sexta-feira, 11 de novembro de 2016

De Volta ao Terror (2011)


Uma conversa entre um stalker freakazóide e pervertido (um recluso com aparência de morto-vivo, interpretado por um tal Toby Hemingway - sujeito que eu nunca havia visto mais gordo) e outro stalker freakazóide e pervertido (um tira perturbado vivido por Christian Slater - que, por falar em zumbis, foi recentemente ressuscitado na única série atual em que o hype é verdadeiramente justificado: Mr. Robot) durante uma cena de De Volta ao Terror (Playback, 2011):

''Eu quero todos os vídeos dos assassinatos cometidos pelo Harlan Diehl.''

''Por que diabos você está interessado neles?''

''O rumor é de que a irmã dele aparece pelada durante bastante tempo. Tenho um cliente interessado nesse material.''

''Cliente? Você tem clientes?''

''QUE FOI? VOCÊ ACHA QUE É O ÚNICO SICK FUCK NA CIDADE INTEIRA?''

Hahahaha.

A bagaça ''so bad it's good'', que faz o gênero horror ''self-aware'' (com referências a incontáveis exemplares do gênero, como A Tortura do Medo, Zombie: A Volta dos Mortos, Ring: O Chamado, Coração Satânico, O Advogado do Diabo, As Bruxas de Eastwick, Pesadelo Mortal, Pânico, entre outros), retrata uma cidadezinha da pesada, onde os dois weirdos vivem em meio a um grupo de amigos envolvidos na filmagem de uma produção de terror underground, sobre as mortes cometidas pelo já citado Harlan Diehl. Tal psicopata terá uma estranha ligação com Louis Le Prince, que, na mitologia apresentada pelo filme, foi o primeiro cineasta da história. Le Prince fez um pacto com o Cão e realizou um curta-metragem maldito, onde todos os atores foram pro saco após trabalharem na produção. É óbvio que tal maldição se refletirá na cinebiografia de Diehl.

Apesar de bastante tosco em diversos momentos de horror, De Volta ao Terror poderá ser uma diversão bagaceira ao fã de terror procurando por um entretenimento despretensioso voltado aos iniciados do gênero. Os personagens impagáveis funcionaram legal comigo.

A Sombra de um Disfarce (1992)

Um Charlie Sheen completamente enlouquecido interpreta um gambé infiltrado (o tira que odeia tiras, já que sofreu mal tratos policiais na infância), espécie de mescla entre os perturbados protagonistas dos clássicos Viver e Morrer em Los Angeles e ID: Fúria nas Arquibancadas, em A Sombra de um Disfarce (Beyond the Law ou Fixing the Shadow, de 1992), espécie de variação boa das problemáticas tranqueiras Caçadores de Emoção e Velozes e Furiosos. Só que aqui temos motos no lugar de pranchas ou carros turbinados, e Michael Madsen ao invés dos menos carismáticos Patrick Swayze e Vin Diesel.

Outra semelhança com o filme da horrorosa Kathryn Bigelow (cujo sucesso comercial provavelmente originou A Sombra de um Disfarce) é a presença constante de bandas de metal farofa na trilha sonora. Mas, enquanto Caçadores tinha grupos consagrados como Ratt e LA Guns, aqui temos só o ''Lado Z'' do gênero, com renegados do tipo Asphalt Ballet e Saigon Kick.

Mas, ao contrário do filminho da Mulher-Macho e da franquia para adolescentes tarados por carros, A Sombra de um Disfarce é baseado numa história real, e o Dan Saxon verdadeiro chega a aparecer no filme como figurante.

