Este post servirá como uma espécie de antídoto para a dobradinha maldita composta pelos horrorosos Crocodilo: A Fera Assassina e O Maníaco do Parque, devidamente massacrados ao extremo na publicação anterior deste blog.
Após realizar o maravilhoso A Breve Noite das Bonecas de Vidro (1971, o meu giallo favorito de todos os tempos, que, inclusive, já foi resenhado aqui no 7NEC; não deixarei porra nenhuma de link - os devidos interessados que usem a barra de busca ali encima para procurar essa postagem de, acredito, 2019), o extremamente frustrante Quem a Viu Morrer? (1972, estrelado pelo otário canastrão do George ''000'' Lazenby e contando na trilha sonora com uma das piores composições do nem sempre genial Ennio Morricone) e muito antes do ainda muito pior Círculo do Medo (1992, um vergonhoso mix de giallo, trama de mafiosos e thriller erótico), Aldo Lado realizou essa curiosa produção Delitto in Via Teulada. (Além desses 4 gialli, Lado fez também duas variações - ou remakes disfarçados - do clássico Aniversário Macabro; que, aliás, já era um remake por conta própria. São eles: o sensacional Assassinatos no Expresso da Meia-Noite, de 1975, e o muito bacana A Noite do Desespero, de 1993. São dois filmes que, erroneamente, até chegam a figurar em algumas listas giallo, como na da Cine Monstro. Porém, o primeiro não tem nada de giallo e, o segundo, apesar duma introdução totalmente nessa linha, e duma certa atmosfera slasher em alguns momentos, também vai para uma outra vibe. Portanto, essa dobradinha aí não merece ser classificada como giallo ou giallesco.)
''Curiosa por quê, tio Marcio?''
Por uma série de motivos.
A principal é o formato incomum de Delitto in Via Teulada. A produção televisiva foi originalmente exibida em 1979 em 15 partes de 5 minutos cada, para, no ano seguinte, ser condensada em um telefilme de 1H03, eliminando algumas coisinhas, entre elas dois assassinatos que contradiziam a revelação WTF final. A versão original em partes-tiras-listras foi intitulada Giallo a Strisce. Já o telefilme de 1980 se chamou Delitto in Via Teulada.
Outro detalhe curioso é a utilização em Delitto da trilha sonora composta por Fabio Frizzi para o clássico Pavor na Cidade dos Zumbis, do mesmo ano. Mas tem um porém: Delitto foi lançado meio ano antes. Curioso, não?
A trama de Delitto, ambientada nos estúdios da RAI, envolve um filme dentro do filme, no caso um giallo dentro de outro giallo (e é engraçado que o ator que faz o diretor giallo da trama se chama PAOLO BARONI - quase o mesmo nome do carismático trutão do nosso ranzinza favorito Regis Tadeu, o Paulo Baron). Na verdade, existe todo um tsunami de produções e atividades acontecendo ao mesmo tempo dentro da RAI, e, entre esses acontecimentos todos, um assassino misterioso inicia suas estripulias, entre elas um assassinato e outro aqui e ali.
E devo dizer que, apesar de alguns ataques infelizmente meio mal coreografados, Lado consegue sim criar excelentes e atmosféricas situações de suspense e tensão (um dos destaques supremos é uma memorável sequência de stalking que dura dos 21 aos 28 minutos do filme), na linha de algumas das melhores coisas já feitas por Dario Argento em sua época áurea.
Ahh, e, por falar em Argento, é interessante notar os incautos gerais surpresos com o fato de que Black Glasses, o retorno de Argento ao cinema (após o catastrófico Drácula), é um giallo com uma protagonista cega. Bem, eis que Delitto já era um giallo com protagonista cega mais de QUATRO DÉCADAS antes do filme novo do Argento.
