''O meu colega de cela é um assassino, e me obriga a fazer exercícios travestido de mulher.''
O clássico Prison (nome encurtado para You Know What They Do to Guys like Us in Prison), presente no disco Revenge (nome encurtado para Three Cheers for Sweet Revenge), reflete as características do vocalista e líder da The Black Parade, o Gerard Way (autor da HQ que resultou naquela atrocidade da Netflix chamada The Umbrella Academy), na época em que Prison foi lançada, 2004.
Ou seja: problemas mentais, alcoolismo, vício em drogas e remédios, e a confusão sexual. O cara não sabia direito se gostava de mulheres, de homens, dos dois ou de nenhum dos dois.
Nessa clássica canção, presente no disco que lançou o MCR ao mainstream (já o primeiro disco dos caras é bem obscuro e underground, e cultuado apenas pelos killjoys mais hardcore como eu), que conta com os backing vocals de Bert McCracken (vocalista do The Used, que teve um caso com o Gerard - que também passou anos se pegando com o guitarrista do MCR, o Frank Iero; na verdade, os três tiveram problemas com a dobradinha álcool-drogas), Gerard relata o dia a dia de um freak outcast - e com problemas de identidade sexual - tentando sobreviver atrás das grades. Cercado de assassinos e da escória da humanidade, ele faz o que pode para se manter vivo e não enlouquecer totalmente. Lá pelas tantas, de saco cheio disso tudo, ele já planeja incendiar o presídio.
''I'M GONNA STRING THAT MOTHERFUCKER ON FIRE. FIRE.''
Será que Prison fala somente sobre a rotina de freaks andróginos na prisão, ou será que, na verdade, a canção está dizendo que o Planeta Terra em geral é uma prisão horrorosa que merece ir pro saco? Posso me identificar perfeitamente com isso. Já na canção posterior Na Na Na - que também receberá um post próprio - tudo termina com o mundo inteiro indo pro saco: ''Pull this pin. Let this world explode.''
My Chemical Romance ruleia. Uma banda maravilhosa e fantástica até a medula, niilista e agressiva, para qual muitos torcem o nariz sem realmente conhecer. E é surreal pensar que uma banda fodástica dessas era colocada pela mídia ao lado das piores bandecas do mundo, como Fall Out Boy e as brazucas Cine e Fresno, entre outras. Daí o preconceito com MCR - que já foi screamo, mas NUNCA foi emo.
PS: No segundo show completo presente no DVD The Black Parade Is Dead!, após cantar Prison, um Gerard 100% chapado faz o seguinte comentário sobre a canção: ''Essa AINDA é a minha música favorita para cantar ao vivo.'' Uma outra coisa interessante desse show é notar que o irmão do Gerard, o baixista Mikey Way, está usando uma camiseta do GOBLIN (!); o que cria um link desse post com o anterior.











Na imagem anexada, o cartaz original de cinema de Que o Céu a Condene (Lucio Fulci, 1969 - exibido no Brasil em 1971), adquirido por intermédio do amigo Gio Mendes.
(...)
Não sei como fazer esse post. Acabei de passar horas escrevendo outras postagens e estou me sentindo sem inspiração para fazer essa postagem aqui. Vamos ver se consigo escrever alguma coisa.
Estou cansado de fazer essas cruzadas de VHS e não receber nenhuma indicação de que estou no rumo certo. Nenhuma esperança de que isso faça um real sentido.
Tenho uma caça planejada para amanhã e, se dessa vez não receber nenhum sinal de que essas buscas são sim o caminho certo, me aposentarei do colecionismo de VHS por tempo indeterminado. Quem sabe para sempre.
Só colecionar o formato por achá-lo ''cool'' não é o suficiente. A nostalgia também não justifica tanta dedicação e espaço gasto (e tempo, e dinheiro...).
É preciso de algo além.
Me dê uma porra de sinal de que estou no caminho certo. Ou entregue de cara a farsa disso tudo.
Talvez seja hora de parar.
(Por outro lado, nunca encarei o culto por VHS como colecionismo. Pode soar contraditório e confuso, mas nunca o vi como colecionismo. As outras coisas são colecionismo, mas VHS é diferente. Está mais para... Sei lá, uma tentativa de resolver certos tipos de problemas graves. Mas o problema é que, talvez, novos problemas graves foram criados através do culto ao VHS. E não sei se aqueles problemas graves iniciais podem mesmo ser resolvidos através de buscas por VHS. Talvez eu estive iludido esse tempo todo, querendo acreditar nessa porra toda. Sei lá. Estou de saco cheio disso tudo. Se amanhã não for um dia especial, não terei mais interesse em continuar fazendo essas caças extremas. Estou cansado.)

