sábado, 15 de maio de 2021

Do Shopping Fantasma e Além... Inesperado Garimpo VHS em Guarulhos: 12 / 05 / 2021 (Featuring Gio ''Sadymasoquista'' Mendes)


 

 

Justo quando eu pretendia dar um tempo nos garimpos de VHS, após as buscas seriamente hardcore feitas em 26 de Abril (quando adquiri um clássico oitentista dos filmes brasileiros de vingança, e com direito a fichinha dentro do estojo) e 3 de Maio (quando tentei recriar o ritual from hell visto no filme A Dark Song na vida real, cometendo pequenos sacrifícios como oferendas aos Deuses do VHS - é, acho que estou ficando mais biruta a cada dia que passa), eis que, graças a um toque do Gio Mendes (o biógrafo oficial do mestre supremo Sady Baby desde o longínquo ano de 2007), fiquei sabendo de uma fonte de VHS em Guarulhos. Eu não pisava lá desde Fevereiro, quando fui lá com o Seu Dado (AKA Gabriel Caroccia), em relato já descrito em detalhes no post do link seguinte:

https://7noites7.blogspot.com/2021/02/10-02-2021-guarulhos-ryoko-n-roll.html

Assim, eu e o Gio nos programamos para ir nessa fonte de VHS verificar as fitas do reduto. Nunca havíamos pisado nessa região específica de Guarulhos, mais ou menos próxima de um tal Shopping Fantasma (!), cuja descrição online foi a seguinte:

''... a área é utilizada para uso de drogas e outras atividades ilícitas...''

''... os desocupados aparecem com arma de fogo em punho...''

''No local ainda é comum a prática de sexo explícito, inclusive, à luz do dia.''

https://www.guarulhoshoje.com.br/2017/10/26/area-de-shopping-abandonado-aumenta-a-inseguranca-dos-moradores-na-vila-fatima/

É, foi para lá que Titio Marcio e o biógrafo do Sady seguiram. Afinal, vale tudo em nome dos garimpos colecionistas.

Ainda mais apavorante do que a descrição acima do tal Shopping Fantasma foi o fato de que, enquanto íamos de ônibus para lá, levei um baita susto ao olhar pela janela uma hora e dar de cara com o teatro Adamastor. PUTA QUE PARIU. Acontece que, nos meus deploráveis dias como funcionário da ultra-hiper-mega-detestável Proguaru, eu cheguei a trabalhar lá nesse Adamastor, em experiências nada agradáveis. Aliás, os funcionários da Proguaru em geral não gostavam nem um pouco de ter que trampar no Adamastor por causa de um sujeito totalmente desagradável lá com as iniciais RQ. E eu fui mais um que teve a infelicidade extrema de conhecer esse sujeito deplorável. Enfim... Fuck those days.

Após mais ou menos uma hora de viagem, eis que eu e o Mr. Sadymasoquista chegamos no Shopping Abandonado. E, após caminharmos por um tempo, chegamos na casa do amigo do Gio - que eu já havia trombado rapidamente em um evento de 2018.

Ao nos avistar, fui imediatamente recebido por ele com fortes elogios:

''Eu vi sua entrevista no Fora de Sintonia. Você é totalmente xarope e louco da cabeça. Bem... Somos todos.''

Há, figuraça esse maluco. E, como não sei se ele quer ser exposto aqui, não revelarei o nome dele na postagem. Também não revelarei o nome do outro cliente dele que já estava no reduto quando eu e o Gio chegamos lá.

Assim, enquanto ele fazia a telecinagem duma cópia em película de um raro filme da Boca do Lixo, que era exibido no recinto, fui lá fuçar as fitas todas - algumas centenas. Não foi fácil já que, para fazer a exibição + telecinagem desse filme (uma obra obscura com a participação do José Mojica Marins / Zé do Caixão no elenco), era preciso deixar as luzes todas apagadas. Assim, eu fui verificando as fitas da forma que era possível: com a luz acesa durante os intervalos para fazer as trocas de rolos, com uma lanterninha nas partes em que era permitida e, nos momentos em que a escuridão era total, fui carregando as caixas de fitas - algumas pesadas pacaray - para o lado de fora do recinto, onde havia luz e eu podia olhar uma a uma. Mas, como não havia muito tempo para fazer a operação toda (já que o carinha que ia comprar a película e a sua cópia telecinada ofereceu carona para mim e o Gio, e ele pretendia ir embora pouco tempo após terminar a negociação dele), tive que correr feito um louco para olhar todas as fitas lá. Nas pornôs / eróticas, tive a colaboração do Gio, já que ele também estava interessado em adquirir algo nessa linha. Mas, nas convencionais, eu estava ''on my own'', hehe. De qualquer, consegui sim checar 100% as fitas do local. Claro que, para isso, tive que focar total e até mesmo evitar conversar direito com a galera lá.

E, por falar em Gio, aí vai a relação das quatro fitas adquiridas por ele na ocasião:

Matar ou Morrer (Clery Cunha)

Penitenciária Sexual (Joe D'Amato)

120 Dias de Anal (Joe D'Amato)

O Amor de Emmanuelle (Francis Leroi)

Dessas eu não tenho O Amor de Emmanuelle e nem Penitenciária Sexual (um WIP XXX que eu até teria, já que é dirigido pelo mestre D'Amato e ainda conta com o doentio Jean-Yves Le Castel, AKA Matador, no seu grande elenco - puta cara perturbado do caralho), mas possuo sim as outras duas: 120 Dias de Anal é bem legal, mas Matar ou Morrer é um lixão que só não é pior do que o seu remake Rota Comando - o segundo pior filme BR de todos os tempos, ''perdendo'' apenas para o lastimável Porta dos Fundos: Contrato Vitalício. (Uma atrocidade que me deixou tão traumatizado que me fez nunca mais assistir PDF a seguir. É sério: depois daquilo eu nunca mais vi um mísero segundo de PDF.)

Anyway...

E numa dessas checadas solo, eis que avistei a lombada ''RAPID FIRE''. PUTA QUE PARIU, CARALHO, ANIMAL. É óbvio que saquei, imediatamente, de que não se tratava da tralha mainstream homônima estrelada pelo finado canastrão Brandon Lee, e sim do último filme do Joe ''Is Pínel'' (O Maníaco em pessoa) que é dirigido por ninguém mais, ninguém menos do que o mestre absoluto DAVID A. FUCKIN' PRIOR - um dos três Deuses Supremos do VHS, ao lado de Lucio Fulci e o nosso orgulho tupiniquim Sady Baby.

Assim, cheguei a marca de 7 Priors na minha coleção, juntamente de Operação Warzone (''Eles falaram que a guerra é o inferno. Eles estavam certos''.), também com o Joe Spinell no elenco, A Batalha Final (que acompanha o épico combate entre Ted ''Mike Danton'' Prior e Robert ''Maniac Cop'' Z'Dar, resultando em um dos filmes mais retardados já feitos), Inferno Branco (a resposta do Prior ao Aniversário Macabro), Trama da Lei (um filme mais bem feitinho do diretor - portanto menos divertido), Desejo Fatal (com a ainda gostosa Pamela Anderson pagando de atriz) e Felony: Quando as Leis São Rompidas (elenco de peso em mais uma obra frenética e mega-trash pelas mãos do mestre do estilo). E, além dessas VHSs, também possuo dois DVDs nacionais levemente diferentes do Pelotão Vampiro (''Eles estão entre nós faz séculos. Eles nunca perdem. E eles nunca morrem.''), que se chamou Pelotão Fantasma na VHS da Wera's, e dois Laser Discs que ainda passarei pro Ivan Ferrari, o maior Prior-maníaco da Bozolândia: Trama da Lei e Código: Assassinato. É isso aí: a Priormania não pode parar jamais, mesmo quase seis anos após a morte do mestre. HAIL PRIOR.

