. Pedi uma pizza no próprio hotel, metade calabresa e metade quatro queijos, por R$ 46, e acabei me arrependendo. A de calabresa tava OK, mas a outra tava bem esculhambada. Ahh, e o azeite de saquinho tava ruim pacaray. E, para fechar a noite, deixei a TV ligada no Oscar enquanto fuçava algumas coisas online. E, sem prestar muita atenção, fui pego de surpresa pelo Will Smith dando o tapão no Chris Rock - em defesa duma mulher chata pra cacete que, inclusive, já o traiu no passado...

SEGUNDA - 28 - MARÇO

Nada de mais para relatar. Peguei o ônibus e voltei para Sampa.

PS: Qualquer coisa, deixarei para completar o raciocínio geral - e passar algumas infos adicionais sobre minha passagem por Curitiba - ali na seção de comentários. (Cacetada, gastei quatro fucking horas para escrever esse post...)