quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

A Serbian Film: Terror sem Limites (2010)

''Você é um ator pornô que quer saber do que se trata o emprego. É um pouco absurdo, não acha?''


Vendo o controverso, doentio e odiado - mas também idolatrado em alguns círculos - A Serbian Film: Terror sem Limites (2010) pela primeira vez desde o começo de 2011, quando o achei apenas regular. Como já sabia o que esperar dessa vez, diria que ele melhorou consideravelmente. Numa escala de 0 a 5 estrelas, a minha cotação seria 3.5 (bom - quase ''muito bom''). Nem seria preciso dizer, mas direi da mesma forma: a cópia assistida é a 100% sem cortes, de uma hora e quarenta e quatro minutos.


Para os poucos que não sabem do que o ''querido'' 'Serb' se trata, eis a sinopse: Milos (Srdjan Todorovic, que até já filmou com o Emir Kusturica), um ex-ator pornô passando por dificuldades financeiras (para ir de Kusturica a 'Serb', imagino que o ator real também devia se encontrar desesperado por uns trocados na época...), acaba aceitando a proposta de voltar ao ramo da pornografia, sob a direção de um excêntrico freak terminal - meio sósia do jovem José Mojica Marins. Mas o tiro sai pela culatra, e tudo acaba tomando um rumo, digamos, infernal. O que acaba sendo triste, já que Milos, sua mulher e seu filho compõem uma família carismática, pela qual é fácil torcer.


Os primeiros 56 minutos são simplesmente excelentes. Temos poucas informações do que acontece por trás das filmagens até então, e presenciamos uma série de sequências dark, bizarras, enigmáticas, e até levemente assustadoras - com a ajuda das excelentes fotografia e trilha sonora. Sem contar que Vukmir (Sergej Trifunovic) é um personagem fascinante, e dispara frases que variam entre o contestador e o mentalmente desequilibrado.


Mas aí 'Serb' desanda de vez, saindo da provocação relativamente sutil e caindo no mundo do mais extremo torture porn, mostrando cenas inacreditáveis, que ficam um ponto acima de tudo que havia sido feito em termos de cinema ultra-violento até então: um verdadeiro retrato preciso da podridão mundial em geral, e da Sérvia em particular. Vira um outro filme, e, além disso, parece estarmos diante de alguma espécie de videoclipe lesado, como se tivéssemos sintonizado numa MTV do mal, produzida por cineastas snuff ou sádicos da Deep Web.


Ainda assim, não se torna necessariamente ruim para o expectador adepto dos cantos mais sem limites do exploitation máximo. E 'Serb' não é somente um desfile de sequências extremas ''for the fuck of it'': tem aquele equilíbrio formado por sobriedade e denúncia de um lado, e prazer em chocar do outro, como o pioneiro Teruo Ishii já fazia na década de 1960. Obviamente não possui a maestria de um Saló: Os 120 Dias de Sodoma ou Canibal Holocausto, mas certamente não é uma tranqueira feita por asnos, tipo a franquia Albergue e o desastre conhecido como The Bunny Game.


O diretor Srdjan Spasojevic se disse inspirado em William Friedkin e Brian de Palma para fazer 'Serb'. Não espere ver algo desses discípulos de Hitchcock na película - que parece muito mais influenciada pelo grotesco cinema francês atual, além de exploitations icônicos como Porno Holocaust, de Joe D'Amato.


Na mesma época que A Serbian Film chocou (mas também frustrou) o mundo, teve outra produção sérvia bastante controversa e supostamente ofensiva: Vida e Morte de uma Gangue Pornô. Mas aí já não posso dizer nada, pois só vi o trailer e li/ouvi comentários alheios - bastante contraditórios - e nunca assisti ao filme em si. Será que estou perdendo alguma coisa?



 

Momento trivia: circulam rumores de que o título inicial de A Serbian Film no Brasil foi ''Um Filme de Terror'', antes de ''Terror sem Limites'' ser oficializado. Mas, como a fonte de tal informação foi o Omelete, não dá pra saber se essa info possui alguma relevância. Devemos nos lembrar que se trata da mesma trupe que disse que Anticristo foi o primeiro terror de seu diretor (sendo que Lars Von Trier já havia feito Epidemia mais os dois O Reino), e que a Lume passaria a lançar Blu-ray em meados de 2011; o que não aconteceu até hoje. Crédito na praça não é exatamente uma qualidade desses nerds incuráveis.