OK, continuando por aqui então.

Encontrei também O Massacre da Serra Elétrica no relançamento dublado via Reserva Especial e Inter Movies, porém, infelizmente sem capa. Mas é óbvio que a peguei da mesma forma. Inclusive, só havia trombado essa fita uma única vez na vida inteira, e só na época das videolocadoras com VHS (e em Nova Friburgo - Rio do Janeiro), uns 15 anos atrás ou mais. Ou seja, posso dizer que JAMAIS trombei essa fita em São Paulo na minha vida inteira.

E eis as demais seladas que comprei lá:

Operação Júpiter (Mega), dos anos 70, que é um sci-fi com pitadas de horror vindo da Alemanha. No elenco, o malucão Dieter Laser. Sim, ele mesmo: o vilão insano das partes 1 e 3 da trilogia A Centopeia Humana.

Justiça Total (Taipan / Tupã), um suspense de vigilantismo sobre uma família fodida sendo obrigada a fazer justiça com as próprias mãos. Há, inclusive, essa porra é tão obscura que nem possui um único review no IMDB.

Rambo: Programado para Matar (dublado, TrashStar). Essa é a terceira VHS que possuo do filme (que eu gosto sim, ao contrário das horrorosas partes 2 e 3, que faço questão de não ter em VHS - já o 4 e o 5 nem saíram no nosso formato de estimação). Antes dela, eu já tinha a VHS ''alternativa'' e também o primeiro lançamento selado, legendado, via TransVídeo. Além dessas três fitas, também tenho um anúncio de época da VHS da TransVídeo (com uma capa totalmente diferente daquela que conhecemos - teria a Trans também lançado o Rambo 1 com aquela capa???), dois DVDs algo diferentes pelo selo Tiozinho da Esquina Home Video, e também o primeiro Blu-ray americano do filme, lançado nos primeiros meses de vida do ''Rai-azul''.

Guerra da Cocaína (Zircon), uma ação trasheira oitentista dirigida por um argentino (Hector Olivera).

No Coração do Perigo (dublado, Crival). Crival foi um selo obscuro pra caralho especializado em fazer relançamentos de coisas chinesas de punkadaria: Moon Lee, Jackie Chan, John Woo, porras assim. E é justamente do Woo esse No Coração do Perigo (Heroes Shed No Tears), um insano tributo a coisas como Teruo Ishii, O País do Sexo Selvagem / Mundo Canibal (1972, do Umberto Lenzi, o ponto de partida do ciclo italiano de canibalismo) e a cinessérie O Lobo Solitário. E é cabuloso pensar que a contagem de corpos de No Coração do Perigo chega a inacreditáveis 323 cadáveres :) Woo adora mesmo uma carnificina. (Isso é, até ele ir pros EUA e mostrar pra todos nós de que gosta mais de $$$ mesmo. Nada mais do que outro fucking sellout que já foi genial um dia.)

OK, essas foram as seladas. Além delas, peguei também quatro fitas ''alternas'' / ''paralelas'' / ''trepadas'':

Execução Sumária / Instant Justice (lançada selada pela Warner), uma ação trasheira e de vingança feita em 1986 - que eu já tinha de forma oficial - que conta no elenco com a recém-finada Tawny Kitaen. Para quem não sabe, ela é uma sex symbol dos anos 80 famosa por ter namorado rockstars como David Coverdale (Whitesnake, Deep Purple) e o saudoso Robbin Crosby (Ratt), além do canalha OJ Simpson. Como bem disse o poeta: ''OJ Simpson não gosta de Ratt. Isso já é mais do que o suficiente para considerá-lo CULPADO.'' Hahahaha, nós somos nerds demais. (MOMENTO DIGRESSÃO: Por falar em Ratt, recomendo a entrevista que o Régis Tadeu fez recentemente com o vocalista Stephen Pearcy lá no YouTubug.)

Que Sorte Danada! / Outrageous Fortune (lançada selada pela Abril), uma comédia débil de 1987, com o Peter Coyote (Comando Out / Desvio Mortal / Fúria Terrorista) no elenco. O engraçado e curioso é que a fita selada possui a mesma capa da pirata, porém com a arte de cabeça para baixo. E, pelo que pesquisei aí, foi só mesmo no Brasil que fizeram isso com a capa do filme. Ou seja, agora eu provavelmente terei que pegar essa porra selada também...

Calendário da Morte, AKA O Calendário da Morte / The January Man, de 1989, uma mistura bizarra de dramédia com thriller policial, numa trama de serial-killer ''on the loose''. E o melhor de tudo: aparentemente, o filme é inédito no Brasil em home video. Ou seja, esse aqui foi o grande destaque desse quarteto de bootlegs.

Esqueceram de Mim / Home Alone (lançado e relançado no nosso mercado selado - by Abril & Fox), de 1990. É, mais uma fitinha alternativa noventista na minha coleção, após Tudo por Amor / Forever Young e O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final / Terminator 2: Judgment Day, ambas de 1991. Se, por um lado, eu não tenho 1% de interesse em adquirir essa tranqueira selada, por outro eu gostaria sim de adquirir a VHS nacional, numa cópia dublada pela LK-Tel, do filme francês que teria sido plagiado pelo imbecil do Chris Columbus aqui: Fim de Jogo / Deadly Games (1989) - obra muito curiosamente lançada em Blu-ray 4K nos EUA.

Assim, já são 9 fitas alternativas adquiridas por mim desde o momento em que retomei a coleção de VHS, após 10 meses e meio 100% afastado do meio. As outras 5 são a já citada T2 mais Big / Big Shot (Quero Ser Grande - que ainda originou a comédia pornô BIGGER: O MEU É GRANDE, hahahahaha), Calígula (um achado e tanto essa alterna), Casualties of War (Pecados da Guerra / Pecados de Guerra) e No Mercy (Sem Perdão).

Ahh, e, além dessas minhas 11 fitas adquiridas lá em Guarulhos, ganhei de brinde uma capa que estava perdida por lá. Se trata de Conexão Brazil 5: Perversão Anal no Brasil (do selo Conexão Brazil), pornô demente do Max Hardcore / Max Steiner barbarizando as brazucas sem dó nem piedade, inclusive com aparelhos ginecológicos. Teve até pornstar brasileira que desistiu do ramo após passar pelas mãos desse lunático fugitivo do hospício. Enfim, é uma pena que a fita em si não foi localizada em lugar nenhum, já que Max HC é sempre bem vindo na videoteca. E, além do mais, eu tenho comigo faz tempo a Conexão Brazil 4, também com o Max aprontando no BR e traumatizando para sempre as nossas pobres atrizes pornô. E é foda que é só olhar pra cara do Max HC - o ''Caubói da Putaria'' - que a gente saca na hora que o cara tem vários parafusos a menos. Puta sujeito xaropeta, hahahaha.

Se tratando de cotações, numa escala de 0 a 5 estrelas, todas essas fitas merecem, a meu ver, entre 3 e 3.5 no fim das contas. (O Massacre... dublada receberia 4 se tivesse a capa, mas recebe 3.5 sem ela.) Quer dizer, todas essas fitas menos a Prior. Rapid Fire merece, na minha opinião, 4.5 sim senhô.

Porém, agora praticamente não restou mais nada interessante lá. Eis algumas fitas interessantes que ficaram para trás: O Telefonema / Call Me, Freddy 6 (lixão) e 7 (mais lixo ainda), algumas Crival sem capa e alguns pornôs do milênio passado. Acho que só.

Bem...