Greetings from Mileyland / Miley Goes Emo-Screamo
(Post escrito em Novembro de 2018, e sem NENHUM tipo de atualização posterior.)
Pesquisando mais a fundo sobre os singles do Kaiser Chiefs, me deparei com uma bizarrice: um dos B-sides do single I Predict a Riot é uma música chamada WRECKING BALL :) E veio nove anos antes da canção mais famosa de uma certa cantora pop dos EUA. Já o outro B-side da melhor música dos Kaisers já lançada como single é relativamente conhecida: Take My Temperature, um daqueles raros casos de lado B de single que costuma rolar nos shows. Temperature, inclusive, rolou no show que vi deles em 2016.
''2004
I Predict a Riot single
B-sides:
Take My Temperature
Wrecking Ball
Both tracks were later included on the Oh My God European EP. Also included on the Japanese edition of Employment.''
Kaiser Chiefs: Wrecking Ball link
(E, ao pesquisar sobre a Wrecking Ball do KC, descobri que uma outra banda new rock também lançou uma Wrecking Ball própria anos antes da Miley: Interpol. Lembra deles? Era aquele grupo que chupava o Joy Division até a medula. O new rock era mesmo engraçado: uma banda chupava Joy Division, outra (The Vines) chupava Nirvana (e, às vezes, os Beatles), uma outra (The Hives) chupava Sex Pistols - e, em um ou outro momento, All Cunts / Disguised Cunts também...)
Bastante curioso também foi notar, alguns meses atrás, que a finada banda screamo-extremo Funeral for a Friend (a banda galesa que mais curto ao lado de Manic Street Richeys, Tigertailz e Persian Risk; só farofice, portanto) possui uma canção própria chamada Kicking and Screaming - lançada um ano antes da Miley coverizar (e melhorar) a canção homônima da Ashlee Simpson. (Ainda no campo da vertente mais histérica e surtada - e metálica - do emocore, é bom relembrar que o primeiro disco do The Used, auto-intitulado, tem uma faixa chamada On My Own; sem relação com uma excelente música da Miley de mesmo nome, que pode ser encontrada na versão deluxe de Bangerz.)
Funeral for a Friend: Kicking and Screaming PV link
Continuando no tema ''Miley goes emo'', vale citar que, na década passada, ela chegou a fazer um dueto com o Metro Station, grupo mezzo-screamo que contava com o seu maninho Trace Cyrus na formação. A faixa em questão se chama Hovering. ScreaMiley! ExtreMiley! (E vale lembrar que, no You Tube, é possível encontrar um vídeo de três paspalhos chapados fazendo um ''belo'' cover de 7 Things em versão screamo, hahaha. 7 Screams!!!)
Miley & Metro Station: Hovering live video link
7 Things: Screamo Version link
E uma última trivia da ''Mileylândia'', que percebi recentemente e achei interessante compartilhar, mesmo correndo o forte risco de ninguém dar a mínima. Tanto o primeiro disco da Kelly Osbourne (Shut Up, 2002) quanto o primeiro da Miley (Meet MC, 2007) possuem uma canção própria chamada Right Here como a quinta faixa. Curioso, não? (É que comprei o Shut Up por um real num sebão esses dias, e notei que a faixa # 5 do debut da Kelly O também se chama Right Here. Aliás, a KO - que chegou a namorar o vocalista esquisitão do já citado The Used - possui umas músicas bem legais; como a faixa-título, por exemplo, que destrói legal e é muito superior a algumas outras Shut Up que existem no mundo. E esse álbum é o mesmo que possui a cover de Papa, Don't Preach, videoclipe bastante exibido pela MTV Brasil na época.)
Futuramente, MC e KO ''atuariam'' juntas no catastrófico - porém divertido - filme A Super Agente / So Undercover, comédia policial em que a MC faz uma agente do FBI de 17 anos de idade. Sim, o roteirista disso deve tomar mais drogas do que quem escreveu o roteiro do igualmente absurdo e inacreditável O Círculo / The Circle, estrelado por outra musa suprema minha: Emma Watson. No fim das contas, os roteiros d'A Super Agente e d'O Círculo só não são mais débeis do que eleger um doente saudosista de ditadura militar como o presidente de uma nação.
