sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Aventuras / Desventuras na Mostra 2016










Filmes vistos na Mostra (título completo: Mostra Internacional de Cinema de São Paulo) de 2016...

(A postagem que inicialmente se chamaria: Fuckin' Freakin' Over Friggin' Friedkin: Meeting Mr. William Friedkin.)

Após uma tentativa fracassada de conseguir ingresso para a sessão gratuita de Persona (AKA Quando Duas Mulheres Pecam - título que é vergonha alheia total) seguida por debate sobre o mesmo, eis que o primeiro dos cinco filmes que assisti na Mostra de 2016 foi...

Filme # 1: Variety (1983, Bette Gordon)
Cotação = * (fraco)

Eu nem teria visto este filme, e fui mais na seção como desculpa para encontrar o amigo Denis e, além de bater o papo nerd-cinéfilo de praxe (o de sempre: sentir a falta de David Prior, mandar a dupla Spielberg / Lucas tomar no olho do cu, debater qual Paul Anderson é o menos pior, se é o Thomas ou o WS, etc), poder finalmente fazer uma negociação de filmes que estamos tentando realizar desde o começo do ano.

Como o Denis não apareceu (''standing me up''), tive que encarar sozinho (com mais cerca de 30 infelizes espectadores na sala, sendo que alguns mais sensatos pularam fora durante a exibição da trasheira no pior sentido do termo; já o seu humilde e sofrido narrador aguentou a sessão de horror até o seu término, na ilusão de que o treco poderia ficar menos pior) uma hora e quarenta minutos do filme da tal Bette Gordon, de quem jamais havia ouvido falar, mas que já estava com o pé atrás desde o primeiro instante. Afinal de contas, alguém aí saberia citar uma única grande cineasta mulher na história do cinema? Pois é, foi o que pensei. Talvez a que chegue mais perto seja Mary Lambert, que fez dois filmes bastante interessantes em um mesmo período (a segunda metade dos anos 80): o terror Cemitério Maldito (AKA Cemitério de Animais, AKA Cemitério da Morte - títulos da cópia em VHS ''alternativa'') e a bizarrice inacreditável Marcas de uma Paixão, um dos principais ''drug movies'' dos anos 80. Ainda assim, não sei se poderíamos chamar os dois de obras-primas e, ao olhar o resto da filmografia de Lambert, fica claro que a balança pesa mais pro lado negativo. Já diretoras como Asia Argento, Claire Denis, Catherine Breillat, Jane Campion e a indescritivelmente horrorosa Kathryn Bigelow (a nossa - ? - ''querida'' mulher-macho) nos levam a perguntar como podem ser tão celebradas, se colecionam tranqueiras indefensáveis em suas carreiras. A ''nossa'' Laís Bodansky (sei lá se se escreve assim) também entra nessa relação, já que cometeu o indefensável As Melhores Coisas do Mundo, vergonha alheia total com atuações ''marcantes'' de Fiuk e grande elenco.

Anyfuckingway...

Não vi os outros filmes de Gordon (outros dois dela também foram exibidos na Mostra 2016: Handsome Harry, de 2009, e O Afogamento, desse ano, que faz o desserviço de ressuscitar a Julia Stiles), mas Variety já deixou a pior impressão possível. Uma espécie de versão desastrosa e metida a besta do clássico nacional O Olho Mágico do Amor (estrelado por Carla Camurati) Variety acompanha uma mulher (Sandy McLeod) que fica obcecada por um certo frequentador do cinema pornográfico (que dá o título do filme) onde trabalha na bilheteria. Alguns rostos conhecidos como Will Patton (Contatos de Quarto Grau) e Luiz Guzman (Oz) aparecem em início de carreira, o que pode interessar como curiosidade.

No mais, o filme pode ser visto como um entediante estudo do tédio, onde nem a música do também ator John Lurie (parceiro habitual de Jim Jarmusch) serve de consolo.

Ainda mais chocante é pensar que o filme já havia sido programado na Mostra na década de 1980. Quer dizer que, não contentes em exibir a atrocidade numa edição, alguém da curadoria do evento disse todo pimpão ''VARIETY PRECISA SER REDESCOBERTO: VAMOS PASSAR O FILME DE NOVO'', WTF???!!!

No fim da sessão, vi alguns dos sobreviventes reclamar que não gostaram do filme. É ''nóis'': Variety chupa bolas de macaco. Eita chatice do caralho. Para piorar, as legendas apareceram fora de sincronia durante os longos 100 minutos do negócio.

Mas pelo menos foi de graça: me odiaria pro resto da vida se tivesse pago pra ver isso. Se bem que... Pensando bem, teve os R$ 7.60 da condução, portanto... PQP, de certa forma eu paguei sim pra ver isso. Caralho. Puta que pariu. Me fodi legal.