Apostei todas as fichas nesse rolê e, novamente, ficou comprovado que os garimpos de VHS de 2021 estão a todo vapor. Na volta, ainda, eu e o Gio aproveitamos para comer um hot dogão cabuloso - bom demais mesmo, e não com aquela porra de salsicha da marca Aurora, que quase matou o seu humilde narrador algum tempo atrás.

É issaê, galera...

NÓS VAMOS EM BUSCA DAS FITAS MAIS FORTES. É ''NÓIS'' NAS FITAS. (E um pequeno detalhe aqui: se vocês gostam desses meus relatos de buscas por VHS, vocês precisam agradecer ao Alex ''Relíquias do Terror'' Gouveia por isso. Afinal, é graças a ele - me conseguindo o single Jeans da Ryoko Hirosue - que eu voltei a colecionar as nossas adoradas e eternas fitinhas. Sem aquele single japa, eu ainda estaria afastado dos rolês por VHS até hoje.)

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(Post escrito ao som da curta discografia do Hey Monday, com as suas 12 melhores faixas recebendo algumas repetições. PQP, aquele refrão da Hurricane Streets é uma das coisas mais cabulosas de todos os tempos. Como pode uma banda claramente colorida - que influenciou as fases mainstream do Cine e do Restart - e com um nome puramente nonsense ser tão indescritivelmente sensacional... Só sei que, se tivesse que escolher entre HM e Bi Chemical Romance, eu certamente entraria em curto-circuito e ficaria num impasse eterno. É simplesmente impossível para mim decidir qual das duas foi a melhor coisa da história da emolândia mundial; sendo que Scary Kids Scaring Kids (RIP), The Used e a fase ''emonóide'' do AFI / A Fire Inside - que contou com bizarras participações especiais de integrantes do WASP e do Steel Panther - vem logo a seguir, nessa exata ordem, formando o meu TOP 5 do estilo. HAIL FAKE EMO. HAIL FAKE SCREAMO. CHUPA, REAL EMO. ENGOLE ATÉ AS BOLAS, REAL SCREAMO. FUCK OFF, PURISTAS.)

 





 

sexta-feira, 14 de maio de 2021

Marica Hase Antes do Cinema Pornográfico... Cine-Desgraça = Ôru Naito Rongu 6: Daredemo Yokatta / All Night Long 6: Anyone Would Have Done (2009, Katsuya Matsumura)


 

 

(Sigo aqui o lance de fazer ao menos um post por semana nessa bagaça - regra essa que, finalmente, parece que estou conseguindo honrar dumas semanas para cá. Aleluia.)

OK, mais uma postagem desgraçada, grotesca e degradante de encomenda para vocês.

Antes de se tornar uma das pornstars ''nipornicas'' mais famosas da história, a ''whoriental'' Marica Hase tentou a sorte no cinema sério (?) com essa desgraceira demente: o sexto capítulo da insana franquia Ôru Naito Rongu / All Night Long, um exercício de sadismo refinado só para iniciados que teve o seu início lá em 1992. É sim bem interessante vê-la num filme de horror extremo de 2009 pertencente à franquia All Night Long, antes dela passar toda a década seguinte tomando paulada em todos os buracos ''All Day Long''. Ou seja, ela seguiu o mesmo rumo tomado pela Teri Weigel (Psicose para Matar / Cheerleader Camp) e pela Ashlyn Gere / Kim McKamy (Cannibal, AKA ''Canniboy'', hehe / Lunch Meat) no Ocidente - o rumo das cachorras que trocaram o horror pelo pornô; ao contrário das Traci Lords da vida, que fizeram o contrário.

Tendo novamente na direção o japa atormentado (pleonasmo) Katsuya Matsumura (que cometeu todos os ANL anteriores e também foi o responsável por outra atrocidade niilista, o já resenhado por aqui Concrete-Encased High School Girl Murder Case: Broken Seventeen Year Olds, de 1995 - ô título curto da porra...), há dois fatores interessantes que precisam ser mencionados aqui: Matsumura, dessa vez, teve a colaboração no roteiro de outro retardado psicótico, o xarope master Daisuke Yamanouchi (dos insanos e cabulosos Red Room 1 & 2), e a bastante curiosa produção do cineasta mainstream Takashi Shimizu - realizador de trocentos Ju-On: The Grudge / Ju-On: O Grito, mas também diretor do mórbido e excelente Marebito: Seres Estranhos, um dos melhores filmes de horror desse milênio. É bem inusitado mesmo ver um diretor tão famoso e mundialmente reconhecido se envolver com uma franquia tão extrema e underground...

A trama: japa psicopata - mais um - aprisiona duas irmãs (ou amigas, sei lá) na casa delas, e as submete a uma série de humilhações e o escambau. Ou ao menos é isso que parece. Acontece que, assim como os anteriores ANL: R (4) e ANL: Initial 0 (o quinto da série), essa porra também só foi lançada no Japão e, assim, não possui nenhum tipo de legenda em língua nenhuma. (Ao contrário dos três primeiros, que circulam sim com legendas em inglês.) Portanto, não faço a menor remota ideia do que é dito pelo protagonista masculino - um sujeito na casa dos 30 e tantos - e pelas duas gostosas que ele inferniza; que também estão bem além da adolescência, o que pode incomodar os puristas fãs dos quatro primeiros ANL.

É isso aí: mais um All Night Long para foder com a sua mente. E as grandes diferenças entre ANL e lixos como August Underground são a boa realização geral da franquia ''Jap'' (competência na direção, nas atuações e afins) e o fato de que, geralmente, há sim alguma crítica social no cinema sem limites de Matsumura, que parece sempre alfinetar a sociedade japonesa (e, possivelmente, mundial) e as repressões / opressões que a cerca - culminando em uma devastadora violência terminal que afetará todos a seu redor. Não é o gore pelo gore num evidente desespero em tentar chocar e incomodar o espectador da forma que for preciso, mesmo que ao custo de coisas como roteiro, conteúdo e ''filmmaking''; é cinema de verdade (já descrito como uma espécie de Guinea Pig em versão intelectualizada), porém só para estômagos fortes.

Portanto, com tudo isso dito, recomendo sim ''Durante Toda a Noite'' 6 para a galera dos parafusos a menos. E, é claro, ainda tem a curiosidade de ver a Marica Hase num filme que não seja pornô. (Mas não se enganem: mesmo não sendo pornô, a galera aqui irá tomar no cu e se foder da mesma forma.)

PS: Em breve retornarei nesse caralho com o relato de um garimpo VHS supimpa e, também muito em breve, finalmente tomarei vergonha na cara para terminar de responder todo o feedback do Guitardo Songs no post do Ruggero Deodato e também no anterior, da freira arrombada. E, por falar no GS, recomendo vocês darem uma passada pelo canal dele do YouTube, e conferir o vídeo ''Minhas Memórias'' que ele fez relembrando seus tempos de funcionário da Blockbuster. É muito bacana e informativo e, uma vez lá, vocês podem até aproveitar e tentar encorajá-lo a fazer uma parte II desse vídeo :) Enfim... See ya, folks.

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BÔNUS:

ALGUNS SPOILERS DE ANL 6 A SEGUIR

A princípio, ANL 6: ''Qualquer Um(a) Serviria'' aparenta seguir a mesma linha do anterior All Night Long: Initial Zero, ao substituir as tramas com adolescentes - o assunto principal dos quatro primeiros episódios da cinessérie - por personagens adultos, envoltos numa pegada ''pinku eiga'' revival / softcore / BDSM / síndrome de Estocolmo... (Adicione a isso sequências de fantasias alucinatórias e uma recorrente vibe onírica.) Mas, lá na sua meia-hora final, o Diabo fará a festa com uma carnificina absurda e sanguinolenta para doente mental nenhum botar defeito. E dá-lhe uma brutal sequência de mutilação genital que botará obras como Pesadelo em Veneza / Giallo a Venezia (1979) e Anticristo / Antichrist (do mesmo ano de ANL 6: 2009) no mais puro chinelo. Tenso. Se não fosse o suficiente, a boa e velha necrofilia também fará parte desse cardápio dos infernos.