Trivias extras:
Sigo tentando associar a Miley ao emocore e/ou ao screamo-extremo :)
* O primeiro clipe real da Miley, o revolucionário vídeo de Start All Over, foi dirigido por Marc Webb (de 500 Dias com Ela). MileyChem! Webb também dirigiu, no mesmo ano (2007), três videoclipes do My Chemical Romance retirados da obra-prima absoluta The Black Parade: I Don't Love You, Teenagers e Blood. (Sendo que Teenagers possui três versões um pouco diferentes uma da outra.) No total, Webb dirigiu 8 clipes do MCR, e pode ser visto como o cidadão responsável por ''transformar'' o MCR em emo. Alguns outros grupos ''emonóides'' e/ou ''screamonóides'' que tiveram clipes dirigidos pelo Webb: AFI, Brand New, Good Charlotte, Green Day, Jimmy Eat World, Sparta, The Used (cujo vocal teve um caso com o vocal do MCR - BI CHEMICAL ROMANCE!!!) e Yellowcard.
* A cidadezinha natal da Miley, Franklin (no Tennessee), curiosamente, também é o berço do Paramore e de um integrante do Dashboard Confessional e do Further Seems Forever. Enquanto Paramore é a prova de que os únicos grupos emo convencionais BONS possuem vocal feminino, as outras duas bandas ali citadas dão razão ao ódio que o subgênero emocore recebeu durante a década de 2000. (Aliás, até literalmente algumas semanas atrás eu tinha a felicidade de nunca ter ouvido falar de Further Seems Forever; os conheci através de um DVD intitulado Dragging the Lake, com The Used, Thrice, Recover e outros.) Quando relembro coisas como - além de DBC e FSF - Simple Pain, Failout Boiolas, Panicat: The Jizz Co, Bad Charlotte, McFlop, Fresco e os grupos com números no nome, como Emo X Zero à Esquerda, TPM 22, Blank 182 e Scum 41, se torna perfeitamente compreensível entender porque os emos eram tão odiados. MAS, por outro lado, quando penso no quanto MCR é maravilhoso, e que também podemos encontrar ótimas canções no The Used, no Funeral for a Friend, no Paramore e na brasileira Lipstick (cuja Na Na Na pode ser vista como uma precursora da Na Na Na do MCR), fica claro que o screamo-extremo (também conhecido como skrams e powerviolence) e o emo com vocal feminino possuem sim os seus fortes atrativos; e merecem uma reavaliação.

''All you'll ever be is mean. And a liar. And pathetic. And alone in life. And mean. And mean. And mean. And mean. And a couple of hopeless cowards. And meaningless.''
Mesmo se a Taylor Swift não tivesse nenhuma outra música que me agradasse, ela continuaria sendo especial para mim por causa de Mean, excelente single retirado do seu terceiro álbum de estúdio, Speak Now.
Mean disputa com Karen, Don't Be Sad (nome inspirado em Katie, Don't Be Depressed do nosso Yonlu?), da Miley (presente no seu quinto LP, Miley Cyrus and Her Dead Petz), pelo título de mais bela canção anti-bullying da história.
Já quem procura uma abordagem mais agressiva na reação aos bullies, recomendo fortemente dois clássicos do Motley Crue retirados do disco Shout at the Devil: Bastard e Knock'em Dead, Kid. (Teria essa última inspirado Give'em Hell, Kid do My Chemical Romance?)
E falando em MCR, a banda mais anti-bullying da história, diversas canções da era The Black Parade podem ser encaradas como anti-bullying: Kill All Your Friends, Teenagers, Welcome to the Black Parade (AKA Best Song Ever), Dead!, Disenchanted...
E outra banda erroneamente tida como emo que possui um grande hino contra o bullying é o Bowling for Soup, com o clássico absoluto High School Never Ends.
PS: No Wiki da TS tem um trecho que diz que, durante o colegial, a Taylor ouvia bandas como Fall Out Boy, Dashboard Confessional e Jimmy Eat World. WHAT THE FUCK: A ''Tay'' foi uma adolescente emo?! :)
BAD MOVIE. NO DONUT FOR YOU.
Tentarei fazer o post dentro das minhas limitações de internet e tempo...
É, o Hulkboy e a revista Darkside estavam mesmo certos.