Outro rumor é o de que, também, a produção teria sido exibida simplesmente como ''Um Filme Sérvio'' em algum momento da nossa história.

Procura-se Babá (2008)

Antes de 2016 eu nunca havia ouvido falar de Sarah Thompson, uma espécie de Alicia Silverstone morena, que esteve em dois filmes de terror da década passada que só fui assistir agora.


Primeiro a vi atuar ao lado de Jeffrey ''Herbert West'' Combs e Michael ''Pluto'' Berryman em Brutal (2006), horror bem fraquinho sobre um serial-killer aterrorizando uma cidadezinha dos EUA.


Mas, felizmente, o segundo que assisti com ela foi uma grata surpresa: Procura-se Babá / Procura-se uma Babá (Babysitter Wanted), horror de veia setentista realizado em 2008, onde ela atua ao lado de outro ícone do gênero, Bill Moseley, mais famoso por ter aparecido em dois O Massacre da Serra-Elétrica - 2 e A Lenda Continua.


A trama do filme: após rápidas introduções, entre elas um acontecimento que serve como explicação básica do quanto Flash of the Blade, do Iron Maiden (a banda cristã mais famosa da história do metal), também é puro white metal disfarçado (eles tem que ocultar o cristianismo, afinal não podem perder os fãs ''adoradores do Cão''), acompanharemos Angie (Thompson) indo passar uma noite como babá numa casa no meio do nada, onde não demorará para receber uma série de trotes anônimos e amedrontadores. Ela está encarregada de cuidar duma criança meio freak (que me lembrou do pivete surtado do The Babadook), e será vigiada por um stalker from hell - que pode ou não estar por perto.


O que, a princípio, parece um segundo remake do clássico Mensageiro da Morte / Quando um Estranho Chama (só faltava o maníaco dizer: ''Você checou a criança?''), acaba recebendo um ''plot twist'' que PQP... OK, não vou estragar o prazer de quem não assistiu o filme, mas devo dizer que fiquei boquiaberto com o que vi: está entre as surpresas mais geniais do gênero.


A partir dali, as tensões e violências aumentarão mais e mais, culminando num final que recebe a ponta de Scott Spiegel (diretor do clássico slasher Violência e Terror / Intruder, e truta do Sam Raimi).


Um prato cheio para quem acha que já viu de tudo. Recomendadíssimo.

O MASSACRE DO SADY ELÉTRICO



''Eu quero que você foda todo mundo. Eu quero que o mundo se foda.''

E o massacre continua...

Algumas palavras sobre mais uma pérola do Sady, ex-jogador de futebol, atual presidiário e eterna lenda do cinema brasileiro em geral, e da Boca do Lixo em particular:

Após citar muito brevemente (mais na seção de comentários, é verdade) o alegre (pros padrões Sadybabyanos) O Ônibus da Suruba, além de comentar o cruel No Calor do Buraco, chega a hora de confrontar outra atrocidade (de toques geniais à sua própria maneira) cometida por Sady Baby: Emoções Sexuais de um Jegue (1986 - ou seria 1987?), ou, se preferir, ''o filme do ataque Leatherfaciano''; provando que você não precisa ir ao Texas para encontrar um massacre a base de moto-serra: ''tio'' Sady pode providenciá-lo pra você aqui no Brasil mesmo.

Novamente com a co-direção de Renalto Alves, Emoções já inicia de forma impecável, dizendo ao que veio. O que podemos falar duma desgraça que já começa com Sady comendo um osso que arrancou da boca de um cachorro?

Sady é o bandidão Gavião, um aidético que fugiu da prisão e que, uma vez mais, irá se misturar a toda sorte de freaks escrotos, numa jornada de violência, ofensas (tem uma parte em que Sady desfere uma sequência de murros na barriga duma grávida; mas as mulheres da trama não se sentem enojadas com Sady - pelo contrário até, já que demonstram prazer ao serem estupradas por ele) e choques gratuitos (ou não?), nojeiras variadas, sexo doente (literalmente), bissexualismo (com mais homossexualismo do que costume), animais falantes e, claro, músicas sem direito autoral. Tudo marca registrada do diretor-ator. (Claro que a parte das trilhas picaretas não é exclusividade de Sady, já que, na gringa, caras como Tsui Hark, Luigi Cozzi, Bruno Mattei e Andreas Schnaas, entre outros, também aproveitaram o uso das músicas sem copyright. A diferença primordial é que Sady usa MUITAS músicas, sem repetir a mesma canção, e durante toda a projeção.)