FIM DOS SPOILERS E DO POST

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Fim o escambau. Gostaria de fazer a seguir um pequeno teaser sobre o próximo post de garimpo VHS. As 11 fitas da leva incluem: um sci-fi setentista europeu - da Mega - com toques de terror e dois atores que alcançariam fama fora do seu país de origem (um deles, morto ano passado, foi o vilão de uma franquia bastante controversa do horror desse milênio), um clássico do horror num relançamento dublado (porém sem capa - foi a única fita sem capa da relação toda), um suspense de vigilantismo da Taipan / Tupã, um clássico de ação / guerra / survival num relançamento dublado, uma ação trasheira da Zircon feita por um diretor sul-americano, uma pérola oriental de guerra - em relançamento dublado através do obscuro selo Crival - que presta uma homenagem ao gore do ciclo italiano de canibalismo - e também aos filmes d'O Lobo Solitário - e ainda possui uma body count de, hum, 323 óbitos (!), um quarteto de ''alternas'' (sendo uma retardadice infantil noventista - que plagia um filme francês do ano anterior - e três oitentistas: uma ação trasheira, uma comédia debilóide e uma bizarrice de serial-killer que, aparentemente, nunca saiu no Brasil de forma selada, seja em VHS ou DVD) e a melhor de todas: uma fita duca do mestre DAVID A. FUCKIN' PRIOR. Bem... Tentarei fazer o post em questão até a noite de amanhã. Até lá, motherfuckers.




sexta-feira, 7 de maio de 2021

PARTIAL MASSACRE = Inferno ao Vivo / Cut and Run (1985), a Decepcionante Conclusão da Trilogia Canibal de Ruggero Deodato


 

 

Apesar de não ser realmente um filme de canibalismo, temos que levar em consideração que o próprio Ruggero ''Mestre Canibal'' Deodato já se referiu a Inferno ao Vivo (Inferno in Diretta / Cut and Run, 1985) como sendo a parte final da sua saga de canibalismo, seguindo assim o cult Mundo Canibal / O Último Mundo dos Canibais (1977) e o épico do gore Canibal Holocausto / Holocausto Canibal (1979); filme que entra, facilmente, no TOP 10 das produções mais controversas da história do cinema italiano - apesar de perder feio no território dos escândalos e polêmicas se comparado a coisas como O Exorcista (William Friedkin, 1973), A Última Tentação de Cristo (Martin Scorsese, 1988) e A Paixão de Cristo (Mel ''Cuzão Valentão'' Cabaçon, 2005).

Afinal, de qualquer forma, algumas das principais marcas registradas desse subgênero italiano - iniciado em 1972 por Umberto Lenzi em Mundo Canibal / O País do Sexo Selvagem - estão presentes sim na obra: o estereótipo do índio selvagem e mal intencionado, as drogas, o gore brutal (incluindo uma cena em que um infeliz é partido ao meio - algo que o finado freakmaster japa Teruo Ishii já havia feito nas telas bem mais de uma década antes, e que ainda seria retomado por Lucio Fulci em Demonia) e o cenário da selva aonde as pessoas serão abandonadas e só os mais fortes sobreviverão.

Com isso tudo dito, Inferno ao Vivo decepciona - e muito - ao supostamente adaptar um roteiro não utilizado de Wes Craven e trazer Deodato de volta a mais uma desventura na selva. Numa má comparação, eu diria que Inferno ao Vivo é para a saga canibal do Deodato o que tranqueiras como O Poderoso Chefão 3 e Pusher 3 são para suas respectivas trilogias.

Quando Inferno não nos presenteia com a sangreira generalizada causada pelo personagem do adorável freakazóide Michael Berryman (que, no mesmo ano, ainda apareceu em dois videoclipes retardados do Motley Crue: do cover Smokin' in the Boys Room e da balada Home Sweet Home), o filme simplesmente decepciona e muito. É isso mesmo: o insano vilão do Berryman e a desgraceira gore causada por ele são mesmo o ÚNICO real valor de Inferno. De resto, temos personagens chatos pacaray, diálogos xaropetas, situações nonsense e trocentas sequências inúteis de helicóptero voando ''for the fuck of it''. A impressão que passa é a de que o troço nem foi dirigido pelo Deodato, e sim por um novato Zé Ruela qualquer que decidiu fazer uma aventura gore no mato tendo os já citados Last Cannibal World e Cannibal Holocaust como referências. É mesmo chocante pensar que o próprio Deodato tenha sido o responsável por um filme tão fraco.

E tem outra. Já se falou muito sobre o quanto o finado Lenzi plagiou o Deodato em Cannibal Ferox - ou ''Cannibal Xerox'' como costumam dizer. Mas puta que pariu... VAMOS LEMBRAR NESSA BAGAÇA QUE FOI O PRÓPRIO LENZI QUE COMEÇOU ESSA PUTARIA TODA DE FILME ITALIANO DE CANIBALISMO, CARALHO, FILHO DA PUTAAAAAAAAAAA. E, em alguns casos, foi o próprio Deodato que chupinhou o Lenzi, e não o contrário. Por exemplo, no primeiro filme de canibalismo do Deodato, O Último Mundo..., ele reuniu os dois protagonistas d'O Último País...: Ivan Rassimov e Me Me Lai. E, aqui em Inferno, o Deodato até faz uma menção ao Jim Jones, que, cinco anos antes, já havia sido interpretado pelo Rassimov em Os Vivos Serão Devorados do Lenzi. Ou seja, o real motivo do Deodato ser considerado o grande mestre desse subgênero infame é o fato dele ter dirigido o grande clássico do estilo, Canibal Holocausto. É essa e somente essa a real razão. Por outro lado, ele não foi o precursor dessas porras e ele até cometeu lá os seus plágios e pisadas de bola.

OK, mas, voltando a Inferno ao Vivo, podemos também observar que as várias tretas ocorridas durante as suas conturbadas filmagens (confira por si mesmo: https://www.imdb.com/title/tt0089338/trivia?ref_=tt_ql_2), que incluem discussões feias e até agressões físicas, repercutiram mesmo no resultado final do filme da pior maneira possível. Uma trasheira quase que total que, novamente, só vale pela carnificina splatter causada pelo personagem do grande Michael Berryman, mais lembrado como o Pluto de Quadrilha de Sádicos. Inclusive, logo no começo do filme, ele e a sua trupe do mal são responsáveis por uma doentia sequência de barbaridades que, além de algumas cabeças cortadas, até resultará num estupro coletivo duma mulher que estava no lugar errado e na hora errada.

No mais, nem a trilha sonora do paulista Claudio Simonetti (Goblin, Daemonia) servirá para empolgar muito.

Mas OK, apesar de todo o clima capenga-vagabundo, apoiado por um sensacionalismo barato, Inferno ao Vivo ainda é infinitamente superior ao Canibais / The Green Inferno, a ''homenagem'' que o imbecil do Eli ''Albergue'' Roth, AKA Putinha do Tarantino, fez ao finado subgênero dos canibais italianos. (É, com homenagens assim, é melhor apodrecer no caixão mesmo.)

No fim das contas, eis a minha cotação a Cut and Run, AKA Straight to Hell, AKA Amazon: Savage Adventure: 2.5 de 5. Regular, portanto.

PS: Por falar em homenagens, de uma maneira totalmente intencional esse post acabou sendo os meus ''parabéns'' ao Ruggero Deodato, que fez aniversário nessa mesma Sexta 7.