E, para variar, o Cinema Ferox e o dublê de crítico Thales de Menezes - que dá cotação alta para tudo que é LI-XO da Marvel e da Defective Cunts - estavam errados.
O Suspiria original (1977) é um grande clássico do cinema de horror da década de 70, uma obra magistral que cresceu ainda mais numa recente revisão em Rai-azul - um dos raros acertos da Vexátil Hype Vírus. Já este remake (ou ''cover'', como o babaca do diretor prefere chamar; de boa, vai tomar no olho do cu, seu Luca - o mesmo bobalhão que dirigiu Me Chame pelo Seu Nome) não tem nenhuma das qualidades do original: a atmosfera sinistra, o visual vibrante e a trilha devastadora foram direto pro inferno.
O ''Suspíria: Dança do Medo'' (!) é um filme chato pra caralho, longo pra caralho e metido a besta até a medula; e sem nenhuma cena memorável, nenhuma mesmo. E dá-lhe CGI na fuça do espectador.
Puta que pariu...
E é simplesmente deprimente a desculpa que encontraram para inserir a ultra-hiper-mega-decadente Jessica Harper (a protagonista do original) nessa porra de ''versão cover''. A decadência desconhece limites... E, por falar em decadentes, ainda somos ''brindados'' com as entediantes canções do ex-relevante Thom Yorke (Radiohead). Patético X2.
O que mais dizer dessa porra? Veremos.
O negócio ainda é estrelado pela gostosa porém insossa Dakota ''Colecionadora de Bombas'' Johnson, da trilogia iniciada por 50 Tontos de Cinza. Como o resto do elenco, ela se encontra mais perdida do que cego em tiroteio. Ela seria mais produtiva fazendo filme pornô e levando uns boxes no rabo, isso sim.
Como ousam chamar ISSO de Suspiria?
Pau no cu de todos os envolvidos nessa atrocidade. Cambada de filhos da puta.
E aí, mais alguém desperdiçou duas horas e meia (!!!) com essa tralha?
PS: Anselmo Spektroman e Gabriel Caroccia, OBRIGADO pelo feedback no post anterior. Os responderei na minha próxima vinda a net, OK?

''Suddenly Titio Marcio could see into the future... And saw the murder of his enemies.''
https://www.youtube.com/watch?v=m0dMw6OT38g
Essa entrevista foi filmada em Novembro de 2017, que foi também o mês em que eu fiquei sóbrio. Como não tinha mais o álcool para disfarçar a minha timidez e insegurança, eu passei a entrevista em questão um tanto quanto nervoso e inseguro. Não sei se isso fica claro para quem vê o vídeo. Para mim fica bastante: lá estava eu, experimentando a mais pura sobriedade, após passar uma década e meia chapado. (E agora já são quase 17 meses 100% sóbrio. CHUPA, gorólândia.)
Portanto, quando eu falo ''esse ano'' no vídeo, se trata de 2017. Só para não haver confusão.
Enfim, achava que morreria de vergonha ao me ver no vídeo, mas até que nem tanto. Depois de algum tempo, até que - finalmente - consegui chegar vivo até o fim do vídeo de 30 minutos. Eu sou tímido e socialmente assustado, então é meio difícil para mim. Mas a excelente edição do Lúcio Reis torna a experiência mais palatável.
Tal edição foi realmente primorosa. Cortou coisas que precisavam mesmo cair fora, além de trazer aquelas propagandas e vinhetas de VHS, que se encaixaram perfeitamente no vídeo. Por exemplo: logo antes de falar sobre as fitas XXX, entra a vinheta da VCX. Muito legal mesmo. Agradeço ao Lúcio por ter acertado em cheio na montagem.
E, falando nisso, a minha imagem na capinha d'A Casa dos Mortos-Vivos (Dado Group) também foi uma ótima sacada. E faz todo o sentido, já que consegui o relançamento daquela fita dentro do Cemitério Consolação, em Setembro de 2015. (Doze anos antes, aos 17 anos de idade, fiquei bêbado pela primeira vez neste mesmo recinto.) Já o primeiro lançamento do filme eu consegui através do mais fiel leitor desse blog, o Anselmo, AKA Spektro, AKA Speks, quando a gente voltou a dar rolê juntos, lá em meados de 2016 - numa busca por VHS que rendeu algumas dezenas de fitinhas.