O objetivo da vez é caçar seu pai, que engravidou sua mulher enquanto Gavião era comido na prisão: ''CADÊ O PAÇOCA, CARALHO? AQUELE VELHO FILHO DA PUTA.''

Como outros já apontaram, o sexo nos filmes do Sady, além de não excitar, acaba sendo algo repulsivo, e atrapalha o fluxo narrativo. Como em No Calor do Buraco, somos presenteados aqui com uma longa orgia bissexual durante a segunda metade de Emoções. Pensando bem, os dois filmes são bem parecidos, quase que variações um do outro em partes diferentes: em ambos há um trauma carregado por Sady (o assassinato da família em Calor, o porte de AIDS em Emoções), que servirá como motivo/desculpa para o mesmo se dedicar em sua missão de destruir os infelizes que cruzarem seu caminho. Se lá o grande destaque era o Sady tacando fogo nos incautos pervertidos, aqui a menção especial vai para o ataque com moto-serra, acabando com a alegria de outros incautos pervertidos: ''EU VOU MOSTRAR PRA VOCÊS QUEM É AIDÉTICO. É O SANGUE. O SANGUE.'' Nota: Podem reparar que o ator que faz a vítima nessa cena está desesperado DE VERDADE, graças às técnicas cruéis de realismo que Sady usa nas sequências violentas (algo parecido com a cena do maçarico no final de Emoções). Leatherface é brincadeira de criança perto do nosso patrimônio nacional chamado Sady Baby, o mestre do udigrudi.

Tanto nos fatores bons quanto nos ruins, este trabalho de Sady é mais um autêntico antídoto para rebater as caretices intragáveis da Globo Filmes, perita em fazer cinema televisivo sem nenhum culhão, questionamento, criatividade ou qualquer outra qualidade.

Para a alegria dos corajosos e malucos por natureza, Emoções Sexuais de um Jegue também se encontra disponível no XVideos.

Para terminar, posto aqui os comentários mal-humorados do Guia de Vídeo da Nova Cultural, sobre a produção lançada em VHS pela Reserva Especial (zero estrelas, obviamente):

''Foragido da justiça ataca povoado. Produção lastimável que desperdiça algumas moças bonitas. Há, sim, o coitado de um jegue e um cavalo que deveriam ser protegidos pela Sociedade Protetora dos Animais.''




 

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida (1981)

Retrospectiva Indiana Jones Parte I


Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida (1981)

AKA Os Caçadores da Arca Perdida

(Raiders of the Lost Ark)


Cotação: PÉSSIMO


RESISTÊNCIA A DOR = FILME NÃO RECOMENDADO PARA MAIORES DE 10 ANOS


É provavelmente a única vez em que dei PÉSSIMO pra um filme e, mesmo assim, senti que estava sendo generoso com ele.


Não tinha uma sessão de cinema tão dolorosa desde 2014, quando revi Starless Whores Episódio 4: No Hope e conferi a horrorosa produção nigeriana Herança Mortal, o primeiro (de acordo com o IMDB) dos mais de 80 (!!!) trabalhos dirigidos pelo tal Andy Amenechi. O cinema seria um lugar melhor sem as atribuições dos senhores Amenechi, Spielberg e Lucas - mas ei, pelo menos ninguém nunca ouviu falar de Amenechi, enquanto os outros dois incompetentes são tidos como gênios (???) mundialmente desde a década de 1970.


Sobre Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida (Raiders of the Lost Ark, 1981), a primeira das quatro lastimáveis aventuras de Indiana Jones no cinema, devo dizer que é complicado traduzir duas horas de dor e tédio em palavras. Mas vamos lá.