 


 

sábado, 1 de maio de 2021

PURE MASSACRE = Felissa ''Sleepaway Camp'' Rose Permanece Presa no Fundo do Fundo do Poço no Abominável ''Oração Diabólica'' / ''A Nun's Curse'' (2019), Slasher Nunsploitation Completamente Imbecil Que Trata o Espectador como um Perfeito Otário


 

 

Antes de iniciar o massacre desse filmeco deplorável, gostaria de esclarecer algumas paradas. Já era para eu ter pulicado o relato do meu retorno aos garimpos de VHS na Segunda passada, após mais de dois meses completos afastado dessa prática. Mas aquele post em questão está ficando mais e mais complexo e ambicioso, e terá que ser adiado indefinidamente. Pretendo sim postá-lo agora na semana que vem, mas é melhor não prometer mais nada. Afinal, tive a ideia de fazer um novo garimpo VHS em breve, e, a seguir, adicionar essa nova experiência a esse mesmo post, fazendo dele um 2 em 1. E, como preciso dar uma avaliada online apropriada em alguns filmes cujas fitas estou decidindo se devo ou não pegar (incluindo um filme de serial-killer com o finado e ''saudoso'' Christopher ''Superhomo'' Reeve, que acabei de perceber que está completinho da vida no YourToba, AKA YouTubug), ficou claro para mim que não seria mesmo possível fazer essa postagem VHS agora. Para piorar, me atrapalhei todo hoje e não consegui acordar a tempo de dar um pulo no centro e tentar procurar alguma fonte de VHS aberta. Bem, quem mandou eu começar a assistir o incrivelmente besta e entediante Tenet, do Christopher ''Ídolo dos Virgens'' Nolan (da ridícula trilogia do Bagaceiro das Merdas - pior do que a Marvel, só mesmo a DC) na última manhã, o que me fez simplesmente cair morto de tanto tédio e sono, e acabar perdendo o horário... (Puta filme imbecil do caralho, tão detestável quanto outros desastres que se perdem ao viajar no tempo, como Looper: Assassinos do Futuro e O Exterminador do Futuro: Gênesis. Só o estava revisitando hoje pelo fato dessa cópia ser melhor do que a anterior, e porque eu ainda pretendo fazer um PURE MASSACRE detalhado dessa desgraça.)

Enfim, de qualquer forma, pretendo sim fazer em breve esse novo post ligado ao Big VHS Brother Brasil, esse meio pavoroso onde seres inescrupulosos e estelionatários como Rafael Jader e - pior ainda - Albino Albertim circulam livremente e até são recebidos de braços abertos. Bem... Morte ao BBB VHS.

OK, CHEGA DE DIGRESSÃO E VAMOS A ESSE LIXO DE FILME.

Oração Diabólica / A Nun's Curse (2019, Tommy Faircloth)

A trama dessa abominação: grupo de viajantes otários (a protagonista nerd, sua irmã vagabunda, o namorado dessa e também um gordão bobalhão) é forçado a passar uma noite em uma prisão abandonada. Prisão essa aonde, no passado, uma freira ridícula, a tal ''Sister Monday'' (provando novamente que o Hey Monday, AKA Paramore Mil Vezes Superior, é a única coisa que presta chamada ''Segunda-Feira''), foi acusada de assassinar vários detentos através da sua faquinha. É óbvio que o espírito vingativo dessa idiota ressurgirá para ameaçar os ''heróis'' dessa tranqueira.

Por onde começar a malhar esse lixo cinematográfico, que ainda possui alguns reviews fake no IMDB enchendo sua bola? OK, veremos.

Oração Diabólica já começa da pior maneira possível, com uma vergonhosa tentativa de criação de suspense a la Blumhou$e, numa cena que ainda será reprisada outras vezes. Essa sequência vexaminosa servirá para mostrar como a protagonista possui, desde sempre, uma fobia / obsessão com o tema das freiras. Com uma protagonista dessas, já fica bem evidente que o filme em si chupará muitas bolas durante todo o seu percurso.

Aí nós somos apresentados aos já citados quatro ''jovens'' protagonistas, que, na realidade, não são tão jovens assim não, e já estão, tipo, beirando - ou até ultrapassando - os 40. OK ver slashers fuleiros com adolescentes e até mesmo ''twentysomethings'' como os personagens principais, afinal é de se esperar que eles sejam imbecis mesmo. Mas ver protagonistas tão velhos quanto os de Oração Diabólica agindo como teens debiloides é um EPIC FAIL tão gigantesco quanto o que presenciamos no quinto episódio da franquia Amityville, de longe o pior daquela saga inteira - que também tinha protagonistas bem velhos em situações tipicamente juvenis.

Mas absolutamente nada é pior do que ver a Felissa Rose no papel da tal ''Irmã Segunda-Feira''. Apesar de parecer muito gente fina como pessoa (de acordo com o que vi em entrevistas de vídeo e texto, documentários e depoimentos net afora - incluindo um relato do Alex Relíquias, que a conheceu numa convenção de horror), devo dizer que, como atriz, foi só mesmo no icônico primeiro Acampamento Sinistro / Sleepaway Camp (1983) que a atuação dela me convenceu. OK, ela até participou de um outro grande filme de horror, intitulado Horror mesmo, mas devo reconhecer que não foi lá uma atuação capaz de fazer a diferença... E, de resto, teve a aparição dela em lixos terminais como Return to Sleepaway Camp, o pior slasher da história do cinema, e essa podreira indefensável massacrada nesse post.

E dá-lhe tentativas fracassadas de humor, mortes sem inspiração e flashbacks nada empolgantes - já que existem poucas potencias vítimas na trama - para transformar esse filminho sem imaginação em um longa-metragem... (Aliás, aí está o único mérito dessa sem-vergonhice: a curta cronometragem de 1h13.) Tudo isso até chegar no RI-DÍ-CU-LO ''plot twist'' final, que trata o espectador como um completo otário. É simplesmente uma das piores conclusões já vistas num slasher.

Pegando carona no sucesso da personagem lá da Blumhou$e, Oração Diabólica usa o slasher como mote e dá um novo significado ao termo ''nunsploitation''. E faz tudo isso da pior forma possível, resultando em um dos piores filmes de terror dos últimos anos. Só não é pior mesmo do que a participação da Felissa no abismal Return to Sleepaway Camp, um exemplo perfeito de filme que eu adoraria ''desassistir'', se possível fosse.

Anyway...

Fuja com todas as suas forças. Pau no cu dessa freira chata pra caralho.

 


 

segunda-feira, 19 de abril de 2021

PARTIAL MASSACRE = Turnê Assassina / Terror on Tour (1980) e o Fetiche Generalizado por Fitas de Filmes Ruins


 

 

Recentemente tive o desprazer de, finalmente, assistir na íntegra o fraquíssimo slasher Turnê Assassina / Terror on Tour (de Don ''Ilsa'' Edmonds, feito em 1980) e já entrego de cara: isso daqui só não é um PURE MASSACRE por causa de alguma eficiência / clima creepy na construção das cenas de assassinato. Tirando isso, Turnê Assassina (AKA Demon Rock) é uma produção extremamente complicada e que beira o desastre total: monótona e repetitiva, com suspense quase inexistente, mortes sem imaginação e repleta de atuações sonolentas, situações nonsense e trilha sonora esquecível. Algo como uma versão muito inferior do posterior - e digno - Rocktober Blood (1984). E também não chega aos pés do hilário guilty pleasure Entrada para o Inferno / Rock N Roll Nightmare (1987), lançado no Brasil em VHS selada pela Alvorada e também em fitinha ''alternativa'' pelos primórdios do ''selo'' Tiozinho da Esquina Home Video.

