sexta-feira, 30 de setembro de 2022

Revendo ''Paranóia'' (''Disturbia'', 2007), uma Bagunçada Mistura de Suspense ''Neighborsploitation'' e Comédia Romântica a la ''Show de Vizinha'' Que, Claro, Não Funciona em Nenhum dos Dois Gêneros

 

OK, por onde começar a analisar Paranóia (Disturbia, 2007, DJ Caruso), que conferi agora pela segunda vez na vida, após mais de uma década que o vi pela primeira vez...

A trama: três adolescentes - dois caras e uma mina - cismam que seu vizinho é um serial-killer, e resolvem espioná-lo.

Tentarei ser breve, mas sei lá como serão as coisas.

Bem, o filme até tem lá o seu potencial: o protagonista (interpretado pelo Shia LaBeouf, que, assim como o casal central do Crepúsculo, o Harry Potter e o Frodo, também se tornaria um notório ser anti-Hollywood - apesar que o ''Bob'' Pattinson queimou o filme recentemente ao interpretar o Batmané naquele filminho otário) até é OK, e o filme manda bem sim lá no começo: a abertura com o protagonista e o seu pai, e esse mesmo protagonista reagindo ao seu professor fucking asshole na sala de aula.

Mas, de boa, por mais que eu tentei ser justo com Disturbia, novamente ficou comprovado para mim que o amigo oriental do protagonista consegue, sozinho, arruinar o filme inteiro.

Especificamente tem um momento na marca de 1H20 e outro 20 minutos depois que não deixam nenhuma possibilidade de salvação para Disturbia. O desrespeito e o desprezo que o filme possui perante o espectador são simplesmente inacreditáveis.

E os problemas não param por aí.

Mesmo sem saber que o produtor executivo é o $teven Is Pig (o maior câncer do cinema mundial), eu já estava pensando ''cara, isso está $pielbergiano demais''. Afinal, como em outras abominações do tipo Deu a Louca nos Monstros (que, junto d'Os Garotos Perdidos e do remake de Vampyres, fazem Crepúsculo parecer uma obra-prima na comparação), fica muito bem estabelecido em Disturbia quais personagens irão sobreviver e quais podem morrer. Isso daqui não é Friedkin ou Fulci, em que QUALQUER UM poderá bater as botas. Isso daqui é $pielbergiano, ou seja, mentiroso pra caralho e previsível pra caralho.

E, meu, Disturbia é um desastre catastrófico, por mais que David Morse mande bem sim como o vizinho que pode ou não ser um serial-killer. Além de tentar ser suspense, também falha ao imitar Show de Vizinha (The Girl Next Door, com a gostosíssima Elisha Cuthbert), além de trazer umas subtramas até mais cômicas, como as presepadas do amigo japa sem noção e os pirralhos que fazem bullying no protagonista.

E falando nos pirralhos... Aí nós vemos, novamente, como Disturbia é $pielbergiano e fake. Em duas sequências nós assistimos esses pirralhos conferindo um filme ''pornô'', que, na verdade, mais é um vídeo completamente softcore, com umas mulheres seminuas. É a mesma vibe poser que nós temos em Lenda Urbana 3: A Vingança de Mary (da cineasta one-hit wonder Mary ''Pet Sematary'' Lambert - que deverá receber umas postagens próprias por aqui), com uma cena muito parecida, de um Zé Ruela enchendo a cara enquanto também assiste um pseudo-pornô que, na real, é mais um videozinho totalmente soft. Ou seja, nem Caruso e nem Lambert tiveram coragem de fazer como em Amoklauf, sensacional filme de serial-killer dirigido por Uwe Boll, que mostra o protagonista psycho assistindo um pornô real e completamente hardcore. É isso aí: o cinema de verdade não engana e nem maquia a realidade. Hail tio Uwe. Foda-se o $pielberg e as obras $pielbergianas em geral.