É difícil ter mais de 10/11 anos e pegar leve com essas coisas fantasiosas e malditas desprovidas de inteligência. Há ainda a trilha sonora de John Williams, ajudando a empurrar uma sensação geral de nostalgia fácil, que é insuportável. Ou seja, a marca de Steven ''Peter Pan'' Spielberg (aliada a outros paspalhos envolvidos na produção, como o Mestre do Ridículo George Lucas, e os não menos incapazes Lawrence ''Grand Canyon'' Kasdan e James ''Vivos'' Marshall - só diretor ruim, portanto) está presente em cada mínimo detalhe de Os Caçadores: absolutamente cada instante da desgraça é contaminado por uma infantilização geral, que parece chamar o espectador de otário por perder tempo irrecuperável assistindo tamanha baboseira. Temos lutas dignas de cartoons, e árabes torcendo pelo ''Indy'', além do mesmo caminhando livremente por territórios dominados pelos nazistas - que, inclusive, nunca aproveitam as chances de despachar ''nosso'' arqueólogo fucking asshole e mal caráter, mas, ao mesmo tempo, bem-intencionado. Exceto a falsa transgressão e tentativa fracassada de ambiguidade depositadas em Jones, tudo em Os Caçadores é reduzido a caricatura. E tais sequências, tão porcamente concebidas, só seriam rivalizadas pelo Rambo junto do Rambo Jr. desviando dos tiros dos soviéticos, na busca pelo Richard Crenna, em Rambo 3.


O mais triste é ver, no elenco, atores que vinham de coisas sensacionais. Temos Paul Freeman, vindo do impressionante Alucinações do Mal; Karen Allen, vindo do excelente Parceiros da Noite; e Denholm Elliott, vindo do magistral Enxofre e Melaço. Todos queimando o filme ao lado do palhaço master Harrison Ford - minhas desculpas aos palhaços.


Ford interpreta Jones exatamente como fez com Han Solo, dois personagens bastante parecidos e bastante insuportáveis. Indiana Jones, Han Solo, James Bond, Jason Bourne, Ethan Hunt e outra figura fantasiosa/escapista barata, o Jack Bauer, pertencem ao mesmo universo no mundo da ficção: o dos chauvinistas que cometem erros constantes, mas que nunca pagarão por esses deslizes. Eles podem ferrar tudo, entrar mal, sofrer eventualmente, e ficar em sérios apuros... Mas sempre sobreviverão para destruir todos inimigos, e partir em novas aventuras nonsense, pois a estupidez não pode parar.


Há ainda uma série de referências tolas e bobinhas a grandes mistérios da humanidade, como a Arca da Aliança e, ao que indica, até mesmo ao poço de Oak Island - tudo abordado com as criancices de sempre da marca Spielberg. Igualmente imbecil é a visita que Indiana fará a Área 51 no quarto episódio.


A ideia inicial era resenhar os 4, mas não faço ideia de como terei ânimo para ver as partes 2, 3 e 4 depois dessa dolorosa sessão de horror que foi o primeiro. Na marca dos 50 minutos (que mais pareciam 50 horas), tive que pausar para poder respirar um pouco. Aí batalhei para encontrar forças sub-humanas, para então encarar mais uma hora e cinco minutos do Spielberg filho da puta me tratando como idiota.


Assistir Os Caçadores da Arca Perdida foi, no fim das contas, algo como morrer e ir pro inferno.


Como pode ALGUÉM filmar uma porra dessas, e, pior ainda, como pode ALGUÉM curtir uma porra dessas? Quem diz curtir Indiana Jones só pode estar trollando e/ou mentindo. Me recuso a acreditar que, no fundo, alguém realmente gosta dessas tralhas indefensáveis.


Como disseram uma vez no fórum Metal Sludge sobre a horrenda banda farofa Firehouse:


''Essa banda não deve existir de verdade, e sim ser uma espécie de pesadelo coletivo. Se alguém realmente gosta disso no mundo, então a humanidade merece ser extinta imediatamente, porque não há esperança.''


Exatamente o mesmo pode ser dito de Indiana Jones.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

CRISIS & FEAR FOR THE PARASITES

Mindless gutless puppets

É um misto de maldade com estupidez e covardia. Tipos assim não deveriam existir. Já que existem, não deveriam continuar existindo.

Cuzões filhos da puta não fazendo nada de produtivo. Eternas crianças idiotas sem nenhuma inteligência, e sem nada a somar.

May a helluva lotta suffering come your way.

Hope you die on the streets today. Hope you die in a deadly way.