A ''trama'' envolve uma famosa banda de hard rock chamada The Clowns (interpretada por uma obscura banda real intitulada The Names), que possui visual inspirado no Kiss e performances shock rock a la Alice Cooper - performances essas que, mais adiante, seriam incorporadas de forma mais radical pelo WASP e pelo Lizzy Borden. Uma vez na estrada, prostitutas e groupies são assassinadas por alguém com visual de palhaço from hell - que pode ou não ser um integrante do grupo. (E, como Turnê Assassina é anterior ao momento de explosão do metal farofa, que só rolaria três anos depois graças ao trio Quiet Riot / Def Leppard / Motley Crue, a sonoridade aqui é mais voltada mesma aos anos 70. Portanto, não vá assistir essa semi-desgraça esperando um grupo de hair metal no plot. Fica o aviso.)

A ruindade de Turnê é tão cabulosa que, entre os reviews do filme no IMDB, um dos atores dessa tralha está se desculpando pela sua atuação na bagaça: Larry ''Soup Nazi'' Thomas, que faria depois um outro slasher oitentista (Night Ripper!, de 1986) e também viveria o Osama Bin Laden no insano e divertidão Salve-se Quem Puder! / Postal (2007), do subestimado Uwe Boll, o rei dos filmes de serial-killers.

E é interessante também pensar que, mesmo tendo sido realizado logo no comecinho da 'slasher craze' (1980), o filme parece ter apenas uma meia dúzia de fãs ao redor do mundo.

E uma questão que quero levantar aqui é a seguinte: por que será que filmes tão ruins e genéricos assim conseguem gerar tanto interesse e uma tara quase que sexual nas suas respectivas VHSs? OK, o filme é dirigido por uma suposta lenda do exploitation (responsável pelos dois primeiros Ilsa - que também não são tão bons assim), não foi lançado aqui ou mesmo lá fora em DVD (Blu-ray então nem sonhar) e possui uma capa bem bacana nas suas edições em VHS nacional e da gringolândia. Mas será que esses motivos são o suficiente para justificar um interesse tão grande nessa fita? O Alex Relíquias até dá para entender, já que é fanático por slashers e por Kiss. Mas, de uma maneira geral, simplesmente não consigo entender a obsessão geral pela VHS de um slasher completamente esquecível como esse - que, em leilão do ''Uáts'', certamente teria seu percurso iniciado em abusivos e absurdos três dígitos, e, no Mercenário Livre, possivelmente seria vendido na casa dos quatro fucking dígitos. (Por falar nisso, um outro slasher totalmente vagabundo que não consigo entender o endeusamento encima da sua respectiva VHS é Massacre / The Slumber Party Massacre 2, da UniVídeo. E é um caso até mais grave do que Turnê Assassina. Afinal, Massacre saiu sim em DVD aqui, está disponível num Blu-ray de luxo nos EUA e o mais inacreditável de tudo: consegue ser PIOR do que Turnê. Inclusive, até hoje tento superar o trauma e a extrema vergonha de ter visto Massacre na tela grande em 2017. E olha que eu ainda bebia na época e, mesmo assim, foi uma experiência simplesmente deplorável. No território dos slashers, aquela porra só não é pior do que o quinto Halloween e o Return to Sleepaway Camp...)

E, falando em eventuais valores assassinos encima da VHS ''nacional da Nacional'' desse slasher bagaceira (que ainda utiliza uns sons estranhos na linha dos ''KI-KI-MA-MA'' de Sexta-Feira 13 - certamente chupados dos italianos, por mais que toda a glória seja dada ao picareta do Harry Manfredini), vale lembrar que, em Abril de 2015, cheguei muito perto de pagar R$ 45 nela numa negociação que nunca aconteceu com o lastimável Roqueiro Anônimo - que, como já comentei aqui, só não é mais baitola do que o Mel Cabaçon (heroico nos filmes, mal caráter espancador de mulheres na vida real) gritando ''LIBERTINAGEM'' no final do indescritivelmente patético Cuzão Valentão / Bullshit Heart, lixão fantasioso e oscarizado de 1995. Naquela ocasião, decidi no último instante que não iria mais negociar porra nenhuma com esse sujeito nunca mais, por mais que ele tivesse um zilhão de fitas interessantes para possíveis trocas. Afinal, absolutamente nada justifica negociar qualquer coisa com os queimados desse meio. E, de boa, após assistir Turnê agora, fica claro para mim que essa fita valeria somente uns 20-30 reais para mim no máximo do máximo. E, sim, mesmo me considerando um fã hardcore de slashers, não acho nem a pau que essa fita valha um centavo acima de R$ 30.

É isso aí. Turnê Assassina só interessará mesmo aos completistas mais fanáticos dos slashers e/ou aos fãs de filmes com temática rock N roll, os chamados rocksploitations ou metalsploitations; e mesmo essa galera slasher-maníaca / rock N roller / headbanger dificilmente conseguirá encontrar algum mérito nessa tranqueira.

Observação adicional: muito infelizmente, essa prática de cobrar preços grotescos-surrealistas-pornográficos por fitinhas de filmes fuleiros de terror não é exclusividade do Brasil, do Mercado Lixo e do What's Up the Ass. Prova disso é o ''precinho camarada'' que estão pedindo na VHS americana de Turnê Assassina na Amazon:

https://www.amazon.com/Terror-Tour-Dave-Galluzzo/dp/B000MC6JCO

 


 

segunda-feira, 12 de abril de 2021

Titio Marcio Sendo Assassinado ao Fazer as Compras... Dobradinha Slasher: Intruder (Violência e Terror, 1989) & Cornered! (Brutal: A Face do Demônio, 2009)



 

 

INTRUDER (4 de 5: muito bom)

CORNERED! (3 de 5: bom)

Recentemente fiz essa divertida dobradinha de slashers com temáticas parecidas: Intruder se passa num supermercado prestes a acabar e Cornered! é situado num mercadinho decadente. E ambos os filmes acontecem durante a noite e possuem uma vibe um tanto cômica. Intruder eu já tinha visto uma série de vezes, mas Cornered! foi mesmo a primeira vez.

INTRUDER (1989)

Sinopse básica: num supermercado que está prestes a ir pro beleléu, seus funcionários noturnos são atacados por um misterioso psicopata.

Lançado em VHS no Brasil pela Globo (fita que tive e fui burro de trocar por Olhos de Fogo, da Jaguar) e em DVD pela Versátil Hype Video (como parte da frustrante coleção Slashers, onde foi o único filme do terceiro volume a não receber algum extra substancial - sendo que, na gringolândia, o filme possui um BD edição especial com muitos extras apetitosos), Intruder é um slasher oitentista que, durante muito tempo, circulou apenas com cortes. Mas, felizmente, a produção foi restaurada em sua cópia integral nos formatos DVD e Blu-ray, podendo, então, ser apreciada em toda a sua ''goria'' uncut.

No elenco temos participações de figuras cultuadas do horror como Renee Estevez (a irmã bonitinha-gostosinha de Charlie Sheen e Emilio Estevez, que, nessa mesma época, também apareceu nos cults Atração Mortal / Heathers e Acampamento Sinistro 2 / Sleepaway Camp 2: Unhappy Campers) e, em papéis bem pequenos, o trio Sam Raimi (que ainda era um cara bacana na época e não havia se vendido pro sistema), seu maninho com cara de retardado Ted Raimi (dos também slashers e também sanguinolentos Shadow Woods: O Pesadelo e Skinner: O Maníaco) e o rei dos canastrões Bruce ''Ash'' Campbell, da franquia The Evil Dead.