Eis a descrição do vídeo postada no You Tube:
''Quem frequentava a Sessão do Comodoro, organizada pelo cineasta Carlos Reichenbach no CineSesc entre 2004 e 2012, certamente já viu o entrevistado do episódio 27 do Fora de Sintonia por lá. O cinéfilo Márcio Santos esteve presente na maioria das sessões, sempre trajando camisetas de filmes como "Island of Death" (1976), do diretor grego Nico Mastorakis. Pouco antes de conhecer o projeto de Reichenbach, Márcio já tinha interesse por filmes fora do convencional e começou a colecionar fitas VHS. O italiano Lucio Fulci e o gaúcho Sady Baby são alguns de seus diretores preferidos, cujos trabalhos estão entre os milhares de vídeos da coleção de Márcio. Na entrevista, ele fala sobre a trajetória do mercado das fitas VHS no Brasil e como se tornou um colecionador, entre outros assuntos.''
No final, a fita que eu apresento ali como sendo a mais rara da minha coleção é uma que talvez seja ainda mais rara do que a melhor VHS que já adquiri na vida; que foi Porta para o Silêncio, já devidamente explanada na postagem anterior.
Bem, espero que curtam a entrevista. E perdoem a minha fala - algo esquisita e às vezes meio ''Detonator'' do Massacration - assim como os meus possíveis eventuais tropeços de comunicação nela. Nunca havia realmente falado diretamente para vídeo antes, então posso ter agido com um certo despreparo. Mesmo com a excelente forma que o Lúcio e o Leandro Cesar Caraça conduziram a entrevista, eu posso sim ter pisado na bola em uma ou outra parte dela.
Fica então ao cargo dos espectadores admirar ou não a minha entrevista ao Fora de Sintonia no You Tube. Para quem se interessar, tem dois vídeos algo relacionados no mesmo canal: o do Valter José e o intitulado Sexo, Rock e Videocassete. (Apesar de - definitivamente - não poder recomendar o Ricardo como negociador de VHS, essa entrevista dele é sim bem bacana e interessante para os fascinados pelo formato.)
https://www.youtube.com/watch?v=vLeqEc_WOgs&t=1090s
///
Filmes de Lucio Fulci citados/comentados na entrevista:
A Casa dos Mortos-Vivos, AKA A Casa do Cemitério
Enigma do Pesadelo (AKA Enigma de um Pesadelo?)
Luca: O Contrabandista
The New Gladiators
Pavor na Cidade dos Zumbis
Premonição, AKA 7 Notas Fatais
Terror nas Trevas, AKA A Casa do Além (AKA Cidade do Horror?)
///
Filmes de Sady Baby citados/comentados na entrevista:
Emoções Sexuais de um Jegue, AKA O Jeito É Jegue, AKA Tesão no Interior
A Máfia Sexual
Meninas Virgens e P..., AKA Troca de Óleo
No Calor do Buraco
O Ônibus da Suruba
O Ônibus da Suruba 2, AKA O Ônibus do Sexo
''And then...
We'll solve...
The mystery...
OF LA-CE-RA-TION GRA-VI-TY.
This riddle...
OF REVENGE.
Please understand:
It has to be this way.''
MCR: ''Nossa Senhora das Mágoas''
Colecionar VHS não é para os fracos. E, talvez, nem para os fortes. Será que é para alguém? Não vejo como alguém conseguiria colecionar o formato sem ter grandes motivos para tal.
Pensando alto sobre o ato de colecionar VHS, em postagem escrita em tempo real...
Não sei direito como farei esse post, portanto simplesmente sairei falando livremente sobre o assunto, mesmo correndo o risco de deixar a postagem bastante desorganizada.
Foi em Fevereiro de 1999 que adquiri a minha primeira VHS, no finado Sebo do Henrique, localizado na Rua da Moóca. Fiquei na dúvida entre adquirir o OK A Metade Negra, então o último filme de George Romero, e o patético quarto filme da desoladora franquia Halloween. Acabei optando mesmo por A Metade Negra, que custou 5 mangos.
De lá para cá fui adquirindo outras VHS e, atualmente, estou com mais de 2000 fitas. A maioria esmagadora é formada por VHS originais, mas também possuo pouco mais de duas dezenas de fitas piratas-oficiais (AKA alternativas, AKA ''trepadas''), além de cerca de duas ou três dezenas de fitas com conteúdo gravado da TV aberta entre 1997 e 2007 - na maioria, filmes e videoclipes. Possuo também mais ou menos 15 fitas Betamax, o primo pobre e fodido do VHS.