E pensar que Variety tomou o lugar que poderia ser ocupado por um Wiener Dog, The Neighbor, The Good Neighbor, 31, entre tantos outros. É o padrão Mostra: quantidade acima de qualidade. O foco e a seleção rigorosa que se explodam.

E dá-lhe neguinho disputando quem viu mais filmes no mesmo dia, quando o ideal seria ver o mínimo possível.

Portanto...

Prefira O Olho Mágico do Amor, anterior e infinitamente superior.

PS: O Mattheus (check spelling) Carrieri estava presente na seção. Curioso ver um ator pornô na sessão de filme com temática porn.

Trio William Friedkin:

Filme # 2: Viver e Morrer em Los Angeles (1985)
Cotação = ***** (excelente)

Filme # 3: Parceiros da Noite (1980)
Cotação = **** (muito bom)

Filme # 4: Operação França (1971)
Cotação = **** (muito bom)

Quando soube que o lendário William Friedkin em pessoa viria para São Paulo para uma masterclass, estava certo de que eu não poderia perder o evento de maneira alguma. Encontrei uma forma de comprar o ingresso de Operação França pela Internet, sendo que o encontro com o diretor de Viver e Morrer em Los Angeles, O Exorcista, Síndrome do Mal e outros aconteceria logo após a sessão de Operação França, na sala 1 do Shopping Frei Caneca, no Domingo 30 de Outubro.

Na noite de 29 para 30 acabei nem dormindo pensando que, às 20H daquele Domingo, iria ver de perto o realizador de Viver e Morrer em Los Angeles, um dos meus filmes favoritos de todos os tempos. Até levei a capinha do DVD deste filme, mais as capas das VHS dos obscuros Caminhos Perigosos: Danger / Caminhos Perigosos (CAT Squad: Stalking Danger) e CAT Squad: Grupo Tático de Elite (CAT Squad 2: Python Wolf) na esperança dele poder autografá-los. Os três Friedkin com Steve James (O Exterminador, Trilha de Corpos, Os Vigilantes / Vigilantes / Vigilante) no elenco portanto. Aliás, os dois CAT (Covert Assassination Team) Squad, assim como Uma Tacada da Pesada, A Árvore da Maldição e Ambição Assassina, nem são citados no livro de memórias do diretor, intitulado The Friedkin Connection.

O fanatismo é tão forte que levei até fitas VHS com Parceiros da Noite e Viver e Morrer em Los Angeles GRAVADOS DA TV ABERTA (na década de 90) para ele autografar! (Fitinhas que tive a sorte de adquirir juntas por 4 reais numa feira do rolo, dois anos atrás.)

Passei então a noite anterior fazendo uma overdose de episódios do melhor podcast ever em toda a história mundial dos podcasts, o saudoso A Gente em 86 (destaques para as edições sobre VHS, fita K7, pornochanchada, Street Fighter, fliperamas e Cavaleiros do Zodíaco), que foi seguido por uma revisão final de Persona, já que deveria me desfazer do DVD a seguir. A sessão de Persona também foi com o propósito de me preparar para conferir a exposição do filme lá no Itaú Cultural.

Cheguei então no Shopping Frei Caneca às 13H15 daquele Domingo e veio a tragédia: Friedkin cancelou sua vinda à São Paulo por causa de uma infecção no ouvido.

Como o ingresso foi comprado pela Net e não poderiam me devolver o dinheiro, perguntei se poderia ter alguma compensação por causa disso, já que só comprei o ingresso (22 reais + R$ 3.10 de taxa; caro pacaray) de Operação França para poder ver seu autor. Assim sendo, a simpática moça do estande da Mostra me arranjou dois ingressos extras para conferir qualquer seção que quisesse do festival.

Disse para mim mesmo portanto: ''vou passar o dia vendo filme do Friedkin''.

Por rápidos instantes me senti meio burro por ter escolhido Viver e Morrer em Los Angeles e Parceiros da Noite, filmes que assisti zilhões de vezes, no lugar de coisas que nunca vi. Mas, apesar de também já tê-los visto no cinema, ambos em 2012 (uma mostra policial no Olido, e Indie no CCSP, respectivamente), nunca os havia experimentado em película, sendo que no Olido e no CCSP também havia sido as edições em DVD nacional pela MGM e Lume.

Poder ver, em sequência, Viver e Morrer, Parceiros e Operação França foi uma oportunidade bastante única de conferir os três principais policiais de Friedkin no cinema, nas cópias adequadas, e compará-los no calor do momento. Percebi detalhes que nunca havia reparado em Viver e Morrer e em Parceiros, quase como se aparições haviam surgido do nada na tela, o que foi bastante inusitado e surpreendente.