E como é prazeroso ver Sheen e Madsen, dois alcoólatras assustadores da vida real, interpretar personagens igualmente chapados, birutas e perigosos. A única frustração é ver a trama cair um pouquinho no final. Ainda assim é bem legal, e recomendado para os fãs do subgênero ''undercover'' / ''infiltrado''. E ''tio'' Charlie destrói no papel principal, mostrando mais uma vez como manda bem vivendo tipos desequilibrados. Assim como Mark Hamill (Uma Carona para o Inferno) e Brendan Fraser (Paixões na Floresta), Sheen nasceu para interpretar tipos psicóticos e perturbados, mas, muito infelizmente, os produtores e diretores não perceberam isso. O irmão do Emilio Estevez também provou bem essa teoria em The Boys Next Door (que teve inúmeros títulos diferentes no Brasil, entre eles Jovens Assassinos e Ódio Cego) e Sob Pressão, além do excêntrico (e desequilibrado) detetive na caça a um psicopata que viveu em Morte Anunciada.

Reclusão

--> Ao contrário do que alguns poderiam imaginar, não estou aderindo à reclusão social. E sim oficializando a aceitação da minha condição de eterno isolado, ao invés de continuar fingindo ter qualquer tipo de tática social, ou que sou querido por tipos indiferentes - ou algo assim. Sempre estive sozinho e condenado a permanecer assim, mas agora eu aceito isso abertamente. Assim como também aceito que não sei me comunicar com as pessoas.

Estava também cansado de ser coadjuvante da minha própria vida. Once a freak, always a freak. Não dá pra fingir saber se encaixar, ou cair na ilusão de que querem estar com você: a vida reserva um preço muito alto para aqueles vivendo à parte. Não que isso importe mais. Faz alguns meses que certamente não tem mais nenhuma importância.

Como diz um d'Os Gênios do Lixo (Garbage Pail Kids):

''We must stay away from the normies, the normal people.''

E a grande verdade é que muitos supostos freaks são normais perto de mim. É uma maldição e também uma benção. Ao mesmo tempo que invejo certas coisas nas vidas das pessoas normais, me sinto bem por não ser daquela forma, já que não consigo imaginar como alguém poderia passar um mísero dia sem desejar o fim do Planeta Terra.

Hermético ou não, eu tinha que fazer esse post.

Don't live a lie
This is your one life

Don't live it like you won't get lost
Just walk
Just walk

It's a Liberty Walk

Here's to all the ones trying to hold you back
Trying to make you feel like you're less than that
Giving nothing more better than to make you crack
But really just trying to put your dreams off track

And you know in the end it'll be OK
'Cuz all that really matters are the steps you take
And everything else falls into place
There's no price to pay

I say:
We're alright
Yeah, yeah
We're gonna get it
When we're living

It's a Liberty Walk
Walk

Say goodbye to the people who tied you up

It's a Liberty Walk
Walk

Feeling your heart again
Breathing new oxygen

It's a Liberty Walk
Walk

Free yourself
Slam the door
Not a prisoner anymore

Liberty

It's a Liberty Walk

Don't stop
Keep on walking
Don't stop
Keep on talking

Walk

Don't be afraid to make a move
It won't hurt you
Just do what you were born to do
And everything works alright

Don't listen to all the people who hate
'Cuz all they do is help make your mistakes for ya

But they don't own ya
I just told ya

Alright
Yeah, yeah
We're gonna get it
When we're living

It's a Liberty Walk
Walk

Say goodbye to the people who tied you up

It's a Liberty Walk
Walk

Feeling your heart again
Breathing new oxygen

It's a Liberty Walk
Walk

Free yourself
Slam the door
Not a prisoner anymore

Liberty

It's a Liberty Walk

Don't stop
Keep on walking
Don't stop
Keep on talking

(Just walk this way)

Don't like...
Don't like...
Don't like...
Don't like...

Don't like what you do?
Walk
Don't take the abuse
Walk
Move to the truth
People...
Come on, that means you

It's a Liberty Walk
Walk

Say goodbye to the people who tied you up

It's a Liberty Walk
Walk

Feeling your heart again
Breathing new oxygen

It's a Liberty Walk
Walk

Free yourself
Slam the door
Not a prisoner anymore

Liberty

It's a Liberty Walk

Don't stop
Keep on walking
Don't stop
Keep on talking

(...)