De 1999 a 2012 fui um colecionador quase que casual de VHS. Pelo menos é uma descrição que posso fazer se comparar aquela época com o que me tornei a partir de Outubro de 2013, quando virei um colecionador mega-hardcore do formato. O auge da obsessão foi mesmo entre 2014 e 2017, sendo que, só nos meses de Fevereiro e Março de 2017, adquiri mais de 300 VHS.
E o que posso dizer é que, hoje em dia, estou um tanto desencantado e desiludido com o colecionismo de VHS, e não o recomendo para absolutamente NINGUÉM. Na verdade, o colecionismo em geral é uma doença maldita que não recomendo para qualquer ser humano. A finada parceria entre o Hulkboy e o Oswaldo Potenza, inclusive, rendeu dois ótimos podcasts - deletados da internet - sobre o lado negro do colecionismo.
Alguns colecionadores de VHS argumentam que, um dos baratos de colecionar o formato, é o apreço pelo seu valor histórico. Não vejo muito sentido nisso. Acho que, pelo lado do valor histórico, você pode recorrer aos recursos da internet e a informações retiradas de guias relevantes de VHS. Não é preciso colecionar o formato para isso.
Outros dizem que o legal de colecionar VHS é o lance da nostalgia aliada a magia geral do negócio: capas geralmente lindas; uma caralhada de coisa indisponível em DVD nacional (Blu-ray então nem se fala) ou disponível apenas em frustrantes combos por empresas ultra-hypadas como Versátil Hype Vídeo e Obras-Porcas do Cinema; e o prazer e a diversão de se adquirir algo que não é mais fabricado faz mais de uma década.
Sobre essa parte da ''nostalmagia'', eu até vejo sentido. A nostalgia a la Em Algum Lugar do Passado somada a beleza do VHS tem o seu apelo com certeza. E é um dos motivos pelos quais eu colecionei o formato radicalmente de final de 2013 até todo o ano de 2017. Toda essa coisa de dar um rolê ''down the memory lane'', relembrando a época em que éramos crianças ingênuas e cheias de esperança, em nossas idas old school até as locadoras, é um atrativo e tanto. O desejo impossível de ter uma segunda chance sempre desperta um fascínio em todos nós, não?
Mas a minha verdadeira ''driving force'' para colecionar VHS não foi a ''nostalmagia'' e sim uma possível visão, ou premonição, ou seja lá o que diabos foi aquilo, que tive no final de Março de 2013. ''Aquilo'' basicamente me disse que eu precisava adquirir a VHS - da Vídeo Mídia e/ou Pole Vídeo - do giallo Premonição, AKA 7 Notas Fatais, que o mestre supremo Lucio Fulci realizou em 1977; o mesmo ano em que a extremamente deplorável dupla Steven Is Pig / George Lickass assassinou em definitivo Hollywood.
Naquele ''momento de claridade'', ou visão do além, ou seja lá o que for que aconteceu, percebi que o meu destino no Planeta Terra é caçar tal VHS. É claro que não tenho certeza disso, mas é a melhor pista que tive desde então: que, ao caçar e, eventualmente, conseguir a VHS de Premonição, conseguirei me vingar de todas as coisas que atrapalham a minha estadia nesse mundo. Que ao adquirir tal fita da maneira correta - jamais recorrendo a cuspível dobradinha internet + correio - conseguirei realizar a vingança que tanto desejei durante a minha vida, em especial nessa década horrível.
A princípio, eu nem pretendia conseguir a fita para mim. A ideia era conseguir a fita, ficar com ela durante menos de um mês, e, a seguir, passá-la para o Albino; que se revelaria o maior câncer do meio do VHS, conseguindo ser ainda pior do que o também catastrófico Rafael Jader Gonçalves, AKA Cinéfilos e Coleções, AKA Sick Fuck.
Aliás, abro aqui um parêntese. O meio do VHS é o mais amaldiçoado possível. O apelidei de ''Big VHS Brother Brasil'', já que esse meio é tão detestável quanto o universo dos reality shows: um jogo de aparências onde vale tudo para arrancar as fitinhas alheias. No BBB versão VHS temos de tudo: os tipos mau-caráter que estão nessa em nome da cretinice e do estelionato (Albino, Sick Fuck), os freaks terminais que fodem com o psicológico alheio (Fabiano ''Block-Unblock-Block-Unblock'' Bizzar, AKA Doentão do Caralho), vendedores nada recomendados (Ricardo Libido's, Sra. X / Mulher Xaropeta) e até mesmo viados pervertidos (Roqueiro Anônimo) que tentarão te ''estrupar'' enquanto você estiver ocupado procurando alguma raridade em VHS.