Apesar de ótimos, Parceiros e Operação tem lá suas falhas (para ser sincero, não gosto nem um pouco do Popeye Doyle), mas Viver e Morrer é a mais pura perfeição, e nunca, jamais me canso de assisti-lo. Sempre me sinto um tanto tenso quando ele vai caminhando para seus instantes finais, algo bastante particular deste filme em questão. Final absolutamente sensacional, diga-se de passagem.

Uma pena somente a ausência de Friedkin. Queria perguntar pra ele se Parceiros da Noite possui influência giallo. Imagino que sim, mas nada sobre isso é dito no seu livro.

No mais, também quebrei a perna por não conseguir ingresso pra sessão do Poesia sem Fim (novo filme de Alejandro Jodorowsky), e por ter vacilado e perdido a mostra de Persona.

O Jogo dos 7 Erros: As Aventuras de Sergio Mallandro





As minhas duas VHS d'As Aventuras de Sergio Mallandro, uma das maiores bizarrices já cometidas pelo ser humano: a da TransVídeo, e a da Tela 1 (Tela Hum) em parceria com a própria Ercamp. A da Tela 1 me custou apenas 1 real, e foi adquirida em um sebo que fechou logo em seguida (para virar uma loja de sapatos), no final de 2006. Já a da Trans eu paguei 2 reais, e a consegui, dois anos atrás, num sebo que não possui mais nenhuma VHS. E reza a lenda de que o filme também foi lançado pela HiperVídeo, já que, em uma edição da Jornal do Vídeo, tem uma nota falando sobre uma curiosa parceria entre a Trans e a Hiper. Se não me engano, até falava que uma estava relançando coisa da outra - mas, como não tenho essa edição (e faz tempo que li a nota), não tenho certeza se é isso mesmo.

Krull (1983)

Retrospectiva Completa Caverna do Dragão Parte Extra: Krull, AKA Dungeons & Dragons (1983)

ONCE YOU GO NERD
YOU'LL NEVER BE CURED

Krull é daqueles filmes que nunca me despertaram o menor interesse em assistir, assim como alguns outros exemplares mainstream oitentistas, como Curtindo a Vida Adoidado e Os Goonies. São coisas com as quais sempre tive um mal pressentimento, ou então puro desinteresse mesmo, mantendo natural distância dos mesmos - conferindo, no máximo, um ou outro trecho por acidente. Mas, ao contrário d'Os Goonies, acabei vendo o filme de John Hughes em meados de 2011 - e confirmando as minhas suspeitas: definitivamente não é a minha praia.

Portanto, sim, Krull, dirigido por Peter Yates (de Do Fundo do Mar e do injustamente endeusado Bullit, com o finado canastrão Steve McQueen - Steve McQueen cineasta >>>>> Steve McQueen ''ator'' - algo muito pequeno quando comparado a um Os Novos Centuriões, Viver e Morrer em Los Angeles ou Vício Frenético) em 1983, também aparecia nessa lista de ''não vi e não gostei'', e as leves comparações a Star Wars só diminuíam ainda mais o meu interesse. Isso é: até o dia que vi que um dos (supostos) AKAs de Krull é, bizarramente e inacreditavelmente, DUNGEONS & DRAGONS!!! Foi aí que decidi que era hora de finalmente assisti-lo.

A sinopse: o aspirante a rei Colwyn precisa salvar sua noiva Lyssa de um perigoso inimigo. Para acompanhá-lo na missão, tem a ajuda do mago Ergo, de um ciclope que é uma espécie de versão deformada do Thornton de Deadly Prey, e de um bando de renegados, que inclui um jovem Liam Neeson - que já havia aparecido no algo similar Excalibur.

Além da Besta, há outros perigos, como os slayers, uma amedrontadora areia movediça, paredes esmagadoras e outros ''pobremas''.

Infelizmente, sim, há ecos Starless-Whorianos na trama (os lamentáveis slayers são reminiscentes dos igualmente lamentáveis stormtroopers), mas, felizmente, eles são reservados para breves instantes no começo e no fim de Krull. De resto, é uma fantasia épica / medieval que será um prato cheio para os eternos nerds de coração entusiastas de Conan: O Bárbaro (e sua sequência Conan: O Destruidor, e mais Guerreiros de Fogo), O Senhor dos Anéis, Harry Potter (devo admitir que não acho os dois As Relíquias da Morte ruins - os aspectos depressivos, pessimistas e de horror me surpreenderam na época que os vi; já o resto da saga não me encanta), além dos menos cotados (mas certamente não menores) O Senhor das Feras / O Príncipe Guerreiro (The Beastmaster) e A Espada e os Bárbaros (The Sword and the Sorcerer). Há também o melhor de todos nessa linha: A Lenda dos 8 Samurais (The Legend of 8 Samurai), de Kinji Fukasaku - cineasta que só realmente pisou na bola no horroroso Mensagem do Espaço.