Se ela só tivesse essa canção em toda a carreira, já seria motivo para ela ser adorada. Essa música / letra sozinha >>>>> toda a discografia dos abomináveis senhores Buça Dick N Scum, Gene $immon$ e David Coverdull

 https://www.youtube.com/watch?v=9crtkgo5vnY

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Cine Spektro Volume 3: Vampyres: As Filhas de Drácula (1974)





Seguindo a linha do horror erótico da Hammer (Trilogia Carmilla; deve ser dito que a personagem de Sheridan Le Fanu seria melhor representada no cinema no finalzinho da década de 1980, pela Meg Tilly, em um telefilme homônimo), e de cineastas como Jean Rollin (Lábios de Sangue / Lips of Blood), Jesus Franco (Vampyros Lesbos) e Harry Kumel (Lábios de Sangue / Daughters of Darkness, AKA Escravas da Luxúria, AKA As Filhas das Trevas), José Ramón Larraz (A Beira do Machado) realizou, em 1974, o clássico Vampyres: As Filhas de Drácula (Vampyres, AKA Daughters of Darkness - não confundir com o filme de Kumel), lançado no Brasil somente em VHS, pela Top Tape. Enquanto a fitinha lançada no Brasil possui 86 minutos, o DVD / Blu-ray da Blue Underground circula sem cortes, com 88 minutos.

Após uma abertura que pode muito bem ter influenciado O Sexto Sentido, vemos Fran (Marianne Morris) e Mirian (Anulka) como as personagens do título, vampiras errantes e bissexuais, que seduzem transeuntes para o casarão onde vivem. A imagem das duas passeando pelos arredores, sem a menor preocupação com a luz do dia, chega a ser icônica.

Vampyres funciona muito bem tanto no horror (às vezes sugestivo e misterioso, às vezes sangrento e brutal) quanto no erotismo (com as duas estonteantes atrizes se entregando sem pudores; o que levou a produção a ser considerada pornográfica na época), e acaba sendo um dos melhores exemplares do subgênero das vampiras sedentas por sexo e sangue.

Uma pena que provavelmente nunca será lançado por aqui em BD. Na melhor das hipóteses sairá num frustrante combo em DVD pela Versátil - o que seria decepcionante para aqueles que pretendem adquiri-lo no formato azul. Fica o aviso: a essa altura do campeonato, se não for pra lançar o filme em BD, então é melhor não lançá-lo de maneira alguma.

Parada GLS: Jerk-Dork Style

Prato cheio para a galera que curte um sabre de luz enfiado no rabo: tal evento será preenchido por nerds nulos presos num universo de palhaçadas. Os losers de plantão são vitoriosos perto dos Starless Whores. E os gays são héteros perto dos mesmos fãs de Star Worse.

Heroísmo besta e simplista sem nenhuma ambiguidade + atores canastrões pagando mico + personagens imbecis (sejam ''do bem'' ou ''do mal'') pelos quais é impossível se importar + robôs / bichos idiotas + diálogos ridículos (''Luke, eu sou o seu pai.'' Quem se importa? FO-DA-SE.) + enxurrada de efeitos especiais avançados pra disfarçar a ruindade do negócio = Star Wars

Fãs da horrenda saga de George Lucas dão um nome ruim à virgindade. Essa saga é um caso perdido. E mais caça-níqueis virão, portanto é boicote na cabeça.

PS: Nada contra os gays. Tudo contra George Lickass e $tar War$.

O Som ao Redor (Blu-ray duplo)




A Vitrine Filmes provando que é possível vender Blu-ray duplo por 30 mangos sem ir a falência. Não precisa ser os 100 reais da Versátil.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Revendo Poltergeist: O Fenômeno (1982)...