Enfim, no começo da ''visão'', eu tinha sim o plano de, após conseguir a VHS de Premonição, a passar para o Albino - para quem eu perdi a VHS Porta para o Silêncio (o último Fulci, lançado aqui pela Sato), na mesma época. Após o conhecer de verdade, percebi o quanto essa seria uma péssima ideia.
Após perceber que Premonição é sim uma fita que eu precisaria adquirir para mim, e a guardar com carinho até a minha morte (se é que um dia irei consegui-la...), cheguei também a decisão de ter todas as 30+ fitas - contando com os relançamentos - do Fulci lançadas no nosso mercado de vídeo.
Até aí tudo bem, mas o problema é que perdi o foco em algum momento durante o percurso. De Outubro de 2013 para cá, peguei somente fitas que sejam ao menos minimamente interessantes para mim. Mas convenhamos: VHS é algo grande e pesado, além de tecnicamente problemático, portanto o ideal é somente adquirir coisas especiais no formato, e não qualquer coisa remotamente interessante. Não a toa, estou me livrando de mais de 100 fitas bem pouco interessantes, que irão direto para o lixo reciclável.
Atualmente pego muito pouco VHS. Não há nada nesse mundo que possa me convencer a comprar fita pela dobradinha net + correio, e, como estou bastante focado em pegar somente coisas que se destaquem de verdade, adquiri somente umas 50 fitas ou menos durante todo a ano de 2018 - sendo grande parte dessas fitas adquiridas através de troca. Outro fator que me ajuda a pegar pouca VHS é o fato de que estamos na mais pura decadência das fontes físicas de VHS. Como decorrência disso tudo, até agora não comprei absolutamente nenhuma VHS em 2019.
Acho que, antes de colecionar QUALQUER COISA, é preciso questionar se vale mesmo a pena colecionar essas porras todas. Tipo, quanto isso irá me custar? Eu posso gastar essa grana toda com isso? Eu tenho espaço para armazenar essa caralhada toda? E será que isso REALMENTE faz sentido colecionar? Por quê?
É também preciso pensar nas formas de colecionar as coisas. E é preciso ter muito bom senso e personalidade na hora de tomar decisões colecionísticas. Certa vez li um relato no BJC bastante interessante, de um colecionador de Blu-ray falando que não vê sentido em colecionar sagas ''completas'' (mesmo porque, como bem sabemos, nunca existirá saga completa de nada): disse que, por exemplo, se tratando da vexatória trilogia do Cavaleiro das Trevas, ele só possui o BD do segundo filme, já que não gosta das partes 1 e 3. Faz sentido: se não gosta das partes 1 e 3, para que ter essas porras? Para ter a trilogia completa? Que se foda isso, o importante é gastar o mínimo de dinheiro, e ter o máximo de espaço possível disponível. Eu, por exemplo, jamais teria a franquia Halloween completa em ''Rai-azul''. Só as partes 1, 2 e H20 - que, para mim, formam uma verdadeira trilogia, além de ser os três exemplares realmente bons da saga. Para falar a verdade, talvez até pegaria também o subestimado terceiro filme; mas JAMAIS teria os BDs das partes 4, 5, 6 e 8, além dos dois do Rob Zombie e o Halloween 2018.
Acho que é muito importante pensar bem antes de pegar algum item colecionístico, já que espaço é um assunto bastante delicado. É aí também que reside o apelo do streaming, onde você pode armazenar um grande catálogo de filmes e séries sem ocupar espaço físico. OK, o conteúdo ficará numa nuvem e necessitará da internet para ser acessado, além dos títulos ali poderem desaparecer a qualquer instante. Mas só o fato de ter um grande acervo de filmes e seriados a sua disposição, sem foder com o seu espaço físico, já é um alívio.
Sei lá, outra coisa que me desanima um pouco em colecionar coisas é pensar que não terei alguém para deixar as minhas coleções de VHS, singles, Blu-rays, Miley-teca (aumentando cada vez mais) e outras coisas, já que não possuo nenhum interesse em ter filho. Acho que para quem tem filho - ou pretende ter - faz mais sentido colecionar, já que você terá um herdeiro para passar suas coleções. Mesmo que o seu filho não tenha nenhum interesse em manter suas tralhas, e acabe se livrando de todas elas, já é um adicional.