A protagonista cega de Delitto é vivida por Auretta Gay (ou Auretta Gai, como é creditada aqui), mais lembrada pelo Zombie (ou Zumbi 2): A Volta dos Mortos, do mestre Lucio Fulci. (Aliás, reza a lenda que ela teria desistido da carreira de atriz por ter sido humilhada por Fulci durante as filmagens daquele clássico de zumbis...)
Enfim, com ângulos e tomadas bem interessantes, confundindo realidade e ficção, um clima geral de mistério muito eficiente, algumas mortes cabulosas, um dinamismo incrível, um suspense muito bem construído e um plot twist bem absurdo, Delitto in Via Teulada (ou Giallo a Strisce) é uma ótima pedida para os doentes completistas do fascinante universo giallo. Parece mesmo jamais ter sido exibido fora da Itália, e bem que poderia ser descoberto por uma Arrow da vida, e lançado de forma luxuosa em Blu-ray ou pelo menos em DVD. Enquanto isso não acontece, saiba que o filme está disponível no YouTube: já o tinha conferido tempos atrás com o áudio todo esculhambado (desaparecendo de tempos em tempos) e sem nenhum tipo de legenda; mas, agora, o filme já está disponível com o áudio OK e legendas em inglês. Uma boiada e tanto para os entusiastas dos filmes de matança.
PS: Apesar de continuar meio doente, talvez eu vá essa noite em um evento emo com covers de Avril, MCR e Blink. Já vi esse Blink Cover uma vez, e eles só tocaram uma mísera canção da época do line-up original, que foi Dammit - é, pelo menos, optaram pela melhor música ever do Blink. Já o MCR Cover já está me dando nos nervos porque, que a verdade seja dita, eles odeiam o Bullets e raramente tocam algo daquele álbum - a única obra-prima do MCR, e o único disco da banda sem nenhuma faixa ruim (já que o The Black Parade possui três canções ruins e o Revenge possui quatro). Chega a ser ofensivo ver esses caras tocar coisa do Danger Days em TODOS os shows, além das xaropices The Ghost of You e Mama em TODOS os shows também. Isso é tipo um cover de Iron Maiden que toca coisa do Blaze em todos os shows, e também toca Wasting Love e Blood Brothers em todos os shows, mas se recusa a tocar coisa da fase Paul Di'Anno. Já perdi as esperanças com esse cover de MCR e nem peço mais coisa do Bullets para eles (dos quatro shows que vi, tocaram uma só - Vampires Will Never Hurt You - em um show apenas), já que, com eu pedindo, talvez até seja mais difícil deles tocarem alguma do grande álbum do MCR. Já sobre esse cover de Avril... Será o primeiro show ever desse cover específico, e estou curioso com o setlist. No passado assisti um show de um outro cover de Avril, e o setlist foi bem fraco. Se bem que, convenhamos, tem certos bê-á-bás da Avril que são muito mais agradáveis do que certas obviedades do MCR e Blink, e outra: as principais baladas da Avril simplesmente DESTROEM as baladas do MCR e do Blink. Chega a ser ridículo comparar obras-primas como Nobody's Home (uma das canções mais perfeitas de todos os tempos), Fall to Pieces e Innocence com xaropices do tipo The Ghost of You (eu queria tanto NUNCA mais ouvir isso na minha vida - sempre odiei essa música e o clipe dela também) e aquelas baladinhas horrorosas do Blink do quarto disco adiante. (Ahh, e, sobre Mama do MCR, seria lindo demais se o MCR Cover anunciasse essa porra e a discotecagem entrasse com Mama das Spice Girls num volume absurdo, hahahaha. Ou ainda mais apropriado: se o DJ mandasse no lugar Mama do Flyleaf, que, inclusive, também é uma banda de fake emo - ou fake screamo - dos anos 2000 que chegou ao mainstream na época. Aliás, Flyleaf é a única banda cristã badass que já existiu até hoje. Flyleaf é tão legal, tanto com a Lacey quanto com a Kristen, que eu até costumo esquecer que é uma banda cristã.)
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