Falando nisso, Intruder possui sim um estilo parecido com o de Evil Dead 1 & 2, antes do nome ''Evil Dead'' cair ladeira abaixo e virar sinônimo de piada graças a bobagens como Army of Darkness, o remake assumido pelo mesmo bobalhão que matou a saga Millennium e o igualmente ridículo seriado Ash Vs. Evil Dead. Ou seja: personagens palermas, ritmo ágil, humor pastelão, câmera inventiva - com ângulos inusitados e criativos - e, é claro, a presença de um gore cabuloso (cortesia da KNB), que faz do filme um dos slashers mais descaradamente e exageradamente sangrentos daquela década sem noção, finalizando os anos 80 com chave de sangreira. E, como o assassino não usa máscara nenhuma, as belas tomadas tem que tomar todo um cuidado especial para não revelar sua identidade durante seus ataques - algo que o filme faz muito bem.

Com direção de Scott Spiegel (que, futuramente, se queimaria legal com o deplorável Albergue 3), Intruder é um slasher muito bacana e essencial; um clássico do gênero.

E bem que Intruder poderia receber um remake no Brasil, passado na rede Carrefour / Express, com personagens negros sendo ameaçados por um segurança Bozominion truculento. Fica aí a ideia para um Dennison Ramalho, Fernando Rick ou Petter Baiestorf a pôr em prática.

Aviso: para quem não viu Intruder e pretende dar uma conferida nele, fique sabendo que diversos trailers do filme possuem spoilers graves e até entregam a identidade do assassino.

CORNERED!

Sinopse básica: num mercadinho todo fodido e decadente, seus funcionários freakazóides e desajustados (um junkie, uma prostituta, um gordão viciado em donuts, etc) são ameaçados por um enigmático serial-killer mascarado, figura presente dos noticiários da TV. A recompensa para a sua captura é de 500.000 dólares.

Disponível em DVD e Blu-ray no Brasil pela TrashStar com o absurdo título BRUTAL: A FACE DO DEMÔNIO (WTF?!), Cornered! chegou a circular em DVD ''alternativo'' com a sua tradução correta: Encurralado - título que nos remete ao pavoroso suspense de estrada dirigido por Steven Is Pig em 1971, e que possui um dos protagonistas mais insuportáveis daquela década. (Se bem que o personagem principal de Contatos Imediatos do Terceiro Reich consegue ser ainda mais mala. Não adianta: pior do que Spielberg só mesmo um outro Spielberg.) Assim, faz parte dos filmes que, se por um lado receberam títulos equivocados no Brasil por vias oficiais, foram traduzidos corretamente pelo selo Tiozinho da Esquina Home Video - mesmo caso de Prisoners / Prisoneiros (título oficial BR: Os Suspeitos, que já era o título nacional de outro thriller policial) e Wrong Turn / Desvio Errado (título oficial BR: Pânico na Floresta, que também já era o título oficial de outro slasher). É, até a galera do camelô é mais inteligente e sensata do que as nossas distribuidoras porcas de home video... (Sei lá, mas desconfio de que ''Brutal: A Face do Demônio'' foi um título dado pelo mesmo maconheiro mucho luco que, durante os tempos do VHS, traduziu ''The Outcast'' como ''O Exterminador Recrutado pelo Demônio''. Bem, vai saber.)

Contando no elenco com a figurinha carimbada dos anos 80 Steve Gut'em Bad (de Três Solteirões e um Bebê e porras do tipo) e o cultuado James Duval (dos filmes do Gregg Araki e também de outro slasher OK: O Palhaço Assassino / The Clown at Midnight), Cornered! é uma espécie de Intruder dos pobres. Também possui um ritmo bacana e um humor constante, mas não chega nem de longe aos pés do filme de 1989.

Assim sendo, os grandes destaques são as bizarras cenas dos sintomas de abstinência do personagem de Duval, o que faz uma ligação de Cornered! com clássicos dos ''junkie movies'' como Christiane F e Diário de um Adolescente, e, é claro, a ótima conclusão, que se mantêm acima da média dos finais de slashers pós-anos 80.

Dirigido por um tal Daniel Maze, Cornered! poderá sim ser uma boa pedida para os completistas dos slashers. Vale uma espiada.

///

TÍTULOS VARIADOS EM PORTUGUÊS E INGLÊS:

INTRUDER

Brasil: Violência e Terror
Portugal: Terror Fora de Horas

AKAs em inglês:
Bloodnight
Nerve Endings
Night Crew
Night Crew: The Final Checkout
Night of the Intruder

CORNERED!

Brasil:
Brutal: A Face do Demônio (título oficial em DVD e Blu-ray)
Encurralado (título do DVD ''alternativo'')

AKA em inglês: Saw Executioner

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PS: Para compensar que não consegui publicar nenhuma postagem na semana passada, poderei fazer um outro post ainda nessa semana agora.

(...)

E
A
S
T
E
R

E
G
G

Ao pesquisar alguns nomes que desconhecia no elenco desses filmes, tive uma surpresa ao descobrir que a protagonista feminina do Cornered!, a Elizabeth Nicole (AKA Elizabeth Abrams) trocou a carreira de atriz por uma bem-sucedida jornada como cantora de pop e R&B, sob a alcunha Liz, AKA Liz Y2K. Eis o canal oficial dela no YT:

https://www.youtube.com/user/LIZY2K/videos

Dei uma conferida nos clipes dela e curti Pandemonium (que até possui uma referência ao VHS: ''I make it pop like a VHS''), mas achei When I Rule the World horrível.

E, ao olhar a página dela no Wikipedia, descobri duas coisas bem curiosas:

1) Ela abriu shows da Charli XCX durante a tour do álbum True Romance. Sim, ela mesma: CXCX, a xaropeta feminazi responsável pelo PIOR SHOW QUE EU VI NA MINHA VIDA INTEIRA, que ainda contou com a abertura da ''simpaticíssima'' Karol com KKK, recém-saída do Big Bordel Brasil. (Com isso dito, reconheço que, sim, True Romance e Sucker são grandes álbuns do pop 2010, com uma série de canções clássicas em ambos os registros. Mas esse show da CXCX - com a abertura da BlacKKKlanswoman - foi uma aberração sem precedentes, com um setlist simplesmente pavoroso e diversas presepadas na performance geral dessa mala do caralho, em parceria duma cospobre da Harlequina.)

2) Ela fez um dueto - numa canção chamada Live Forever - com o Travis Barker. Sim, ele mesmo: o bobalhão que está no Blink Chupa 182 Bolas desde o exato instante em que a banda ficou ruim. (OK, o batera original era bastante limitado, tecnicamente falando, mas a banda era legal pra caralho naquela época dos dois primeiros álbuns. Hail Cheshire Cat e Dude Ranch. RIP Blink.)

 



 

sexta-feira, 2 de abril de 2021

Berlin: Bands Reunited (2004, 42 minutos) + Berlin: Take My Breath Away (2013, 29 minutos) / Dobradinha de Ótimos Curtos Documentários Sobre os Mestres do New Wave


 

 

Berlin: Bands Reunited (***** / excelente)

Berlin: Take My Breath Away (**** / muito bom)

Para os interessados, no YouTube é possível assistir esses dois grandes docs da excelente banda ''one-hit wonder'' Berlin - só que não, já que, ao menos na década de 80, No More Words, The Metro e Sex (I'm a...) também foram hits.

Faço aqui algumas observações sobre os dois docs, ambos recomendadíssimos pelo blog que vocês amam odiar.

BERLIN: BANDS REUNITED (2004)

É interessante pensar que Berlin é daqueles grupos tipo Crashdiet: bandas que jamais tiveram um mísero integrante fixo que esteve presente em todas as fases da banda. O primeiro line-up do grupo - ainda como The Toys - contava com o fundador e líder John Crawford, o guitarrista Chris Ruiz-Velasco (o compositor da maravilhosa Masquerade, a melhor faixa da banda), o finado baterista Dan Van Patten e o vocalista homem Ty(son) Cobb. Com exceção de Cobb, já devidamente trocado pela Terri Nunn, foi essa formação que gravou o single e o videoclipe de A Matter of Time, em 1979.