Ao revisitar esses dias o ''clássico'' (yeah, right...) do horror Poltergeist: O Fenômeno (1982), dirigido por Tobe ''Texas Chainsaw'' Hooper e produzido pelo rei mundial dos idiotas, Steven Spielberg, percebi que não, o seu humilde narrador não havia pegado pesado com o filme anteriormente. Reza a lenda de que Spielberg co-dirigiu o negócio (até dirigindo bem mais do que Hooper), e só não recebeu crédito de direção para não quebrar uma cláusula contratual que o impedia de dirigir outro filme durante a realização do também patético ET: O Extraterrestre.

Existem em Poltergeist momentos bons (poucos) e ruins (muitos), sendo que o que há de qualidade tem a cara de Hooper, então O CARA, vindo de preciosidades como O Massacre da Serra-Elétrica, Eaten Alive, Pague para Entrar, Reze para Sair e o televisivo Os Vampiros de Salém, uma das primeiras adaptações cinematográficas de uma obra de Stephen King. Quatro títulos de alta qualidade portanto. Já os momentos ruins, nonsense e demasiadamente sentimentaloides e ''família'' são, obviamente, a marca de IsPigBlerg.

Daria para pegar os raros bons momentos (o começo do filme antes do débil ataque da árvore, e todas as aparições do palhacinho from hell, mais a Jobeth Williams recebendo um ataque na linha ''O Enigma do Mal'', e precursor de uma sequência envolvendo a Tina no primeiro A Hora do Pesadelo) e transformar a chatice interminável num eficiente curta-metragem. Entre tantos casos de curtas empolgantes que dariam ótimos longas, Poltergeist é exatamente o inverso, e daria um fino filme curto de uns 15-20 minutos de duração.

Poltergeist só não é uma porcaria absoluta por dois motivos. Primeiro pela direção do então relevante Hooper (um cineasta de verdade, de garra; e não um dos fantoches sem talento de Spielberg, na linha George Lickass), que pouco depois (após Força Sinistra, Os Invasores de Marte e O Massacre da Serra-Elétrica 2) se perderia para sempre. Já o segundo motivo é acidental, sendo que é sempre curioso e interessante assistir filmes malditos / amaldiçoados / assombrados. É do conhecimento de todos que diversas tragédias e fatos estranhos atingem a trilogia Poltergeist, sendo as bizarras mortes de Heather O'Rourke e Dominique Dunne os principais eventos.

Outro dos maiores problemas de Poltergeist é a extravagância de efeitos especiais totalmente desnecessários, cortesia da Industrial Light & Faggot, do igualmente desnecessário George Lickass. Assim sendo, é certeza de encontrar pelo caminho trocentas referências ao universo geekuzão de Dork Viader, Chewbabacca e demais paspalhos.

O script da bagaça também não ajuda, e é bastante retardado: por que diabos a família não se muda duma vez, e por que diabos não se desfazem do palhacinho assustador duma vez por todas???

Ainda pior é (SPOILERS) perceber que a sequência envolvendo o rosto de um personagem sendo despedaçado foi uma alucinação, ou constatar que ABSOLUTAMENTE NINGUÉM VAI PRO SACO. PQP, Spielberg é mesmo um completo imbecil. E a cena em que Jobeth Williams comemora pela cadeira ter se movido sozinha está entra as coisas mais indescritivelmente babacas da história do cinema: ''UEBA, MINHA CASA ESTÁ TOMADA PELO CÃO.'' Novamente, fuck you Spielberg. (Poltergeist é mesmo um caso esquisito: as pessoas sobrevivem no filme, mas morrem - prematura e tragicamente - na vida real.)

Bem, talvez alguns encontrem diversão em Poltergeist através das participações dos sósias do protagonista de Troll 2 (uma tranqueira certamente muito mais divertida do que Poltergeist), do Eric Roberts, do Billy Dee Williams e, é claro, da versão feminina do Udo Kier como a investigadora paranormal.

Assim sendo, o remake continua sendo melhor. Ou, se preferir, menos pior.

Mas o melhor mesmo é preferir o filme que Poltergeist seria se fosse bom: o já mencionado e simplesmente imbatível O Enigma do Mal (The Entity, de Sidney Furie), feito um ano antes, mas também lançado em 1982.