AVISO: DIGRESSÕES A SEGUIR

No mais, a única coisa que curti mesmo foi a inclusão da canção Next 2 You, do Buckcherry, na trilha sonora, por mais que ela seja interrompida no filme de maneira xarope. Inclusive, eu provavelmente não deveria falar isso, mas whatever, vamos lá: na época em que eu ainda bebia e me drogava e ainda era apaixonado pela russa lá, eu costumava ouvir essa canção no repeat pensando nela - e fantasiando com aquele sonho impossível de se concretizar. Pois é. É o que acontece quando você adere ao álcool e ''companhia'': você perde a noção e o bom senso, e se entrega a atitudes irracionais. É por essas e outras que nunca tive uma recaída, e permanecerei sóbrio até a morte. (No mais, eu espero sim que ela esteja bem, por mais que o país dela esteja numa situação cabulosa e horrível. Bem ou mal, nonsense ou não, ela foi sim a garota que mais amei na vida. E ela foi muito mais difícil de superar do que as já citadas substâncias.)

ENFIM.

O único efeito que Disturbia me causou foi que, após assisti-lo, eu voltei a ouvir Buckcherry direto. Não fazia isso desde que fiquei sóbrio, em Novembro de 2017. Buckcherry provavelmente é, entre as bandas americanas de rock que atingiram o mainstream, a mais explicitamente pró-álcool e pró-drogas de todas. Portanto, eu me identificava demais com esse estilo hedonista e niilista deles na minha época de goró constante. Mas os larguei assim que fiquei ''clean'', já que achei que não teria mais como me identificar com eles.

Mas é estranho: mesmo estando sóbrio faz quase 5 anos, voltei a ouvir Buckcherry e curtir demais a experiência. E até venho reparando algo que, muito curiosamente, nunca havia notado antes: Buckcherry é sim uma das minhas bandas favoritas. A já citada Next 2 You, a maravilhosa Whiskey in the Morning (regravada pelo Anal Cunt - WTF), a sensacional Too Drunk to Fuck (que acho muito mais legal do que a homônima do Dead Kennedys), Riding, Broken Glass, o hit Lit Up, Say Fuck It (muito superior a versão original) e tantos outros clássicos...

Buckcherry ruleia.




quarta-feira, 21 de setembro de 2022

(7 Anos de 7 Noites em Claro) Titio Marcio Levanta do Túmulo para Analisar ''Verão de 84'' / ''Verão do '84'' (''Summer of '84'', 2018), um Filhote Canadense de ''Stranger Fags'' e ''It Sucks 2017'' Que Consegue Ser Muito Mais Digno do Que Aquelas Duas Porcarias Americanas




 

 

Sempre vi o tal Summer of '84 ser comparado com atrocidades $pielbergianas do tipo Os Goonies (aquele filmeco imbecil dos anos 80 que mostra, durante duas longas horas, um bando de crianças chatas e histéricas falando ao mesmo tempo, enquanto enfrentam vilões totalmente caricatos), Scumbagger Things (que consegue ser um treco mais hypado e inútil do que o histórico da rainha da Inglaterra) e It Sucks 2017 (cujo diretor já deveria ter sido proibido eternamente de seguir fazendo filmes graças ao seu trabalho anterior, o indescritivelmente péssimo Mama - que, milagrosamente, consegue ser mais deprimente do que a canção homônima da ex-banda Bi Chemical Romance, morta em definitivo no longínquo ano de 2010). Portanto, sempre fiquei, naturalmente, com o pé atrás.

Mas eis que agora, com quase cinco anos de atraso, acabei conferindo essa simpática produção independente canadense no Prime, que fez o desserviço de disponibilizá-la em cópia somente dublada. Na thumb o título aparece em espanhol, ''Verano del 84''. Ao dar play, na tela da plataforma aparece escrito ''Verão do '84''. Aí, no final, quando surge o nome do filme na tela, o logo aparece em português mesmo: ''Verão de 84''. Coisas da Amazon Prime...