Mas esse documentário da VH1 busca reformar um outro line-up do Berlin, que é a formação da era Pleasure Victim: Terri Nunn (vocal), John Crawford (baixo), Ric Olsen (guitarra), Rod Learned (bateria) e os tecladistas Dave Diamond (sem relação alguma com o ''Diamond Dave'' David Lee Roth) e Matt Reid. Será que a VH1 conseguirá cumprir essa ''Missão: Berlin''? Ou será que - pelo menos - um desses integrantes recusará voltar com a banda?

Vale lembrar que, nessa época, o Berlin atual contava com a Terri acompanhada de uns ''scabs'' paraquedistas, fazendo assim uma espécie da versão feminina dos Cunts N Posers. Além da Terri, tinha um cidadão chamado Chris Olivas (sem nenhuma relação com o quase homônimo Chris Oliva, maluquinho do Savatage - AKA Pior Nome de Banda Ever - que morreu tragicamente) e um carinha lá fazendo a linha ''goth metal rocker'', que poderia muito bem estar tocando no Nine Inch Nails ou Marilyn Manson.

É interessante notar que, além da Terri, o único outro integrante desses seis membros do Berlin clássico que continuava na música era mesmo o tecladista Matt Reid, que estava se virando com performances de covers em bares, festas e casamentos.

Ponto curioso do doc: a inclusão da canção We Used to Be Friends dos Dandy Warhols na trilha sonora.

Frase de destaque do doc:

''[As composições do John Crawford para o Berlin] não são restritas para garotos ou garotas. São para seres humanos se sentindo miseráveis.'' - Terri Nunn

Essa declaração realça uma certa faceta gótica da banda, que, de maneira alguma, era só mais um mero grupo new wave - e que possui muito, muito, muito mais a oferecer do que a xaropeta Take My Breath Away.

BERLIN: TAKE MY BREATH AWAY (2013)

Não se deixem broxar por causa do título desse documentário. O doc em questão é interessantíssimo até para as pessoas sensatas que odeiam Take My Breath Away - que, com a mais absoluta certeza, está sim no meu TOP 5 das piores canções do Berlin oitentista, ao lado de outras presepadas como Torture (que faz jus ao título), You Don't Know (inexplicavelmente também lançada como single e videoclipe), Pink and Velvet (também lançada como single) e a seriamente obscura e estranha French Reggae, que é a menos pior dessas 5 pataquadas.

O doc já abre com a seguinte declaração:

''Take My Breath Away. Todos nós já a ouvimos, querendo ou não. Mas... Berlin? Quem são eles? Pelo menos o nome soa europeu...''

E aí o doc começa uma jornada pelos primórdios do Berlin, a partir da entrada da cantora-atriz Terri Nunn na banda, e COMPLETAMENTE ignorando qualquer menção aos outros três vocalistas que passaram pelo grupo: Ty(son) Cobb (sim, no início, o Berlin - então chamado The Toys - contava com um HOMEM no vocal), Toni Childs e a sensacional Virginia Macolino (ex-Virginia Macolino and the Slims e futura frontwoman do Beast of Beast), com quem o Berlin gravou o subestimado e esquecido debut Information, de 1980, disponível apenas num raríssimo vinil. Bem, quem sabe um dia nós teremos um documentário intitulado BERLIN: THE COMPLETE HISTORY OF THE OTHER THREE SINGERS, né? É, vai sonhando...

Desse período underground, o doc mostra um trecho do clipe oficial (ou mera performance de TV - sim, existem controvérsias nessa questão) de A Matter of Time na versão com a Terri, o primeiro single do grupo. Mas rola um erro ali: a legenda diz ''1981'' quando, na verdade, o vídeo é de 1979.

E, por falar em vídeos obscuros, o doc revela uma excelente sacada ao mostrar um trecho do seriamente obscuro PRIMEIRO clipe de The Metro, de 1981. É um vídeo bem mais ousado do que a segunda versão (e a terceira, e a quarta...), apelando no sex appeal e no aspecto ''dark'' da parada, mostrando até um pouco de sangue e morte. Sensacional e, provavelmente, o meu clipe favorito entro todos do Berlin.

Após passar pelo período Pleasure Victim (1982), o primeiro disco com a Terri, o doc aborda a primeira relação do bobalhão Giorgio Moroder com o Berlin, através da sua participação como produtor no maior hit do Berlin pré-Top Scum: No More Words, o principal single do LP Love Life (1984), segundo álbum de estúdio com a Terri. É curioso reparar as semelhanças desse clipe - que mostra a banda como gangsters durante a Grande Depressão - com um outro clipe mainstream do mesmo período: Wanted Man, dos farofeiros adoráveis do Ratt. (Interessante isso do Ratt, já que o John Crawford está a cara do finado Robbin Crosby no clipe da Like Flames.)

Aí vamos para o maior hit do Berlin, a mega-melosa xaropice da trilha sonora daquele filme imbecil, que acabou de vez com a banda.

Nessa parte, o doc também mostra uma entrevista com a Martha Davis (The Motels), a primeira opção para cantar Take My Breath Away. Até mostram trechos do primeiro clipe de TMBA, nessa versão da cantora do The Motels. Não satisfeitos com a performance dela, ofereceram a canção para a Terri Nunn - cuja versão agradou a todos os presentes. Quer dizer, todos não, já que o resto do Berlin na época - o baixista e líder John Crawford e o baterista Rob Brill - odiaram a canção, já que ela não foi composta por ninguém da banda e não tinha nada a ver com a sonoridade do grupo.

''Foi aí que o Berlin perdeu o foco. (...) [TMBA] nos separou, basicamente.'' - John Crawford.

Os dois detestavam ter que tocar ela em todos os shows e, para piorar, a canção foi incluída no disco (Count Three and Pray, 1986) por pressão da Geffen. Graças a TMBA, fillers variados e apenas três grandes canções (Like Flames, Trash e Will I Ever Understand You?), posso dizer que, entre os quatro discos oitentistas do Berlin, C3&P é o único que não é uma obra-prima.

Mas, apesar de todos os pesares, a Terri, muito curiosamente, sempre foi uma grande defensora de TMBA. Vai entender. Eis o trecho de um depoimento dela no doc: ''Essa canção é uma dádiva. (...) Naquela época eu não tinha amor na minha vida e não transava fazia quatro anos. É por isso que eu cantei aquela música com tanta sinceridade e tristeza.''

No mais, um trecho engraçado do doc é quando a narração diz ''em 1986 até mesmo grupos de hard rock estavam fazendo uso dos sintetizadores'' e, daí, entra a cafonice master chamada The Final Countdown - faixa título de um álbum pavoroso - na trilha sonora :) (E é curioso pensar que, naquele ano, até mesmo a Donzela Ferrada se rendeu aos sintetizadores no LP Somewhore in Time - disco chato pacaray inspirado em um filme chato pacaray, Blade Bummer: O Caçador de Andróginos.)

(...)

Enfim, esse foi o meu primeiro post sobre Berlin, que se tornou a minha banda ocidental favorita dos anos 80.

Para finalizar, eis o meu TOP 10 Berlin:

(INFORMATION, 1980)

Information

Overload (na versão Virginia Macolino)

(PLEASURE VICTIM, 1982)

Masquerade

The Metro

(LOVE LIFE, 1984)

Dancing in Berlin (cover de Farenheit, projeto desenvolvido pelo John Crawford durante a fase Virginia Macolino - cujo clipe original, by Farenheit, é uma das coisas mais toscas, bizarras, engraçadas e sensacionais já postadas no Tubão)

Pictures of You

Touch

(COUNT THREE AND PRAY, 1986)

Like Flames

Trash

Will I Ever Understand You?