Além do espetáculo de fantasia, e de rápidos trechos de ficção científica, o filme oferece algo mais. Um fator interessante de se notar, é que a bizarrice toma conta da produção cada vez que vemos Lyssa no cativeiro. É quando se desenvolve uma série de imagens hipnóticas e brevemente lisérgicas, que remetem aos melhores ''trance movies''.

No fim das contas, Krull acaba sendo uma aventura heroica e empolgante auxiliada por uma horda de efeitos especiais com a cara dos anos 80; e a trilha sonora também é adequada. Um cult envolvente e empolgante, que não se leva a sério, mas que também não se menospreza. Recomendado.

''Cada um com seu destino.''

PAU NO CU DO MUNDO

AENIGMA EM BLU-RAY.

AENIGMA EM BLU-RAY.

AENIGMA EM BLU-RAY.

Eis que o filme mais injustiçado na carreira de Lucio Fulci é lançado em BD na Inglaterra.

Já são mais de dez lançamentos de filmes do mestre no formato. Enquanto isso no Brasil... Nothing ever happens, e ninguém jamais lança qualquer coisa remotamente arriscada. Na verdade, até coisas óbvias e de forte apelo popular, como, por exemplo, 12 Anos de Escravidão, não são lançadas; ou são lançadas de forma inferior ao tratamento da gringolândia.

RIP mercado brasileiro de home video.

E...

FUCK YOU STEVEN SPIELBERG, JJ ABRAMS & GEORGE LUCAS. É FULCI NESSA PORRA, CARALHO.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

The World of Kanako (2014)



Um ex-policial (interpretado por Koji Yakusho, ator favorito de Kiyoshi Kurosawa), decadente e alcoólatra, tenta descobrir o paradeiro de sua filha, recém-desaparecida. No percurso, cruzará toda sorte de scumbags terminais, sejam mafiosos, policiais ou membros da juventude desperdiçada.

Mais um trabalho ultra-niilista, lesado e sanguinolento do realizador de Confessions (2010), talvez o feel-bad movie definitivo dos anos 2010 até o presente momento. Kawaki / The World of Kanako (ou O Mundo de Kanako, que é o seu título ''alternativo'') traz ingredientes como pedofilia, estupro de mulheres e de homens, prostituição, drogas, bullying extremo e Yakuza, além de um final ''from hell'' que faz ligação com sua obra-prima Confessions - onde uma professora (interpretada pela ex-musa juvenil e também cantora de JPop Takako Matsu, de April Story) buscava vingança contra os alunos responsáveis pela morte de sua criança.

Enquanto Takashi Miike segue fazendo seus incontáveis filmes onde a sangreira acontece pela sangreira, e os aspectos WTF também surgem ''for the fuck of it'', Tetsuya Nakashima segue um caminho mais parecido com o de Sion (Shion) Sono, da franquia All Night Long e dos filmes sul-coreanos de vingança. São obras que, apesar de ultra-violentas, possuem sim um conteúdo responsável e autoral, além de críticas diversas. (Enquanto isso, Miike parece buscar se tornar uma espécie de herói dos otakus desequilibrados e antissociais...)

Kawaki é ''two thumbs up''. Só um aviso camarada: o estilo ''videoclipeiro'' poderá causar epilepsia e / ou dor de cabeça nos mais sensíveis. Mas não espere uma tranqueira estilo o último Mad Max (Estrada da Fúria): ao contrário daquela tralha mainstream, há um motivo por trás do clima frenético de Kawaki.

E o trailer é um espetáculo à parte.


PS: Para a semana que vem, pretendo resenhar dois eventos cinematográficos recentes de SP. Um que teve sua repescagem finalizada esse mês (e em que eu quebrei a cara diversas vezes), e outro que deverá ocorrer nesse fim de semana.

KKKK

''Nunca existirá saga completa de nada, assim como nenhuma edição definitiva jamais será definitiva. E 4K no Brasil só se for KKKK.''

Concordo 100% com tudo isso.

O Jogo dos 7 Erros: De Volta às Aulas (AKA De Volta à Escola)


Tenho uma regra de nunca, jamais postar scan de VHS dos outros, mas tive que abrir uma exceção aqui. É um caso único na história: duas capas diferentes da mesma VHS ''alternativa''. A primeira capa é da minha VHS, e a segunda é da fitinha do Ivan Ferrari. Ela também saiu de forma selada, presente no Reduto do VHS.