SADYMANIA
Dando sequência aos posts Locadora de São Paulo (1980s; citando
brevemente O Ônibus da Suruba 2, A.K.A. O Ônibus do Sexo - a obra-prima máxima
de Sady na opinião deste que vos fala), BEM-VINDO AO MUNDO DA AIDS (sobre No
Calor do Buraco) e DE VOLTA AO MUNDO DA AIDS (sobre Emoções Sexuais de um Jegue,
A.K.A. Tesão no Interior)...
SPOILERS sobre A Máfia Sexual (1986, lançado em VHS pela Elite
VP), ''pornô-horror'' repleto de ''Sadysmo'' e transgressões diversas:
Tenho uma teoria maluca (se eu reconheço que tal teoria talvez
seja maluca, então eu não sou insano, certo?) de que Galego, o personagem
vivido por Mestre Sady Baby (o maior cineasta brasileiro de todos os tempos ao
lado do igualmente genial José Mojica Marins, vulgo Zé do Caixão), no seu A
Máfia Sexual, seja, na verdade, um vampiro. Assim sendo, A Máfia Sexual é, na
minha forma de enxergar, um filme de horror. Mesmo que por acidente, e não por
concepção.
No filme de apenas uma hora de duração, o fugitivo da prisão
Galego dorme em um caixão, bebe sangue do pescoço de um infeliz (o pastor interpretado
por Bimbim - ''Ô CRENTE FILHO DA PUTA'') e, em um certo momento, parece ser
capaz de estar em dois lugares ao mesmo tempo (teletransporte?) - o que
alimenta o teor surrealista / absurdo de algumas sequências do cinema amalucado
de Sady. Falando em aspectos surreais, o personagem do Renalto Alves é, afinal
de contas, um policial ou um parceiro de crime de Sady?
Um dos destaques do filme vai pra doentia cena envolvendo uma
prostituta e uma grande quantidade de óleo queimado. Mas nada é mais marcante
do que os instantes finais, quando A Máfia Sexual parece abandonar o terreno da
ficção e embarcar no mundo autobiográfico, com Sady atrás das grades reclamando
sobre as dificuldades de se fazer pornografia no Brasil. É quando vemos
recortes (reais) variados de jornais, com matérias sobre problemas enfrentados
por Sady graças aos seus filmes, alguns deles proibidos de circular, como Caiu
de Boca e Come Tudo (AKA Alucinações de um Gozador)...
O notório espetáculo sexploitation termina com uma X-Tayla (mais gatinha
do que nos outros filmes; aliás, o filme é cheio de mulher bonita, o que não é
lá algo muito comum nos filmes de Sady) passeando por cartazes de filmes como
os controversos Caiu de Boca e Emoções Sexuais de um Cavalo. São trabalhos de
Sady que, assim como boa parte de sua filmografia, correm o sério risco de
ficarem perdidos: já que, muito tristemente, as nossas distribuidoras de vídeo
não dão a mínima para esse nosso patrimônio vivo chamado Sady Baby.
VIVA SADY BABY!!!
Material Extra:
Farei também breves comentários sobre o ''trauma movie'' Paraíso
da Sacanagem, dirigido por José Adalto Cardoso e Luiz Antônio de Oliveira, que
é a estreia de Sady no cinema de sexo explícito.
O Wikipedia credita o filme como sendo de 1984, mas a contracapa
da VHS brasileira (da Shat) diz 83. A mesma fitinha diz também que o filme foi
uma das maiores bilheterias do Brasil na época. Vai saber se isso é verdade ou
não.
Enfim...
Nunca imaginei ser capaz de odiar um filme estrelado por Mestre
Sady Baby, mas certas deploráveis sequências escatológicas e zoófilas de
Paraíso da Sacanagem ultrapassam todos os limites do aceitável. PQP. A cena do
cachorro me fez mostrar os dois dedos médios pra tela, e mandar o filme tomar
no cu. Detestável. Só de lembrar daquela porra de sequência, fico com vontade
de vomitar. Não posso mais ver cachorro na rua que me recordo imediatamente
daquelas malditas imagens, que talvez me assombrarão para sempre. Quero me
esquecer de que vi essa desgraça. As sequências hardcore do filme são tão escrotas
que até me deram pesadelos.
É, temos que ter em mente que Paraíso da Sacanagem é um filme COM
Sady Baby, e não um filme DO Sady Baby, que aqui limita-se apenas a atuar (é o
protagonista ao lado de sua ex-namorada Zilda Mayo) e ser responsável pelo argumento.
É até estranho vê-lo interpretar o tal Nico (toma essa, Steven Seagal), um tipo
até tímido e correto, que respeita o próximo e se dá bem com as pessoas. Muito
diferente de seus personagens mais conhecidos, fucking scumbags criminosos que
saem ofendendo e agredindo meio mundo.
A cena mais curiosa é o momento autobiográfico onde Sady aparece
jogando futebol, até que uma lesão o retira do jogo. É uma rara oportunidade de
nós, fãs do ator / cineasta, de o vermos na sua profissão pré-Sétima Arte.
Outra curiosidade é a trilha picareta, que usa um trecho da música de Laranja
Mecânica! E dá-lhe Kubrick surtando no caixão estilo a Catriona MacColl em
Pavor na Cidade dos Zumbis.
De resto fica a trama policial e com toques dramáticos, onde Sady
buscará se vingar do seu pai (uma situação recorrente em sua filmografia),
sujeito inescrupuloso que causou a morte de sua mãe. Vemos também algum gore.
A obra é uma curiosidade que serve para conferirmos Sady em um
raro papel de herói, e não vilão ou anti-herói. Mas quem não for fã do mestre
irá se ofender pra caralho ao assistir Paraíso da Sacanagem. Na verdade, até os
fãs de Sady poderão se chocar aqui. Se esse é o Paraíso, fico imaginando como
seria o Inferno...
PS: Na Zingu! também há uma resenha de Paraíso da Sacanagem. Foi
graças ao texto do expert em Boca do Lixo Matheus Trunk que fiquei sabendo que
existem duas versões do filme: uma sem sexo explícito (assinada por Oliveira) e
a hardcore (dirigida por Cardoso), que foi a que assisti. Teria a versão
inicial, sem os enxertos XXX, também sido lançada em VHS?