Outra coisa que não faz sentido é adquirir coisas simplesmente por estarem baratas e/ou serem raras. Eu não coleciono por raridade, e, hoje em dia, simplesmente me recusaria a pegar uma fita que não seja interessante o suficiente só por custar pouco, ou até muito pouco. Seria capaz de pagar até 90 reais na Vampyres: As Filhas de Drácula em bom estado e com a capa-estojo de papelão na íntegra, mas não pagaria nem 5 pilas numa fita apenas levemente interessante. Tipo, por exemplo, uma Corrosão: Ameaça em Seu Corpo é uma VHS que eu até recuperaria, mas na qual sou capaz de pagar apenas 3 reais no máximo. O Paul (Analog Archivist / VHS Collector) que bem disse certa vez: VHS só é divertido de colecionar quando você não precisa pagar altos valores - tipo 40, 50 ou mais dinheiros - numa fita. Na real, 90 reais é o máximo do máximo do máximo que eu pagaria em alguma VHS; e teria que ser algo muito, MUITO especial para eu pagar de 40 pilas para cima. E Premonição é a ÚNICA fita que me faria chegar nos três dígitos.
OK, acho que agora disse tudo que queria sobre o assunto. E demorei a voltar pra net porque, após a vitória para presidente do pior de todos os candidatos (sem contar que também elegeram o Juão Dólar aqui em SP), fiquei um tanto desanimado para voltar a postar coisa na rede. Por um lado, falar sobre política se tornou um tanto utópico e cansativo, e, por outro, falar de outros assuntos seria como ignorar a horrível situação política do país.
Por isso - e outras coisas - demorei tanto para voltar a fazer postagem aqui. Mas, para a infelicidade da nação, titio Marcio está de volta. Ao menos por enquanto.
PS: Sintam-se livres para comentar sobre o sentido - ou falta de - em colecionar coisas, e os métodos para tal. É o propósito do post: discutir o colecionismo; não só de VHS, mas geral. Respondam se puderem: qual é o sentido do colecionismo para você? E vale a pena? Mesmo que vocês não queiram comentar aqui comigo, sugiro que vocês pensem a respeito. Já nas imagens do post, o Blu-ray americano recém-lançado de Premonição. (Curiosamente, Blu-ray é algo que faz bastante sentido em colecionar, ao menos para mim: alta qualidade de imagem e áudio, disco bem resistente e estojo ainda menor que o do DVD - ou seja, ocupa pouco espaço, além de ser levinho. Tem também todo o espaço restante no disco para material extra. BD é tudo de bom, e acho simplesmente chocante não ter decolado como deveria, já que o povo em geral preferiu se conformar com uma mídia inferior, o DVD. Como já disse em outras ocasiões, o DVD não tem nem o valor ''nostalmágico'' do VHS e nem a forte qualidade técnica do BD.) Aliás, no mês passado eu quebrei a regra de só ver Premonição se conseguisse adquirir sua VHS, e acabei assistindo o filme - em rip do DVD da Versátys: Os Filhos de Crápula - pela primeira vez na vida. Já o considero de imediato um dos melhores gialli que assisti.
OUR LADY OF SORROWS
We could be perfect one laaaaast night
And die like star-crossed lovers
When we fight
And we could settle THIS AFFAIR
If you would shed your yellow
Take my hand
And then we'll solve the mystery of...
LA-CE-RA-TION GRA-VI-TY
This riddle...
OF REVENGE
Please understand
It has to be this way
STAND
Up fucking tall
Don't let them see your back
AND TAKE
My fucking hand
And never be afraid again
We've only got one chance
To put this at an end
And cross the patron saint
Of switchblade fights
You said...
We're not...
Celebrities
WE SPARK AND FADE
THEY DIE BY THREES
I'll make you UNDERSTAND
And you can trade me for an apparition
STAND
Up fucking tall
Don't let them see your back
AND TAKE
My fucking hand
And never...
Trust
You said
Who put the words in your head?
Oh, how wrong we were to think
That immortality meant never dying
STAND
Take my fucking hand
Take my fucking...
STAND
Up fucking tall
Don't let them see your back
AND TAKE
My fucking hand
And never be afraid AGAIN
JUST
BE-CAUSE
MY
HAND'S
A-ROUND
YOUR THROAT