A trama segue a linha dos também recentes e competentes O Vizinho (The Neighbor - thriller agradável mais voltado a ação, da mesma turminha dos dois O Colecionador de Corpos) e O Bom Vizinho (The Good Neighbor - suspense sensacional com uma atuação fantástica do grande James Caan), além de ter semelhanças no plot com o absolutamente ridículo Paranoia (Disturbia), um raro caso de filme lançado no Brasil no obsoleto formato HD DVD: um quarteto de adolescentes cisma que seu vizinho gambé é, na verdade, um serial-killer que está assassinando teenagers numa cidadezinha americana. (Sim, apesar da produção ser canadense, a trama é ambientada nos EUA. Esse é um dos problemas do filme, que mostraria uma personalidade maior se realmente se assumisse como um produto made in Canada, ao invés de tentar se passar por uma produção americana. Outro probleminha é ver um ou outro jumpscare bem barato surgir em cena.)

OK, você talvez esteja querendo saber no que Summer of '84 é superior a It's Tranny Things e as duas horrendas partes do remake de It (cujo original já não era grande coisa também, é claro). Pois bem, vamos por partes então, igual diria o arrombado do Jack the Ripper.

Por não ser uma produção americana, Summer of '84 tem uma vibe meio desajustada, um clima um pouco depressivo, com alguns momentos perigosos e ''creepy'' (ao contrário da constante sensação ''clean'' de segurança que nós temos em Coisas Mais Escrotas e na refilmagem de It), que - em maior ou menor escala - o aproxima de notórios filmes anti-Stranger Things, como o cabuloso Os Garotos nas Árvores, AKA A Noite dos Mortos (Boys in the Trees - produção australiana já comentada por aqui) e o sociopata Found (que ainda deu origem ao slasher gorezento Headless). E particularmente achei o final de Summer of '84 bem badass e satisfatório, até me lembrando bastante um certo filme muito interessante do Van Damme da segunda metade dos anos 90...

Outro motivo latente é o quarteto de protagonistas que, apesar de curtir lixos indefensáveis do tipo Steven Is Pig, Gremlins e Starless Whores (tem que dar um desconto já que eles são adolescentes menores de idade - o complicado mesmo é ver gente adulta venerando essas desgraças), forma sim um grupo carismático, que faz com que a gente se importe com eles. Ao contrário de Escroto Things e It remake, que possuem seres absolutamente intragáveis, como Mike e Will em (D) STs, e Eddie e Richie no filmeco do Pennywise - sendo que, inclusive, o Richie do It remake é interpretado pelo mesmo pirralho insuportável que faz o Mike em Stupid Things.

E existem outros detalhes também que revelam a superioridade de Summer of '84 a dupla de lixos americanos... Mas, aí, eu estaria entregando spoilers. Então prefiro calar a boca nessa questão.

No mais, Summer of '84 foi uma grata surpresa: personagens bacanas como um todo (sem nenhum mala), trama maneira, investigação empolgante, ritmo dinâmico e final foda. Consegue ser nostálgico, mas, ao mesmo tempo, ter bom senso e não ser idiota. De 0 a 5 estrelas, ficaria na dúvida entre 3.5 e 4. Bem recomendado então.

E a frase de cartaz também é sensacional:

''TODO SERIAL-KILLER É VIZINHO DE ALGUÉM.''

PS: Tem um detalhe que entregou na hora que o filme é canadense. Os quatro moleques, no QG deles, tem um poster da lendária banda canadense D.O.A., uma das precursoras do punk hardcore. Na sua formação, o grupo tinha o finado Randy Rampage, que depois se tornaria o vocalista mais clássico de todos que já passaram pelo Annihilator, a mais cultuada das bandas canadenses de metal. Ou seja, o cara foi uma espécie de Ross the Boss do Canadá: da mesma forma que Ross fez história no punk rock americano (com os Dictators) e também no metal americano (com o Manowar - olha eu falando deles de novo...), o Rampage também cravou seu nome na história do punk e do metal.

PS OFF-TOPIC: RIP Jean-Luc Godard e Henry Silva. Foda-se a rainha da Inglaterra.